seis e meia da manhã, não sabia como reagir
andava a esmo por entre os muros
de uma cidade ingrata que cuspia foligem
negra e amarga, inevitável
ardência e tontura,
misturados com remorso
as imagens de um ato
impulsionado pela loucura
chamada de justiça
bem realizada por suas próprias mãos
os sentimentos confusos
confundidos em meio ao inébrio
etílico ruído de rica tessitura
por vezes um baque surdo,
por vezes um estrondo tétrico
as mãos manchadas de sangue,
a camisa manchada de lágrimas,
e a consciência manchada de negro
e na boca, um sabor deplorável de vingança.
terça-feira, novembro 11, 2008
segunda-feira, outubro 20, 2008
experimental
outra vez eu vejo o céu cair
me perguntando para onde caminhar
de todas as vidas que eu vi passar
me reencontro em novos passos ao lado teu
então vem dançar ao som do mar
pois agora nada mais importa se não viver
cada segundo como se não pudesse respirar
mais
além de tudo que consegue imaginar
mais longe de onde se quer chegar
não há porque se complicar
não há porque me questionar
se está tudo bem, eu sei que está
se tudo sempre esteve assim
não há porque se preocupar
eu sei, vamos deixar pra lá
e viver
porque hoje eu sei que o dia
não espera pra passar por nós
e mesmo hoje que não ouço mais a tua voz
os velhos trilhos estão aqui pra me levar
pra perto das notas que me trazem abrigo
e mais
longe das palavras rasgadas sem pensar
e de uma história que você
um dia insistiu em enterrar
me desculpe, eu vou correr em direção ao amanhã
me desculpe, é mais forte que eu
foi você quem escolheu partir
não há porque se preocupar
eu sei, vamos deixar pra lá
e viver sem hesitar
me perguntando para onde caminhar
de todas as vidas que eu vi passar
me reencontro em novos passos ao lado teu
então vem dançar ao som do mar
pois agora nada mais importa se não viver
cada segundo como se não pudesse respirar
mais
além de tudo que consegue imaginar
mais longe de onde se quer chegar
não há porque se complicar
não há porque me questionar
se está tudo bem, eu sei que está
se tudo sempre esteve assim
não há porque se preocupar
eu sei, vamos deixar pra lá
e viver
porque hoje eu sei que o dia
não espera pra passar por nós
e mesmo hoje que não ouço mais a tua voz
os velhos trilhos estão aqui pra me levar
pra perto das notas que me trazem abrigo
e mais
longe das palavras rasgadas sem pensar
e de uma história que você
um dia insistiu em enterrar
me desculpe, eu vou correr em direção ao amanhã
me desculpe, é mais forte que eu
foi você quem escolheu partir
não há porque se preocupar
eu sei, vamos deixar pra lá
e viver sem hesitar
quarta-feira, agosto 27, 2008
alarme recorrente
de olhos fechados
não verá o que
existe e persiste
em tomar o que é real, de você
a hora agora é de assumir
que há algo que deve ser detido ou
irá tirar a liberdade que conquistou
e que te faz seguir em frente
cabeças baixadas vão tentar puxar seus pés
pois a conformidade é um senso comum
siga, se oponha
há uma chance de poder olhar
pra frente sem que o que passou
impeça de andar com
seus próprios pés
a hora agora é de sentir
correr nas veias um porquê
de existir
e ser intenso, e ser sincero
é cada escolha certa que liberta
sem gerar a dor de quem está
perto, há algo que se pode
fazer
há uma chance de poder olhar
pra frente sem que o que passou
impeça de andar com
seus próprios pés
a hora agora é de sentir
correr nas veias um porquê
saber olhar pro amanhã
sem se arrepender
do que já foi
não verá o que
existe e persiste
em tomar o que é real, de você
a hora agora é de assumir
que há algo que deve ser detido ou
irá tirar a liberdade que conquistou
e que te faz seguir em frente
cabeças baixadas vão tentar puxar seus pés
pois a conformidade é um senso comum
siga, se oponha
há uma chance de poder olhar
pra frente sem que o que passou
impeça de andar com
seus próprios pés
a hora agora é de sentir
correr nas veias um porquê
de existir
e ser intenso, e ser sincero
é cada escolha certa que liberta
sem gerar a dor de quem está
perto, há algo que se pode
fazer
há uma chance de poder olhar
pra frente sem que o que passou
impeça de andar com
seus próprios pés
a hora agora é de sentir
correr nas veias um porquê
saber olhar pro amanhã
sem se arrepender
do que já foi
terça-feira, agosto 26, 2008
sobre os dias frios desse inverno adulto
já faz tanto tempo
desde que foi perdida
a inocência dos dias
de quando atravessar distâncias
consumia mais do que apenas
se preocupar com lembranças
e soluções impossíveis
desde que ficamos tão críticos
ilicitamente proibitivos com tudo
que poderia apenas ser,
sem restrições nem
receios.
agora as palavras que fazem sentido
são outras, bem mais cruéis, pungentes.
prazos, prioridades, planos
como se todas as palavras fossem
uma aliteração do que arde,
e o prazer,
o perceber,
o permitir...
acabam passando despercebidos em meio à tanta pressa.
domingo, agosto 17, 2008
de veris
e sempre que olhar pro céu
verá o que construiu, mesmo que o
tempo nos poste longe
a cada passo rumo ao futuro
verá em minhas pegadas uma trilha
segura pra pisar
sem medo de afundar ou
de pisar em cacos
pois de sangue já bastam meus pulmões
eu desejei pular de olhos vendados
sem saber se a queda mataria
ou se a terra iria se abrir
frente a mim
não vou olhar pro que passou
e no brilho que irei levar
comigo eu encontrarei meu rumo e seguirei
se eu cair, nada além de minha vontade
e suas palavras, me farão ficar
sobre meus pés de novo
* de algum dia perdido de abril.
