quarta-feira, dezembro 27, 2006

orange notebook chronicles, pt IX

não há daqui saídas para o olhar
janelas claras para fugir do então
onde não há mais teu sorriso a me guiar
sem trilhos por ti deixados ao relento
apenas marcas de uma chuva de verão

.

e quando o vento encontrar o teu olhar
trazendo o cheiro de nossas madrugadas
e o sussurrar do rádio quase mudo
ao qual dançavamos sem nos preocupar
com futuros ou páginas à virar
o mundo sumia aos nossos pés

domingo, dezembro 03, 2006

guardanapos na mesa

o som passava por entre seus cabelos
e ela se movia entre as pessoas
com os braços soltos como quem não queria nada
a luz baixa a trazia à tona
enquanto copos rodavam sobre a mesa
intermitentes os feixes por entre o vidro

ao que sussurros percorriam o salão
quietos cobrindo ruídos aqui e gritos ali
faziam brotar sorrisos nos quadros pendurados
molduras suadas na parede só olhavam
a garota que dançava ao som do blues

desajeitada, ela nem se importava
com os saltos em seus dedos, pulava
carros seguiam firme na avenida sem parar
e a garota dançava ao som do blues

mas então o dia raiou estridente
e todos os pássaros cantaram de repente
as luzes se apagaram num piscar de olhos

a música se calou friamente
e foi tomado o torpor contente
da garota que dançou ao som do blues

terça-feira, novembro 14, 2006

ante o tempo, pt I

por andei nesses dias em que a
brisa sopra me trazendo certas memórias
diante de avenidas pude ver eu e você
apenas crianças correndo lado a lado
levantando poças sem nem perceber que

ante o tempo a vida sempre foge a nossos braços
e levando consigo a velha intensidade
que parece ser tomada a cada passo
nos deixando sem ter pra onde correr

então te sinto respirar perto de mim
desejando que os dias fossem assim
sem ponteiros nem correntes pra prender
meus pés no chão... e porque não?
flutuar por entre estrelas junto a ti

e quando lembro os dias que não voltam mais
aqueles dias que eu corria sem ter que olhar pra trás
deitava e do banco assistia o mundo que girava
tendo a ilusão de que seria sempre fácil te encontrar
em corredores ou esquinas, ignorava que

ante o tempo a vida sempre foge a nossos braços
e levando consigo a velha intensidade
que parece ser tomada a cada passo
nos deixando sem ter pra onde correr

então te sinto respirar perto de mim
desejando que os dias fossem assim
sem ponteiros nem correntes pra prender
meus pés no chão... e porque não?
flutuar por entre estrelas junto a ti

e porque não correr pra longe as vezes sem olhar pra trás?
reviver o doce gosto em dias que não voltam mais
correr pelos campos velhos de olhos fechados, sem pensar...

sobre a cidade e idéias

até onde devo ir para entender os motivos
razões pelas quais eu fujo procurando calmarias?
até que ponto devo olhar para o céu
contemplando o azul e procurando nas nuvens
um motivo para servir?

e se o sol queima nossos olhos?
e se tropeçamos sempre nos fios que
puxam a moeda para a boca do lobo?
seremos nós atraídos pelos dentes
ou o branco de olhos amigos nos farão
acordar e evitar o falecimento das idéias?
por que correr?

vejo com olhos cansados os cantos cinzas
e os gigantes que brotam do chão...
vejo um teto não-familiar a esmagar
as bolhas de sabão e felicidade que
crianças vendadas e caladas sonham em
lançar ao céu

então, para ti deixo um conselho
de um velho garoto marcado por
silenciosas batalhas interiores e doloridas
vindo de um cintilante pensamento,
deixo à você a máxima de uma
procura infindável bem sucedida.

