quarta-feira, novembro 07, 2018

you are my angel

dear maria, i never thought that angels were real until i met you. you came from a hurricane of bitter nights to shine a light over our hazy heads and bring us joy in all of our hard times. and for you, we grow and glow, and make way to be better people after all. and i swear that i'll be looking after you until i fade away (and after, and ever). i swear that i'll never gonna let you down, 'cause you, my angel, you brought me up with every smile. i hope you understand one day that some things are not meant to stay, and even if the ties are cut short, we'll never lose our sacred bond. and i swear that i'll be caring even when we're far apart, even if i'm not around anymore. i swear to be true to you until the end, because my angel, you are my best friend. my miracle, my soul, my love, my child.

gasoline

i remember the silence after the stroke, and it sounded like the eye of a storm. so long ago we said that it would never come to this, but now this is all we are, just fragments of a story that got shattered so far beyond repair that we can't even recognize ourselves anymore. we swore, we fought, we failed, we tried. we laughed, we planted, we died, for what? now all i see is a ruined castle, burnt memories and a unknow road ahead. at least there's still fuel to go, and every day is a mile less, and your image on the mirror is getting smaller by the hour.

quarta-feira, outubro 17, 2018

dezoito, pt. XIII

essa é a parte onde me faltam forças pra pensar, e o frenesi do pensamento vai sendo aos poucos afogado pelo cansaço acumulado e pelas milhares de noites mal dormidas de um ano onde eu só queria fugir da angústia e do escuro. aos poucos vou cedendo, e enquanto os pensamentos começam a se tornar abstratos o contorno do que eu acreditava ser embaça, desfoca, e eu sinto como se fosse um ponto suspenso no meu quarto, sem dimensão, sem corpo nem forma, apenas um ponto em um breu surdo, tão perto de mim mesmo que mal dá pra ver o início ou o fim, mas ao mesmo tempo tão distante que tocar algo dentro de quem sou parece residir a um universo de distância.

e enfim, dormir.

dezoito, pt. XII

insônia;
café;
ansiedade;
café;
preguiça;
café;
tédio;
café;
desânimo;
café;
insegurança;
café;
nervoso;
café;
café;
café.

já sei o que vai acabar me matando no fim das contas.

terça-feira, outubro 09, 2018

dezoito, pt. XI

as costas doloridas e o décimo copo de café já se tornaram uma constante. já faz pouco mais de um ano que as coisas começaram a sair do controle (talvez nunca tenha existido controle, afinal), e ainda encaro escombros espalhados pela sala. escombros que só eu consigo ver, que só eu acabo por tropeçar. um ano... é espantoso como as coisas podem mudar de uma hora pra outra, sem avisar, sem esperar, e sem perdoar. mudanças. e apesar das superações conquistadas, que não foram poucas, a vida (ou o que posso chamar de vida) continua despersonificada pra mim, continua sem pertencimento nem familiaridade, e ainda que hoje eu tenha mais calma, felicidade, e uma certa tranquilidade, a ressaca de uma onda gigante que levou embora tudo que eu conhecia como 'eu' deixou um fosso gigante, difícil de enxergar ao certo por dentro, onde a visão embaça e tudo parece um borrão escuro, tão ameaçador quanto impassível. e tão grande quanto minha bagunça.

a sensação de não saber quem sou, que antes soava como uma aventura, um convite para descobrir o quão longe eu poderia chegar, hoje divide espaço com o medo de talvez nunca me encontrar, de talvez nunca conseguir ter algo novo que eu possa chamar de 'minha vida', uma nova vida a ser plantada, pra criar um significado diferente de outra que já foi incinerada. e mesmo com medo, continuo, sigo, procurando um lugar onde jogar a semente de um novo começo pra o que eu talvez venha a ser um dia. já que o que deixei pra trás foi enterrado tão fundo que raízes novas não conseguiriam tocar aquilo que já fui.

ainda bem.