verá o que construiu, mesmo que o
tempo nos poste longe
a cada passo rumo ao futuro
verá em minhas pegadas uma trilha
segura pra pisar
sem medo de afundar ou
de pisar em cacos
pois de sangue já bastam meus pulmões
eu desejei pular de olhos vendados
sem saber se a queda mataria
ou se a terra iria se abrir
frente a mim
não vou olhar pro que passou
e no brilho que irei levar
comigo eu encontrarei meu rumo e seguirei
se eu cair, nada além de minha vontade
e suas palavras, me farão ficar
sobre meus pés de novo
* de algum dia perdido de abril.
terça-feira, julho 22, 2008
de sonhos e horizontes, pt II
hoje num surto absoluto de consciência fiquei me perguntando sobre todas as vidas que eu já imaginei ou esperava ter e não vieram (ou ao menos não virão) e todos aqueles mundos e lugares que eu sonhei conhecer, e hoje me conformo que boa parte desses sonhos desvairados estão agora adormecidos ou desaparecidos sem fazer muita falta, há apenas alguns poucos que se mantém vivos e eu creio que esses poucos - que acabaram por ser os mais importantes - eu vou conseguir realizar e sei que a vida é mais do que sonhos, é a realidade é o momento intenso que se vive mas eu não consigo deixar de ser sonhador e os sonhos agora são bem mais concretos do que foram outrora, os sonhos são algo que realmente vão me completar (desconsiderando um ou outro devaneio) e agora o céu que eu almeijo é algo que eu posso ver sentir e aprendi a valorizar, os sonhos agora são outros - meu sonho agora é você, pra sempre eternizada em meu corpo ávido por teu abraço e teus olhares que resgatam o mais profundo dos calafrios de minha alma fazendo tremer cada pedaço do que sou.
quinta-feira, julho 10, 2008
follow me*
então vem até mim
nós dois sabemos que
ninguém precisa saber de nada
ninguém precisa aprovar coisa alguma
que reprovem...
a prova mais certa de que nos dois
somos um só
unidos pelo acaso
pela desilusão
pelo sentimento de que nada mais
fosse acontecer de bom
temos algo em comum
nascemos com uma missão
fazer os outros felizes
abdicar do que queremos
pra fazer sorrir
a quem queremos bem
mas você está tão longe de mim agora
e eu tenho que ir...
maldito coração
não sabe o que diz
não sabe o que pensa
não sabe o que sente
é estranho...
é como se você
já estivesse aqui
estar é ligação
ligação é real
real é estar
olhe ao seu redor
é tudo real?
ou está apenas vendo as luzes?
tenho que ir
mais uma vez
deixar o silêncio envolver
o chão já vai chegar
cada vez mais perto
silêncio...
texto por caio simon
nós dois sabemos que
ninguém precisa saber de nada
ninguém precisa aprovar coisa alguma
que reprovem...
a prova mais certa de que nos dois
somos um só
unidos pelo acaso
pela desilusão
pelo sentimento de que nada mais
fosse acontecer de bom
temos algo em comum
nascemos com uma missão
fazer os outros felizes
abdicar do que queremos
pra fazer sorrir
a quem queremos bem
mas você está tão longe de mim agora
e eu tenho que ir...
maldito coração
não sabe o que diz
não sabe o que pensa
não sabe o que sente
é estranho...
é como se você
já estivesse aqui
estar é ligação
ligação é real
real é estar
olhe ao seu redor
é tudo real?
ou está apenas vendo as luzes?
tenho que ir
mais uma vez
deixar o silêncio envolver
o chão já vai chegar
cada vez mais perto
silêncio...
texto por caio simon
terça-feira, julho 01, 2008
from this side of the road
eram quinze pra uma da tarde de uma terça-feira monótona. alguns telefonemas relacionados ao trabalho, algumas artes realizadas e parecia que já havia uma eternidade separando o momento de sua chegada na empresa do momento atual.
esperava ansiosamente a hora de sair para almoçar, tomar um pouco de ar, um pouco de sol, e ouvir outra coisa além dos toques intermitentes das mil linhas do escritório.
então, resolveu ouvir suas músicas. a batida frenética do lifetime invadia suas veias lentamente, e em poucos segundos, de olhos fechados, observava o público espremido logo à sua frente. de cima do palco, via centenas de pessoas, cantando junto cada palavra que gritava, como se tudo que dissesse pudesse ser captado e entendido sem barreiras por todas aquelas pessoas. os acordes rápidos embalavam aquele momento tão solene em sua mente de uma maneira única, como se com o fim do setlist o mundo fosse acabar também. explosivamente profundo, aquele momento ficaria na memória de todos presentes eternamente.
'essa é nossa última música. muito obrigado'.
e os acordes foram desaparecendo lentamente à medida que o toque do telefone o trazia de volta de seus devaneios. era uma e dez da tarde.
e inexplicavelmente, seu sangue fervia.
esperava ansiosamente a hora de sair para almoçar, tomar um pouco de ar, um pouco de sol, e ouvir outra coisa além dos toques intermitentes das mil linhas do escritório.
então, resolveu ouvir suas músicas. a batida frenética do lifetime invadia suas veias lentamente, e em poucos segundos, de olhos fechados, observava o público espremido logo à sua frente. de cima do palco, via centenas de pessoas, cantando junto cada palavra que gritava, como se tudo que dissesse pudesse ser captado e entendido sem barreiras por todas aquelas pessoas. os acordes rápidos embalavam aquele momento tão solene em sua mente de uma maneira única, como se com o fim do setlist o mundo fosse acabar também. explosivamente profundo, aquele momento ficaria na memória de todos presentes eternamente.
