essa é a parte onde as coisas começam a se desfazer. a décima versão dos dias do ano mais confuso dentre 30 outros, com exceção talvez do primeiro. a sensação de aprendizado constante com base em adversidades, só que com cortes mais profundos e calos resistentes, que trazem mais força ao impacto, e um rebote mais brusco ainda.
me volta à memória ladrilhos quebrados, sangue pisado, luz por entre folhas de grandes árvores, cinzas e um amargo ironicamente familiar.
quase quinze anos depois, voltei a dançar o colapso.
quarta-feira, maio 09, 2018
dezoito, pt. IX
cada vez mais, passos no escuro. e aos poucos eu aprendo a apreciar a venda e só andar.
segunda-feira, maio 07, 2018
dezoito, pt. VIII
de tantos medos e receios superados, o medo do escuro continua fechando uma parede de angústia em torno do meu peito, noite após noite. porém essa semana trouxe uma luz diferente, vinda de dentro, algo que lembrava vagamente uma esperança que, ainda que tímida e longe, me deixou dormir em paz sozinho pela primeira vez em meses.
e demorou só um dia pra que a parede apagasse a luz mais uma vez.
e demorou só um dia pra que a parede apagasse a luz mais uma vez.
dezoito, pt. VII
seis meses depois os dias continuavam sem um contorno definido enquanto um sem número de ruas escuras me atravessavam rapidamente, o som alto sempre agressivo e todo borrão de luz que passava se misturava com o próximo, perdendo a definição enquanto eu me perdia cada vez mais. respirei fundo mais vezes do que pude contar, suspirei onde coube suspirar, e senti o peso de cobertas e quartos vazios até os braços cansarem. e me perguntava: o que vem a seguir? quanto tempo mais a precisão me escapará por entre os dedos enquanto meus pés correm em piloto automático?
pois parece que a cada pisada, o chão cede mais e mais.