SONHE;

SEJA FELIZ; VIVA.

orange notebook chronicles, pt VIII

te olhei a admirar o céu
eu procurava entender a vida e saber porque

perdi tudo ao perder você
as nuvens nunca mais foram as mesmas sem as tuas mãos

e tudo foi lançado ao ar...

orange notebook chronicles, pt VII

nunca
vão fechar os cortes que você abriu
e os olhos fracos nessa noite de verão
imploravam por um caminho a seguir
pra quem olhar, a quem abrir
a porta que segura a fonte de papel

orange notebook chronicles, pt VI

você sabe, o mundo, caminha rumo ao fim
e as escolhas parecerão certas assim que
for vencido o muro, ego interior (e os laços feitos)
superarem as ruínas erguidas (e em pouco tempo)
deixará de existir a essência do medo

orange notebook chronicles, pt V

me diz porque a estrada tem esse gosto
de te dizer adeus e não querer
amarga a boca toda vez que largo
tuas mãos e subo em carros cheios de vontades
ouço tuas palavras a ecoar por ares

e depois...
me volta a imagem de nós dois
andando pelas nuvens
e depois...
me voltam as lembranças de nós dois
de braços dados...

orange notebook chronicles, pt IV

o que eu faço? quando meus braços não te acalmam
o que eu penso? quando eu te vejo chorar
e as palavras já não bastam e não há o que fazer
se não encarar a sombra que se crava ao seu redor

o que eu grito? quando nossos olhos se perdem
o que eu faço? quando te vejo num lugar
longe do alcance dessas asas que criei pra te ninar
e espantar todas as feras que tentassem te atacar

e eu sei...

orange notebook chronicles, pt III

me diz pra que nós temos tanta pressa
de viver as coisa que temos que saborear
e o tempo disse que é mentira
e corremos ao som da cidade
sem nem olhar pra trás e ver
que estamos deixando de viver
e passam os anos - sem saber porque
apenas voamos entre as torres sem
nem procurar um chão...

terça-feira, setembro 05, 2006

podia ter sido um dia comum

mas não foi, e depois de todo aquele tempo provaram-se (mais uma vez) todas as certezas que já tinhamos, e todo o futuro que acreditavamos pareceu mais e mais certo de acontecer. mais uma vez, a tarde transformava-se em sonho, tudo ganhava um aspecto surreal. e os nossos olhos se encontravam e palavras não precisavam ser ditas para entender tudo o que se passava. mas elas insistiam em surgir de nossos lábios. e agora, elas surgiam de meus dedos com vontade;

sábado, agosto 19, 2006

orange notebook chronicles, pt II

jogado aos cantos de uma balsa que, ora vive, ora tira a vida dos pequenos seres esquálidos que aqui terminaram por um amor maior que o que se entendia por vaso do coração, e levava todos pela mais deslumbrante das quedas que, por consequência, também o mais doloroso dos impactos. e por mais catástrofe, mais estilhaçado que a alma se encontre ao final, o sentimento da queda faz valer qualquer dor futura.

orange notebook chronicles, pt I

será que é tolice desejar cada minuto?

estou certo em contar as horas ou sou empírico demais ao ver que paredes se contraem e o tempo se acelera para minha tormenta?

e as contradições do sentido que falha na percepção do real coabitam com a incerteza da reciprocidade da total devoção do pensamento platônico.

então por um segundo no qual as bordas desaparecem, assim como exergou sofia, fico a deriva de postais e lágrimas.

os letreiros diziam "siga em frente" mas tudo se retorcia conforme eu caminhava.

de repente o mundo se perdeu em uma eterna onda de poeira que os ventos levantaram e tudo se tornara apenas um.

sexta-feira, agosto 04, 2006

another stairway

um corpo cansado repousava solenemente
o vento entrava pelas escadarias,
e tudo passava rápido demais.

o garoto passou pelas grades e olhou pro alto
;
e viu um rosto desenhado por entre as nuvens.




sorriu.
o garoto caminhou até um banco,
deitou-se e encarou o céu
por mais alguns instantes.

mas quando os olhos se encontravam
dentre todos que passavam
apenas dois tinham cor por entre a calçada cinza e suja.