'essa é nossa última música. muito obrigado'.
e os acordes foram desaparecendo lentamente à medida que o toque do telefone o trazia de volta de seus devaneios. era uma e dez da tarde.
e inexplicavelmente, seu sangue fervia.
segunda-feira, junho 30, 2008
la fleur pt II*
no meio da noite uma flor desperta
de um belo sonho na hora certa
pois terá mais metade da noite para sonhar.
no meio da rua uma flor nasceu.
faz um certo tempo mas parece que foi ontem
que a feia rosa genial furou o ódio e comoveu.
no meio do canteiro uma flor serena
faz poesia sem papel e sem pena;
faz música sem tocar violão.
no meio do inverno uma flor se recupera
de um outono tão difícil que passou recentemente,
com os olhos de esperança, pois já vem a primavera.
no meio do oceano uma flor perdida
procura entre as ondas um pouco de paz
já que nos continentes não há mais saída.
no meio da paisagem uma flor não é notada.
calma e consciente, não fica preocupada.
sabe que a paisagem não seria a mesma sem a sua cor
texto por pedro destro
de um belo sonho na hora certa
pois terá mais metade da noite para sonhar.
no meio da rua uma flor nasceu.
faz um certo tempo mas parece que foi ontem
que a feia rosa genial furou o ódio e comoveu.
no meio do canteiro uma flor serena
faz poesia sem papel e sem pena;
faz música sem tocar violão.
no meio do inverno uma flor se recupera
de um outono tão difícil que passou recentemente,
com os olhos de esperança, pois já vem a primavera.
no meio do oceano uma flor perdida
procura entre as ondas um pouco de paz
já que nos continentes não há mais saída.
no meio da paisagem uma flor não é notada.
calma e consciente, não fica preocupada.
sabe que a paisagem não seria a mesma sem a sua cor
texto por pedro destro
sexta-feira, junho 27, 2008
crônicas da cidade, volume VII
cruzou a consolação com pressa em meio aos carros enquanto o relógio em seu bolso fazia pressão em seu peito, não poderia perder nem mais um segundo porém sabia que não chegaria a tempo nem que todos os outros ônibus da paulista abrissem um corredor para que o seu passasse - deu sinal apressado e embarcou desajeitado quase derrubando um rapaz que se equilibrava com dificuldade com seu livro na mão e os fones de ouvido lhe tirando a atenção, então girou a catraca e sentou-se inquieto num dos últimos assentos, inquieto por não conseguir fazer os minutos não passarem ou ao menos passarem mais vagarosamente. lembrou-se de sua infância quando imaginava que à certa idade teria poderes especiais, pararia o tempo, voaria pelos céus e seria feliz, ah como essas cenas se materializavam em sua mente com tal facilidade que acabavam por parecer verdade, e ele esperava que um dia ganharia os céus, mas ao invés disso rastejava à quatro rodas pela avenida em sua imensa lentidão vendo ao longe o sol se pondo numa caótica cidadezinha com seus habitantes de ternoegravata cinza andando maquinalmente de uma ponta à outra da cidade sem se perguntar porque andavam ou nem ao menos olhar para aquele deslumbrante astro que esparramava sua luz e seu calor até o final da lapa, mas só até o final de semana quando trocavam suas roupas sociais por roupas de marca cigarros e putas na augusta - onde todo homem é homem com apenas vinte reais e as cervejas nunca esquentam e os hipsters dessa geração usam maquiagem excessiva para desfilar em toda sua blaséidade superficial (porque no fundo de suas angústias paradoxais tudo que queriam era um pouco de atenção e alguns olhares direcionados enquanto as caixas de som da inferno espancavam seus ouvidos). ele próprio também descia a rua indiferentemente as vezes mas agora isso nem passava pela sua cabeça, apenas pensava em alcançar seu destino a tempo mesmo sabendo ser impossível cruzar duas ruas completamente congestionadas em meia hora (a domingos de morais não era tão ruim mas ainda sim, congestionada) e ricocheteava em sua mente a imagem da garota sonhadora desistindo da espera, maldito dia em que o expediente resolveu se extender por tanto tempo que comprometeria completamente o cronograma de sua vida naquele instante único, apenas pensava nela e nada mais. culpava os faróis e também as pessoas que o encaravam por estar ofegante enquanto o ônibus deslizava para a vila mariana e agora apenas dez minutos de caminhada o separavam dos abraços que tanto desejava e ao ver a imponente estrutura do outro lado da avenida seu sorriso se abriu pra não fechar mais essa noite pois as cordas do violão de bob dylan ressoavam ao fundo enquanto os dedos entrelaçados brincavam de se acariciar.
sexta-feira, junho 20, 2008
la fleur
entre grandes arbustos uma flor repousa
aprecia a vista ao longe do que pode conseguir
almeijando juncos tão altos quanto arranha-céus
entre verde e rosa uma flor descansa
seus dias cansados, seus dias alegres
seus dias passam sem que ela se abale
entre zunidos e asas uma flor se zanga
por não ser compreendia
por ser flor e por não saber ser flor
entre folhas molhadas uma flor se destaca
a mais bela de todas as flores
que carrega o mais cortante dos espinhos
entre cores e amores uma flor vive
sofrendo e fazendo sofrer terrores
seguindo seus olhares e vontades
entre passos e passeios uma flor indiferente
plena e perfeitamente
intrincada até o fim de todo meu ser
aprecia a vista ao longe do que pode conseguir
almeijando juncos tão altos quanto arranha-céus
entre verde e rosa uma flor descansa
seus dias cansados, seus dias alegres
seus dias passam sem que ela se abale
entre zunidos e asas uma flor se zanga
por não ser compreendia
por ser flor e por não saber ser flor
entre folhas molhadas uma flor se destaca
a mais bela de todas as flores
que carrega o mais cortante dos espinhos
entre cores e amores uma flor vive
sofrendo e fazendo sofrer terrores
seguindo seus olhares e vontades
entre passos e passeios uma flor indiferente
plena e perfeitamente
intrincada até o fim de todo meu ser
três ou quatro anos
preferia não encarar a realidade do jeito que ela era. sabia que seria mais amargo. encarava frio a moldura. 'não seja o reflexo, não seja o espelho. seja a imagem', dizia para si mesmo. era mais importante que tudo aquilo. era mais profundo que as coisas que observava à sua volta.
