terça-feira, agosto 21, 2007

desfecho

suas pétalas jaziam sombrias sobre a mesa, onde pouco a pouco seu perfume se esvaía, se misturando com o ar. em vão, minhas lágrimas personificavam um último sopro de esperança. com aquela flor, morria também meu coração. morria a beleza que fora tirada de seu éden. morria o espírito de um romântico.

segunda-feira, agosto 13, 2007

hotel

o ambiente inebriante do salão ofuscava a todos os presentes, hipnotizados pelo cheiro do mogno estalante. a lareira, cintilante, aquecia os braços dados que lutavam contra o gélido ar daquele inverno que intimidava. lábios cálidos se tocavam, quase que sacramente, enquanto o morno do vapor exalado fazia os corpos se deleitarem em calafrios. a luz, quase ausente, lançava à penumbra toda uma nação de almas que sobreviviam implorando ao conhaque por um toque de ardor. de longe, o vento apenas se dava o direito de uivar, já que o rosto impenetrável das paredes de madeira guardava aqueles corpos inertes ao oceano de neve à sua volta, alimentado pelo choro branco dos céus.