quarta-feira, julho 12, 2006

i m o b i l l e

passos largos já não cobriam a distancia desejada
então ele começou a correr por entre as sombras
o ar faltava aos pulmões, e o verde iluminava
a todos que passavam por aquela rua

os poucos raios de luz atravessavam portões
de ferro pintados de marromescuro
o folego já era inexistente quando
as sirenes passaram num piscar de olhos

e ele viu todos os momentos passando por
seus olhos, e aquele nome tão familiar
volta à sua boca, como um ultimo suspiro
antes de fechar os olhos sob o vermelho

e a luz da manhã voltou, trazendo coisas
que não esperava ver tão cedo quanto
tinham surgido, e as mensagens que
passavam já não eram queridas

a raiva veio com as palavras
amargas e fazendo doer os ouvidos
e tudo o que esse corpo mais guardava
cinzas e mais cinzas



quis correr, mas suas pernas não mais respondiam.
quis gritar, mas sua garganta não mais vibrava.
quis viver, mas seu coração não mais batia.

apenas os olhos se moviam para apreciar o funeral a sua volta.

domingo, junho 25, 2006

nostalgia, dois anos foram muito pouco

nostalgia.

quero sentir o vento batendo em meu rosto.
quero externar sentimentos em notas novamente.
quero berrar até não ter mais pulmões.
quero gritar aos sete ventos tudo que me importa.

quero a chama acesa novamente.


nostalgia... um desejo consumindo.
as mãos se movem sozinha. o corpo dança do jeito que bem entender.

a música, tomando conta.




eu quero, sim.

quinta-feira, junho 22, 2006

yeux bruns et sourires

ele acordou e ficou encarando o teto...

o sol batia em seu rosto e a manhã cantava dizendo que seria mais um dia como o último e coisa parecida, mas pensou que talvez fosse impressão. pessoas preocupadas ao redor, mas continuava sem pestanejar. cabeça voltada pro chão, e apenas seguia e seguia. ruas e ruas passadas, deu de cara com um prédio, e ficou observando.


aí, quando ela passou pelo portão, deram-se as mãos e esperaram abraçados. o sol os admirava, e ele, de olhos fechados, sorria pois agora a manhã realmente dizia o que ele esperava.



o relógio deu três voltas desde então...



apagaram-se as luzes, mas o o que se seguia não fazia diferença. como vapor, deixou-se ir, leve. momentos, sorrisos, sensações, acenderam-se as luzes, mas mantinha-se o calor.



duas voltas e o mundo havia parado.


ninguém no mundo percebeu, nenhum carro se moveu, nenhum ponteiro girou. mas aqueles dois corações batiam no mesmo rítmo, à três eternidades assim se mantinham.





mantinham-se também os sorrisos...


pois era fato que outras eternidades certamente viriam.

sexta-feira, junho 02, 2006

frio demais para chorar

na vida tudo passa procurando entender por que ou quando ou sempre alguma coisa a mais
crescer e aceitar começa a ser um padrão de todos aqueles que desistiram de continuar andando por aí com a cabeça levantada, procurando novidades ou coisa parecida.
você nunca cresce ou nunca envelhece, dançando entre as colunas da cidade, olhando o céu, procurandoprocurandoprocurando saída pra sua cabeça poder explodir em paz, num quartinho abafado, com pombos desfilando pela janela.

aí você acha a vida um saco, quer fugir, correr, seja pra onde for, mas sempre dá de cara com portas pesadas de acrílico, naquele impasse de ver o que tá do outro lado mas não consegue atravessar.