trancado em seu quarto já a dois dias não aturava mais o ar viciado, mas se recusava a abrir as janelas. a luz que outrora o guiava no escuro provavelmente o cegaria. era um mundo privado, destrutivo e infalível. não sairia de lá tão cedo. queria conseguir deixar todas as mágoas para trás, mas as lembranças estavam presentes demais em sua vida. elas estavam nas ruas, nos bares, nas montanhas e nas planícies. no céu e no horizonte.
mesmo no escuro, conseguiu definir o contorno do porta-retrato no canto da estante. a imagem, tirada por um fotógrafo de rua, mostrava um casal numa mesa de bar. 'aquele primeiro encontro', pensava. quantos anos se passaram? três, quatro? não sabia mais. muita coisa havia se perdido, memórias queimadas por rancores e arrependimento. já não conseguia visualizar o rosto dela sem ter que olhar para um retrato. porém, lembrava-se perfeitamente do diálogo travado naquele dia. e a sensação que aqueles lábios causaram ao tocar os seus. 'o que mais você vai lembrar desse dia daqui a uns dez anos?' ela perguntou.
'dois cafés, um piano e seus olhos'.
[guilherme amato e pedro destro]
trancado em seu quarto já a dois dias não aturava mais o ar viciado, mas se recusava a abrir as janelas. a luz que outrora o guiava no escuro provavelmente o cegaria. era um mundo privado, destrutivo e infalível. não sairia de lá tão cedo. queria conseguir deixar todas as mágoas para trás, mas as lembranças estavam presentes demais em sua vida. elas estavam nas ruas, nos bares, nas montanhas e nas planícies. no céu e no horizonte.
mesmo no escuro, conseguiu definir o contorno do porta-retrato no canto da estante. a imagem, tirada por um fotógrafo de rua, mostrava um casal numa mesa de bar. 'aquele primeiro encontro', pensava. quantos anos se passaram? três, quatro? não sabia mais. muita coisa havia se perdido, memórias queimadas por rancores e arrependimento. já não conseguia visualizar o rosto dela sem ter que olhar para um retrato. porém, lembrava-se perfeitamente do diálogo travado naquele dia. e a sensação que aqueles lábios causaram ao tocar os seus. 'o que mais você vai lembrar desse dia daqui a uns dez anos?' ela perguntou.
'dois cafés, um piano e seus olhos'.
[guilherme amato e pedro destro]
quarta-feira, maio 14, 2008
crônicas da cidade, volume VI
gotas de suor escorriam pelo canto de seu rosto, mesmo com a cidade batendo recordes de frio. os pensamentos desordenados e a cabeça latejante tiravam completamente sua concentração para os problemas cotidianos e todo o resto de suas tarefas pareciam se perder num borrão branco. levantou-se com dificuldade, devido ao mal estar e aos óculos que pareciam pesar uma tonelada, e foi para o quintal tomar um pouco de ar. esbarrou em uma colega de trabalho, que derrubou uma pilha de papéis, fazendo com que o pequeno corredor ficasse intransitável. embaraçado, começou a recolher os papéis, maldizendo aquele dia que não precisava nem ter começado, e não reparou o olhar de assustada da mulher que o observava, como se sua angústia fosse uma aura visível, carregada e tenebrosa. ao sair pela porta, o telefone de sua mesa começou a tocar. um, dois, três toques, e ele continuava do lado de fora, somente observando. cessou. só de pensar em voltar para aquele ambiente com o ar viciado, olhares cortantes e cheiro de mofo, sentia-se enjoado. queria não depender do salário, ou ser rico, ou roubar um banco, tanto faz. queria apenas não voltar ali. porém, nada havia a ser feito. pelo menos era isso que sua auto estima queria que ele acreditasse.
.
ela caminhava a passos largos pela rua, como se vivesse em um conto de fadas ou coisa que o valha, observado as flores, sorrido para as pessoas que cruzavam com seu habitual rancor, sem se importar se receberia ao menos uma demonstração de carinho em troca. parou em uma padaria e pediu um refrigerante. sua garganta seca queria gritar a felicidade do mundo em três acordes. tudo acontecia de uma forma tão completa que ela acreditava que seu destino estava sob influência de alguma força maior. foi então que parou àquele 533 da avenida angélica, onde um homem alto respirava com dificuldade, afrouxando a gravata. parou alguns instantes enquanto o rapaz, curvado, se recompunha, ou ao menos tentava.
.
então, ele levantou o rosto e seus olhares se cruzaram.
.
o silêncio perdurou por quase cinco minutos, e nesses cinco minutos, os dois indivíduos se conheceram por completo, trocaram experiências, vivências e essências. e o baque foi tão forte que foram repelidos para longe sem mesmo chegar perto.
.
ela continou caminhando, mas não via mais apenas cores nas flores, via flores num lugar onde tudo era da cor mais viva que conseguia imaginar. ficou marcada por aquela presença e aqueles olhos por detrás das lentes, que mudaram sua vida.
.
ele a viu seguir rumo à esquina, virou-se e voltou ao escritório. surpreendentemente, o ar viciado dera lugar à um perfume doce de rosas, e o suor frio cheio de repulso dera lugar a um sorriso.
.
ela caminhava a passos largos pela rua, como se vivesse em um conto de fadas ou coisa que o valha, observado as flores, sorrido para as pessoas que cruzavam com seu habitual rancor, sem se importar se receberia ao menos uma demonstração de carinho em troca. parou em uma padaria e pediu um refrigerante. sua garganta seca queria gritar a felicidade do mundo em três acordes. tudo acontecia de uma forma tão completa que ela acreditava que seu destino estava sob influência de alguma força maior. foi então que parou àquele 533 da avenida angélica, onde um homem alto respirava com dificuldade, afrouxando a gravata. parou alguns instantes enquanto o rapaz, curvado, se recompunha, ou ao menos tentava.
.
então, ele levantou o rosto e seus olhares se cruzaram.
.
o silêncio perdurou por quase cinco minutos, e nesses cinco minutos, os dois indivíduos se conheceram por completo, trocaram experiências, vivências e essências. e o baque foi tão forte que foram repelidos para longe sem mesmo chegar perto.
.
ela continou caminhando, mas não via mais apenas cores nas flores, via flores num lugar onde tudo era da cor mais viva que conseguia imaginar. ficou marcada por aquela presença e aqueles olhos por detrás das lentes, que mudaram sua vida.
.
ele a viu seguir rumo à esquina, virou-se e voltou ao escritório. surpreendentemente, o ar viciado dera lugar à um perfume doce de rosas, e o suor frio cheio de repulso dera lugar a um sorriso.
terça-feira, maio 13, 2008
her side of the dancefloor
as filas cresciam lá fora
e o calor aumentava aqui dentro
o som invadia as mentes sem pedir
licença ao reverberar dentro de nós
paredes rabiscadas
pessoas aceleradas
cerveja gelando copos
e cigarros aquencedo almas
suor, graves, álcool, era tudo um caos ritmado
os sentidos pouco a pouco eram tomados
e o corpo obedecia as luzes incessantes
sua visão, porém, ia contra tudo
fixava-se na silhueta da garota
que dançava despreocupada
sua imagem atropelava a percepção
única e perfeita, distante do perigo
balançando os cabelos à cada compasso
e levando consigo fragmentos de seu ser
a música, antes soberana, já virava plano de fundo
e a imagem daquela garota se tornava sua essência
e antes que pudesse perceber, deixava de ser o que era
para ser dela, o que ela bem entender
e o calor aumentava aqui dentro
o som invadia as mentes sem pedir
licença ao reverberar dentro de nós
paredes rabiscadas
pessoas aceleradas
cerveja gelando copos
e cigarros aquencedo almas
suor, graves, álcool, era tudo um caos ritmado
os sentidos pouco a pouco eram tomados
e o corpo obedecia as luzes incessantes
sua visão, porém, ia contra tudo
fixava-se na silhueta da garota
que dançava despreocupada
sua imagem atropelava a percepção
única e perfeita, distante do perigo
balançando os cabelos à cada compasso
e levando consigo fragmentos de seu ser
a música, antes soberana, já virava plano de fundo
e a imagem daquela garota se tornava sua essência
e antes que pudesse perceber, deixava de ser o que era
para ser dela, o que ela bem entender
sexta-feira, abril 18, 2008
crônicas da estrada, prólogo
então ela acordou como se nada mais no mundo fizesse sentido; pegou um punhado de roupas, umas poucas notas de dez e saiu em direção à porta para nunca mais voltar. deixava para trás seus pensamentos, seus objetivos, sua casa e seu amante. se sentia num filme, onde o clímax do enredo era uma guinada súbita na direção seguida. parou no batente por alguns instantes e olhou à sua volta: revistas, camisetas, embalagens, quadros e um aquário. não veria novamente aquela desordem tão familiar. o celular vibrou em cima da mesa, se movimentando lentamente rumo à borda. correu para atendê-lo, 'o barulho do telefone se espatifando no chão certamente o acordaria'. ligação à cobrar. cancelou antes que a mensagem automática terminasse e desligou o aparelho. deu comida aos peixes e fechou a porta atrás de si, deixando um mundo de tormentos e rotinas para trás. sentia-se mulher, depois de tantos anos interpretando uma frágil garota sob a asa de um homem. ela era forte, mais forte do que aquele que acreditava protegê-la. 'cansei de me passar por frágil. cansei de apenas sonhar com mais do mundo. eu quero. e terei', disse em voz baixa. ao atravessar a avenida, passou direto pelo ponto de ônibus onde dava partida em sua rotina periódica. hoje andaria até a estação, uma hora de caminhada não chegava nem a fazer cócegas em suas pernas. não precisava de conduções, nem caronas, nem afagos. hoje ela conquistaria o mundo sem pensar duas vezes nas consequências. lembrou-se de um livro que lera na semana anterior, pensou em cruzar o país, despontar num lugar desconhecido e sentir-se livre de qualquer amarra que pudesse lhe tirar o senso de liberdade. 'eu sou mais forte que você', repetia. porém, dessa vez, sem marejar seus pequenos olhos.
sexta-feira, abril 11, 2008
ante o tempo, pt II
eram duas horas da tarde de uma sexta-feira qualquer. o relógio mudava os números vagarosamente, com o calor passando uma impressão de lentidão, como se o tempo suasse ao se arrastar pelo dia. em cima da mesa, um copo de café que já esfriara, alguns papéis rabiscados, uns poucos discos e um telefone mudo. do lado de fora da casa, a luz do sol irradiava forte o quintal, e as folhas das árvores olhavam janela adentro sem se mover nem piscar. alguns poucos ruídos nos fundos, e a música baixa saindo das caixas. 'and this makes me whole', dizia a voz por cima dos instrumentos. parou por uns instantes para pensar no que significava se sentir completo, algo que até pouco tempo atrás não julgava ser possível. 'reflexões sempre foram meu maior passatempo'. lembrou das vezes em que ele e um amigo subiram a rua do colégio e sentaram na calçada, na frente de um poste em especial. a brisa que soprava naquele ponto exato, somada à cerveja barata e a cumplicidade dos dois acabou por tornar aqueles dias momentos eternizados em sua memória. não se sentia completo, mas era quase. na época, achava que o que faltava não existia, então era o mais perto que poderia chegar. conversavam por horas, riam, e se compreendiam. ambos buscavam algo maior que sua compreensão, não objetivos a serem alcançados e metas a serem batidas, mas sim algo introspectivo que tinha por finalidade colorir suas almas. eram tempos diferentes com prioridades diferentes. recordou-se também de tantas andanças sem rumo que fizeram juntos pelos bairros da cidade, desbravando esquinas e ruelas pouco frequentadas. seu espírito de liberdade alcançava seu auge, e a cada parada que faziam, se sentiam conquistando o mundo.