"i'm tired of screwin' up, tired of going down,
tired of myself, tired of this town."

segunda-feira, maio 08, 2006

cerchio del fuoco

os dias mais escuros
aqueles que te deixam aturdido
dando a impressão de que
é mais um dia morto
secos, frios, apenas

de dentro de um poço
olhava pra cima
almeijava voar
rumo à luz, sem saber
se era um sonho
aconchegante visão de paz

os olhos ardiam mesmo sob a água

a camada de fogo abria rachaduras
num corpo prostrado, incapaz de lutar
orgulhoso demais para fugir

travou sua luta durante séculos
procurando achar aquilo que jazia
debaixo de seus pés cansados

sábado, maio 06, 2006

de quando a água e a areia gritaram em uníssono

desde a primeira vez eu soube que se tratava de algo diferente, como uma batalha sendo travada em meu interior, uma batalha sem frio, sem mortes, sem armas nem gritos. era uma batalha íntima, um conflito no mais profundo abismo da consciência.

o diferencial entre ficar calado e começar uma cadeia de rupturas, entre observar o penhasco ou se atirar rindo do que poderia acontecer após a queda. de longe, eu os via, meus dois lados, as opções, uma na forma de um bebê, com uma aura branca ao seu redor. a outra, materializada na forma de um mendigo sujo e fétido, como se escondesse carne putrefada debaixo do casaco, e dos olhos dele uma luz vermelhacordesangue emanava assustadoramente.

o embate de olhares e pensamentos emitia uma onda de calor intensa, resultado do choque entre forças tão poderosas.

os dois lados da balança, yin e yang, o controle e o impulso.

e ao olhar no fundo dos olhos eu sabia que aquele abismo me aguardava desde sempre, e que, por maior que fosse a queda, lá embaixo me aguardava o bilhete para um lugar melhor.

e como uma cachoeira desabando sobre um copo frágil de cristal, tudo se estilhaçou em minúsculos fragmentos de papel amarelado.

lembranças doces de uma queda deslumbrante.

sexta-feira, abril 21, 2006

pedaços de um anoitecer cadente

me deixe esquecer todos aqueles problemas e caminhos espinhosos, pois apenas quero respirar sem ter que encher os pulmões de sangue e marcas de derrota.

só quero poder voar como os pássaros refletidos, pois o peso do céu esmaga, e eu sei que em algum lugar existe um teto não hostil.



.



voltar pra casa, há tanto a resolver, mas o vento não mais move minhas velas, que um dia foram içadas com esperança e um pouco de necessidade de novos ares.

no entanto, agora me sufoca o balançar das velas, sempre, sempre, sempre olhando a droga do teto, mesmo quando as estrelas que sempre me trouxeram paz e lembranças doces parecem me estilhaçar em milhares e milhares de pequenos pedaços de uma alma quebrada e com saudade.

terça-feira, março 14, 2006

de sonhos e horizontes, pt I

mais uma vez, ao deitar, esticava os braços por debaixo do travesseiro e imaginava como seria se eles te sentissem ao meu lado, como as noites seriam mais felizes e os sonhos mais doces.

e ela alçou vôo, foi feliz pelo céu, e eu era suas asas.

.


por entre as nuvens, cada vez mais alto

.

eu sei que eu vou sonhar
e por favor, não tente me acordar
pois eu sei que o vazio é maior
nesse lugar onde eu finquei meus pés
por favor não solte das minhas mãos
pois você sempre me faz voar
não quero nunca mais voltar pro chão

.

pois cada vez mais o horizonte se confundia, até onde a vista alcançava...

.

era lindo, um lugar onde nós nunca haviamos pisado, e ao mesmo tempo tão aconchegante. um sonho.

.

e eu sabia, que por mais que o sono insistisse, o tanto que eu pensava em você hoje não me deixaria dormir.

.

então, de mãos dadas, cruzamos as ilhas flutuantes, onde engrenagens giravam, e tudo tinha uma tonalidade azul-turquesa, e olhares e sorrisos bastavam para que entendessemos que o amor estava ali, impregnado no ar, em nossos corpos, em tudo.

.

nós dois, como nós dois. simples.

.