três e meia da tarde. 'os tempos são outros', pensava, 'agora há tanto a fazer e tão pouco tempo. os momentos estão cada vez mais preciosos'. gostava sim da idéia de dispor de tempo livre de sobra, e poucas responsabilidades. mas já não conseguia assimilar a idéia de não se entregar completamente aos compromissos atuais, mesmo que de tempos em tempos sentia uma incontrolável vontade de voltar àquela esquina e passar horas sob o sol, com a mente livre de preocupações cotidianas, livre para poder navegar por aí, como era de costume naqueles tempos. enfim, tornara-se adulto, ao menos por fora. suas crenças e vontades de quando era ainda um adolescente ou coisa que o valha mantinham-se intocáveis. seus sonhos eram os mesmos. porém, agora que o tempo é mais escasso, nas pequenas coisas do dia a dia, encontrou sua plenitude. nos pequenos atos, sentia-se como se estivesse completo. suas longas horas tornaram-se poucos minutos. mas, devido às circunstâncias, meios e companhias, esses poucos minutos vem valendo mais do que dias inteiros.
'this makes me whole'. compreendia perfeitamente o que a música queria dizer.
alguns instantes na estação, de mãos dadas.
dois minutos de palavras, trocadas por telefone.
poucos acordes dispersos, no começo da madrugada.
uma hora de sono, de braços envolvidos.
fragmentos de um olhar.
isso significava mais do que mil horas fitando o céu.
três e meia da tarde. 'os tempos são outros', pensava, 'agora há tanto a fazer e tão pouco tempo. os momentos estão cada vez mais preciosos'. gostava sim da idéia de dispor de tempo livre de sobra, e poucas responsabilidades. mas já não conseguia assimilar a idéia de não se entregar completamente aos compromissos atuais, mesmo que de tempos em tempos sentia uma incontrolável vontade de voltar àquela esquina e passar horas sob o sol, com a mente livre de preocupações cotidianas, livre para poder navegar por aí, como era de costume naqueles tempos. enfim, tornara-se adulto, ao menos por fora. suas crenças e vontades de quando era ainda um adolescente ou coisa que o valha mantinham-se intocáveis. seus sonhos eram os mesmos. porém, agora que o tempo é mais escasso, nas pequenas coisas do dia a dia, encontrou sua plenitude. nos pequenos atos, sentia-se como se estivesse completo. suas longas horas tornaram-se poucos minutos. mas, devido às circunstâncias, meios e companhias, esses poucos minutos vem valendo mais do que dias inteiros.
'this makes me whole'. compreendia perfeitamente o que a música queria dizer.
alguns instantes na estação, de mãos dadas.
dois minutos de palavras, trocadas por telefone.
poucos acordes dispersos, no começo da madrugada.
uma hora de sono, de braços envolvidos.
fragmentos de um olhar.
isso significava mais do que mil horas fitando o céu.
sexta-feira, março 07, 2008
perfume
parecia as vezes não compreender. olhava pelo vidro estático. que culpa tinha? fora moldado assim, esse vaso imperfeito ao longo dos anos, com medo de ser quebrado, e de que os cacos de tão pequenos não pudessem ser colados novamente. então porque? foram os olhos, brilhantes como esferas de cristal, que o faziam tremer por completo a cada fitada. os olhos acompanhavam de lá de cima, e daqui de dentro. mas com tanta coisa acontecendo, justo esses olhos, piscando incertos. e pra onde vai o medo? tentei jogar fora, por diversas vezes. quem sabe dessa vez ele não ficam na lata de lixo ao invés de vir me atormentar. quero a segurança. quero seu perfume. a argila já secou, a cola também. quem sabe não consigo me equilibrar nessa mesa, sem cair no chão nem derrubar essa flor que é você.
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
distress
the air is thick, so hard to breathe
this place is sick, why don't we go away?
my head is aching, i just wanna leave
i hate this room, just don't want to believe
in all this mess
the light is not enough, for me to stay
i've been mislead
time will erase this stain
before the sun goes down
i won't be counting wounds
with your words to heal them all
in vaults, lies the true bonds
i don't believe that they won't
blow from inside out to keep up
denial, forgetfulness
let it all behind
let it all drown
this place is sick, why don't we go away?
my head is aching, i just wanna leave
i hate this room, just don't want to believe
in all this mess
the light is not enough, for me to stay
i've been mislead
time will erase this stain
before the sun goes down
i won't be counting wounds
with your words to heal them all
in vaults, lies the true bonds
i don't believe that they won't
blow from inside out to keep up
denial, forgetfulness
let it all behind
let it all drown
dried suns (XX/11/07)
look outside for a minute
the cars are all racing by
people walk, don't ask why
what's the sense of keep living it like this?
the radio says that we're all done
but everything keep going wrong
look inside to see the truth
the colours are being dried
to change it all, no one has tried
will the grayness take over now?
everything is turning red now
the sun has been lit in anger
resulting in a shower of apathy
changing my entire reality
swept under a rug of indifference
knees down to the ground, nailed
masses are now persuaded
and what can we do to resist?
what could be done to assist
the takedown of all ignorance?
the cars are all racing by
people walk, don't ask why
what's the sense of keep living it like this?
the radio says that we're all done
but everything keep going wrong
look inside to see the truth
the colours are being dried
to change it all, no one has tried
will the grayness take over now?
everything is turning red now
the sun has been lit in anger
resulting in a shower of apathy
changing my entire reality
swept under a rug of indifference
knees down to the ground, nailed
masses are now persuaded
and what can we do to resist?
what could be done to assist
the takedown of all ignorance?