-sim, esse lugar é nosso.
-mas, só nosso mesmo?
-claro, ninguém vai atrapalhar nossa felicidade aqui.
-esse é o lugar com o qual você havia sonhado?
-não sei ao certo, mas enquanto eu estiver com você ao meu lado, qualquer lugar será o lugar perfeito.

.

para sempre.

quarta-feira, março 01, 2006

sobre uma espada quebrada

vagando por entre os cardumes de névoa, via um rosto novamente, claro como a lua, mergulhado nas águas turvas do lago dos desencontros, perdido, pedindo informação pros vagalumes que viajavam sem se preocupar com muita coisa, na verdade sem se preocupar com nada além de seguir a luz, luzluz brilhante e cintilante, beijava o vagalume e o impedia de ver tudo desmoronando à sua volta.

o coreto e o castelinho já haviam virado pó, nem ruinas sobraram para completar a paisagem, havia um imenso nada, e o lago. de joelhos na beira do lago e a espada em punho, a qual acertara o chão em um momento de raiva, provocando fagulhas e assustando os vagalumes, agora só sabiam provocar desgosto de sua pessoa, que havia se tornado algo que sempre odiara: um solitário, a remoer todas as cicatrizes e marcas com as quais o passado lhe marcara.

e tudo que fazia era gritar, desesperado, mas o castelo caiu, a princesa fugiu, e em desalento, ele pereceu.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

dois passos pro lado, em falso no ar

não saber pra onde a estrada de mármore vai me levando, mas hoje me sinto flutuar pelos paralelepípedos brancomarrom, ou pelas rodas que movem a cidade, ou mesmo ao leito, admirando de novo o teto, ao som de berros e melodias cálidas, batidas e mais batidas invadindo o quarto e adoçando meus ouvidos, que mesmo dormindo eu sentia a presença daquela aura aconchegante.

as plantas me faziam sentir e sentir, e ao menor toque, eu estava a dançar de novo, a valsa não tão solitária.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

sombra projetada no concreto, lembranças

tudo o que passou ou que me fez acreditar que um dia a poesia ia virar vida ou vice versa me fez ver brotarem os postes do chão, enquanto abraços curavam ressacas, entre álcool e lágrimas, sorrisos e pensamentos jogados ao vento enquanto o amanhecer dava as caras por entre as barras da janela. porque pensei que acabaria, no fim, a dor de saber que entre uma e outra música, havia uma voz quase muda me pedindo pra continuar, e eu que pensava que as palavras que formavam as frases tinham algum sentido, quebrei a cara por ve-las espalhadas, seja numa sopa ou no chão, refletidas no teto que descia ao subsolo, onde alguém, sentado num canto, ouvia e cantava uma melodia doce, mas que junto das lembranças, ardia demais e demais.

e os postes chegavam mais e mais perto do céu.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

outra noite

no final das contas, apenas mais um dia havia se passado desde as últimas conversas, os últimos olhares, mas a falta já aparentava estar ali há anos, e ao olhar pros lados eu percebia que não havia mais ninguém além de mim no quarto, e que já havia amanhecido. eu pensava que tinha ficado semanas jogado no chão do quarto sem comer e sem sair, sem ver ninguém, mas foram apenas as horas da madrugada longe do computador, com o estômago revirado, e o suor escorrendo. já beirava o delírio, vendo sombras me rodeando ou coisa que o valha, que haviam me deixado petrificado. de repente, um raio de luz veio pela janela, e a porta do quarto se abriu. ela entrou sorrateiramente e deitou-se ao meu lado. perguntou-me porque isso, a raiva, a mágoa, eu disse que já estava cansado de sofrer, de sonhar em vão, então que veio o primeiro soluço. ela me acalentou em seu colo, e ficamos ali por mais algumas horas, que pareciam décadas. ela dizia que o mundo não era feio, que parecia feio, mas com a direção certa ele pareceria um lugar melhor, coisa que para mim era impossível. então, ao toque suave dos lábios, a escuridão foi deixando pouco a pouco aquele quarto, e tudo parecia tão diferente, tão novo, tão simples... todo um novo mundo ao meu alcance, que sumiu ao ver a palavra pintada na tela, e ao sentir o cobertor gelado cobrindo meu corpo. apenas pedia para voltar, mas não adiantava mais. então foi buscar consolo em seus sonhos, ao menos era uma forma de rever tudo aquilo que foi perdido entre os olhos.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

na calçada

por quantas vezes mais o telefone vai tocar
sem que você me deixasse dizer as mesmas palavras
de que não me importava mas no fundo eu mentia
nós dois sabiamos desde a primeira vez

voltar pra casa agora me pareceria tão
covarde mas era o que mais me cabia
que o meio fio sabia que ia ser assim
de tantas vezes que já me viu sussurar teu nome

eu só queria poder te encontrar por aí
e sem querer dizer que eu fugi mais uma vez
das coisas que me tiravam o sono
assuntos emaranhados nas ondas da televisão

e cravadas na madeira de um dia a mais
me retornaram à mente as letras
que negavam o que eu berrava pela janela
em outro daqueles momentos de raiva

e não sei mais, pra que lado correr
e não sei mais, aonde me esconder
e não sei mais, porque fui me perder
e não sei mais...

segunda-feira, janeiro 23, 2006

zenite

por você, dá-se o início e o fim de mim.
por você, dá-se a felicidade e a tristeza em meu ser.
por você, faz-se flores onde só haviam trevas.
por você, apenas você, que canta em meus lábios as palavras mais doces.
por você, apenas você, que dá em meus olhos o mais deslumbrante fitar.
por você, meu paraíso, meu inferno.
por você, meu ascender, minha ruína.
por você, apenas você.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

pale moon, burning sky

olha pra cima e confirme a sentença

olha pros lados e perceba o sozinho

olhe pra si mesmo e ature o vazio

olhe pra suas mãos, sujas de terra

ouça a grama te dizendo que acabou

sofra

sofra

sofra

afinal o mundo está acabando

e as borboletas pararam seus vôos

sexta-feira, janeiro 06, 2006

destroços

os olhares cada vez mais se perdiam no meio da neblina, e acabaram por findar afastadas aquelas lágrimas que outrora foram uma.

os toques que se faziam sentir um ao outro se desvaneceram, ou ficaram frios, ou apenas se desencontraram no tempo.

os sussurros não se faziam ouvir como antes, sobrepostos pelos gemidos de amarga boca sangrada.


no meio de fumaças, perdi você de vista, para sempre. mesmo que passasse a eternidade a procurar, você já não existia.

era apenas...


lembrança.

terça-feira, janeiro 03, 2006

help me here, i'm drowning

escrever é algo mais complexo do que eu podia imaginar. é como se esquecer como se anda de bicicleta. eu escrevi durante 17 anos e meio e agora não sei mais como fazer isso, nada me agrada mais, nada me satisfaz, não me parece mais atrativo. simplesmente, acabou a mágica que saia dos dedos e do coração ao mesmo tempo, como uma amnésia seletiva. cauterizou meu cérebro bem no neurônio da criatividade. e agora eu fico à deriva no mar de palavras, onde um dia eu naveguei tão... facilmente.

morte do espírito criativo, dói.





não saem mais músicas ;

não saem mais textos ;

não saem mais pensamentos ;

não saem mais linhas ;

não saem mais palavras ;

não saem mais ;

não saem ;

não ;

n;

;

domingo, janeiro 01, 2006

feelingsx

retrato
lembrança
doces lembranças
dias e dias
nós
sempre
desde sempre
eu e você
e por ae vai.


mesmo que
apenas as vezes
de vez em quando
sei lá


ah, sentimentos
acontecem coisas assim
falar de amor as vezes


coisa e tal
as vezes
só sei
que eu amo
amor é algo
não concreto
você apenas sabe
ninguém fala
licença, você tá amando


não sei


fica pra depois
a conclusão
desses pensamentos