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
the lock (15/02/08)
the silence overcoming all the
storm and the sounds of the lament
ashes were rising in the air
suffocating
crawling thru the sand, i stay blind
the burning marks are now exposed
blood and filth covers the place
suffocating
now i see the shatters of
we became such mistake
how could you call this freedom?
this shivering cold night
has turned into a nightmare
for you to call your own
say it, you never meant it too
but see it, is true, is true, is true
we feel it everyday (it's wrong)
we shout in every way (it's lost)
done, done
there is only bitterness
there is only bitterness left
how could you call this freedom?
this shivering cold night
has turned into a nightmare
for you to call your own
storm and the sounds of the lament
ashes were rising in the air
suffocating
crawling thru the sand, i stay blind
the burning marks are now exposed
blood and filth covers the place
suffocating
now i see the shatters of
we became such mistake
how could you call this freedom?
this shivering cold night
has turned into a nightmare
for you to call your own
say it, you never meant it too
but see it, is true, is true, is true
we feel it everyday (it's wrong)
we shout in every way (it's lost)
done, done
there is only bitterness
there is only bitterness left
how could you call this freedom?
this shivering cold night
has turned into a nightmare
for you to call your own
overcome (25/01/08)
you try to drown me with confusion
i rise to overcome the haze
you try to blind me with false promises
it´s time to end these fucking lies
the future is decided now
i see a clear line here
to end it, to end it all
i won't spend another day
sitting here, looking at nothing
i wanna live with no restrictions
the proud will consume my pain
no hatred! no reckless thoughts!
just the will to overcome it all
i'll never walk towards the past
i'll raise my head, keep going on
i have my family to remember
you have always done me wrong!
the future is decided now
i see a clear line here
to end it, to end it all
i rise to overcome the haze
you try to blind me with false promises
it´s time to end these fucking lies
the future is decided now
i see a clear line here
to end it, to end it all
i won't spend another day
sitting here, looking at nothing
i wanna live with no restrictions
the proud will consume my pain
no hatred! no reckless thoughts!
just the will to overcome it all
i'll never walk towards the past
i'll raise my head, keep going on
i have my family to remember
you have always done me wrong!
the future is decided now
i see a clear line here
to end it, to end it all
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
sorvetes, canções, dias de sol
lembra, das vezes na frente daquela igreja ;
o mundo parecia tão pequeno ,
e as coisas pareciam tão certas .
lembra, do sol batendo em nossos rostos ;
o horizonte parecia tão perto ,
e as batidas pareciam tão ritmadas .
lembra, das vezes sentados no sofá ;
os dias pareciam tão longos ,
e as horas pareciam tão doces .
lembra, da vida se abrindo aos nossos olhos ;
as chances pareciam tão altas ,
e os medos pareciam tão ínfimos .
lembra, que a vida é curta demais para se arrepender ;
o passado foi lindo demais para se esquecer ,
o presente é intenso demais para não querer viver ,
e o futuro é incerto demais para se descrer .
o mundo parecia tão pequeno ,
e as coisas pareciam tão certas .
lembra, do sol batendo em nossos rostos ;
o horizonte parecia tão perto ,
e as batidas pareciam tão ritmadas .
lembra, das vezes sentados no sofá ;
os dias pareciam tão longos ,
e as horas pareciam tão doces .
lembra, da vida se abrindo aos nossos olhos ;
as chances pareciam tão altas ,
e os medos pareciam tão ínfimos .
lembra, que a vida é curta demais para se arrepender ;
o passado foi lindo demais para se esquecer ,
o presente é intenso demais para não querer viver ,
e o futuro é incerto demais para se descrer .
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
de noites, pt I
eu via espíritos passando pela rua. não sei se foi bem coisa da minha cabeça ou se eles apareceram de verdade, naquele estado em que eu não sei bem se a lucidez é devaneio ou coisa e tal e as pessoas passavam tão rápido por mim que eu não tive tempo nem de reconhecer o rosto ou coisa parecida, apenas me limitava a ver contornos transparentes de pessoas transparentes que mais pareciam véus balançando no vento para me fazer ficar confuso. até os objetos as vezes viravam contornos indefinidos ao fundo das salas claras com luzes acesas perto de postes. podia jurar que havia movimento dentro daquela cena, mas de repente as luzes se apagaram e eu fiquei apenas a olhar a grama nos meus pés e as folhas balançando ao berço da descida que se seguia. o muro nem era tão alto, mas era o suficiente pra tornar aquele vão algo só para se observar e nos privando de nos atirar à sua grandeza e experimentar de sua queda seguida de vazio. mas tudo bem, foi o suficiente perder sei lá, vinte minutos observando o fundo mudando constantemente à medida que a lua baixava o curso, e as pessoas não se importavam, acho que nem chegavam a perceber, que do roxo foi pro azul e do azul foi pro lilás, que é quase a mesma coisa que o roxo mas com algo de vinho no meio. elas ainda desfilavam e eu não conseguia entender porque não via os olhos, mas sim apenas o branco esvoaçado criando espectros de luz. o escuro sempre convincente em momentos como esse, em que observar o inalcançavel era a glória máxima que eu podia sentir. vivia o ar que circulava, que viciava e me fazia tirar os pés do chão, e a música imaginária já se abria para todos, e os lençóis agora flutuavam ritmados criando uma valsa de luzes e cores que eu nunca havia visto. a lua havia sumido, mas eu nem tinha me tocado, mesmo.
terça-feira, janeiro 29, 2008
fantasmas e estrelas
era uma tarde de outono quando percebi que não era mais o mesmo. as pessoas, como num filme, ficaram embaçadas, em camera acelerada. e eu andava em meio a elas sem desviar. eram apenas fantasmas figurando a paisagem. os faróis mudavam freneticamente, em contraste com meus passos vagarosos rumo à lugar nenhum. nem tinha porque estar em algum lugar, era simples, apenas andava por andar. o sol ia se pondo acelerado, e com a noite veio a calmaria. a cidade adormecera, e eu ainda caminhava sem saber pra onde ia.
as estrelas estavam esfumaçadas, 'porque olhei pro céu?', me perguntei. percebi que as coisas desaceleravam à medida que eu apreciava o que via. o ritmo de tudo à minha volta começava a diminuir. passei por um banco e não resisti. então, de braços abertos, olhando pro alto, percebi o quanto aquilo clareava minha mente. me fazia bem. levantei num impulso ímpar e corri, pela primeira vez com uma direção determinada.
agora a cena se invertia, era eu que estava voando. as pessoas pareciam estátuas, me desviava com cuidado ao que acelerava meus passos. 'é isso, era isso', pensei. tive tempo apenas de olhar a avenida repleta de ônibus sumir debaixo de meus pés numa velocidade espantosa. de repente, não havia mais chão nem teto, tudo se fundira numa redoma azul escura.
as estrelas vieram me saudar, uma a uma, se aproximavam até fazerem parte de mim. me rodeavam como se esperassem por mim durante toda a eternidade. era eu agora, uma existência de luz infinita. era eu, o céu e o sol.
as estrelas estavam esfumaçadas, 'porque olhei pro céu?', me perguntei. percebi que as coisas desaceleravam à medida que eu apreciava o que via. o ritmo de tudo à minha volta começava a diminuir. passei por um banco e não resisti. então, de braços abertos, olhando pro alto, percebi o quanto aquilo clareava minha mente. me fazia bem. levantei num impulso ímpar e corri, pela primeira vez com uma direção determinada.
agora a cena se invertia, era eu que estava voando. as pessoas pareciam estátuas, me desviava com cuidado ao que acelerava meus passos. 'é isso, era isso', pensei. tive tempo apenas de olhar a avenida repleta de ônibus sumir debaixo de meus pés numa velocidade espantosa. de repente, não havia mais chão nem teto, tudo se fundira numa redoma azul escura.
as estrelas vieram me saudar, uma a uma, se aproximavam até fazerem parte de mim. me rodeavam como se esperassem por mim durante toda a eternidade. era eu agora, uma existência de luz infinita. era eu, o céu e o sol.
terça-feira, janeiro 08, 2008
stars above us
não sei se você vai querer ver o que eu tenho pra você, pois da sua vida me tirou e sem compaixão aqui me deixou.
tenho um coração que amargura esse céu sem fim.
tolo sem razão, chora por te ouvir dizer pra mim
que não iria mais aguentar.
triste ilusão na qual escuto a tua voz
sussurando que nunca iria acabar,
que nós pra sempre iriamos nos amar,
mas isso... acabou.
tenho um coração que amargura esse céu sem fim.
que na solidão chora por te ouvir dizer pra mim
que iria esquecer tudo que dissemos por amor.
me deixou aqui sofrendo essa amarga e inevitável dor.
naquele dia que você jurou que o amor jamais acabaria e que
ao meu lado você queria acordar, e eu seria a calmaria para as tuas
tempestades de silêncio e lágrimas que insistiam tanto em percorrer
teu rosto pálido que era refletido num espelho ao anoitecer.
mas você se cansou de ouvir as palavras que eu ficava a dizer,
e agora eu não mais respiro pois ao teu lado nunca mais vou viver.
tenho um coração que amargura esse céu sem fim.
que na solidão chora por te ouvir dizer pra mim
que iria esquecer tudo que dissemos por amor.
me deixou aqui sofrendo essa amarga e inevitável dor.
triste conclusão na qual eu escuto a tua voz,
me gritando que acabou o que havia entre nós.
arrancou de mim a esperança de um dia enxergar
um futuro onde vejo teu olhar azul a me guiar,
uma chama de felicidade que possa me alegrar,
pois estou esperando um milagre que faça você voltar...
*de algum dia triste de 2004.
tenho um coração que amargura esse céu sem fim.
tolo sem razão, chora por te ouvir dizer pra mim
que não iria mais aguentar.
triste ilusão na qual escuto a tua voz
sussurando que nunca iria acabar,
que nós pra sempre iriamos nos amar,
mas isso... acabou.
tenho um coração que amargura esse céu sem fim.
que na solidão chora por te ouvir dizer pra mim
que iria esquecer tudo que dissemos por amor.
me deixou aqui sofrendo essa amarga e inevitável dor.
naquele dia que você jurou que o amor jamais acabaria e que
ao meu lado você queria acordar, e eu seria a calmaria para as tuas
tempestades de silêncio e lágrimas que insistiam tanto em percorrer
teu rosto pálido que era refletido num espelho ao anoitecer.
mas você se cansou de ouvir as palavras que eu ficava a dizer,
e agora eu não mais respiro pois ao teu lado nunca mais vou viver.
tenho um coração que amargura esse céu sem fim.
que na solidão chora por te ouvir dizer pra mim
que iria esquecer tudo que dissemos por amor.
me deixou aqui sofrendo essa amarga e inevitável dor.
triste conclusão na qual eu escuto a tua voz,
me gritando que acabou o que havia entre nós.
arrancou de mim a esperança de um dia enxergar
um futuro onde vejo teu olhar azul a me guiar,
uma chama de felicidade que possa me alegrar,
pois estou esperando um milagre que faça você voltar...
*de algum dia triste de 2004.