quarta-feira, maio 09, 2018

dezoito, pt. X

essa é a parte onde as coisas começam a se desfazer. a décima versão dos dias do ano mais confuso dentre 30 outros, com exceção talvez do primeiro. a sensação de aprendizado constante com base em adversidades, só que com cortes mais profundos e calos resistentes, que trazem mais força ao impacto, e um rebote mais brusco ainda.

me volta à memória ladrilhos quebrados, sangue pisado, luz por entre folhas de grandes árvores, cinzas e um amargo ironicamente familiar.

quase quinze anos depois, voltei a dançar o colapso.

dezoito, pt. IX

cada vez mais, passos no escuro. e aos poucos eu aprendo a apreciar a venda e só andar.

segunda-feira, maio 07, 2018

dezoito, pt. VIII

de tantos medos e receios superados, o medo do escuro continua fechando uma parede de angústia em torno do meu peito, noite após noite. porém essa semana trouxe uma luz diferente, vinda de dentro, algo que lembrava vagamente uma esperança que, ainda que tímida e longe, me deixou dormir em paz sozinho pela primeira vez em meses.

e demorou só um dia pra que a parede apagasse a luz mais uma vez.

dezoito, pt. VII

seis meses depois os dias continuavam sem um contorno definido enquanto um sem número de ruas escuras me atravessavam rapidamente, o som alto sempre agressivo e todo borrão de luz que passava se misturava com o próximo, perdendo a definição enquanto eu me perdia cada vez mais. respirei fundo mais vezes do que pude contar, suspirei onde coube suspirar, e senti o peso de cobertas e quartos vazios até os braços cansarem. e me perguntava: o que vem a seguir? quanto tempo mais a precisão me escapará por entre os dedos enquanto meus pés correm em piloto automático?

pois parece que a cada pisada, o chão cede mais e mais.


quarta-feira, março 28, 2018

dezoito, pt. VI

a cada nota, um passo. a cada passo, um susto. a cada susto, um batimento perdido. e a cada batimento perdido, perco também uma parte de mim.

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

dezoito, pt. V

a c o r d e i   d e n t r o   d e   u m   s o n h o .

terça-feira, fevereiro 06, 2018

dezoito, pt. IV

mais um dia onde o vício gritava, e eu cedia a uma loucura inesperada. não pensar, não pensar, apenas viver, sentir, tudo novo, de novo. andava pelos corredores e vitrines sentindo pulsar na ponta dos dedos, e aos poucos fazer sentido deixava de fazer sentido. sentindo, tudo se encaixava. pensando, a mágica parecia menos sobrenatural. me contento então com a sincronia, me contento com o inesperado, pois não há como ter algo melhor que isso a se esperar agora.

não há nada além do agora, e tudo o que mais ainda virá.

segunda-feira, janeiro 29, 2018

dezoito, pt. III

olhei pela janela e vi a chuva se aproximando. raios riscavam os céus e iluminavam a sala, agora só com a tela do computador à vista. me perguntava como havia voltado no tempo sem sair do sofá, enquanto meus braços sentiam todos os anos que haviam passado em silêncio. havia uma tensão no ar, quase visível, que me arrastava pra perto enquanto me afastava da realidade, e não houve saída, não houve alternativa. o som ecoava pelas paredes vazias, mas não havia nada a ser ouvido, apenas sentir de novo o cheiro de chuva como se não fosse outra década, outro tempo, outra vida.

sexta-feira, janeiro 19, 2018

dezoito, pt. II

com o coração apertado, encarei a prateleira cheia de livros mas não conseguia distinguir nenhum título. as lágrimas foram embora tão rápido quanto elas vieram, e o sono já começava a distorcer meus pensamentos ao ponto de eu mal ter conseguido entrar no chuveiro, desviando o olhar ao passar pelo espelho com medo de me encarar. a água anestesiava meu corpo mas não alcançava minha alma, que inquieta não me deixava concentrar em nada. não sei bem quanto tempo fiquei ali, olhando para os azulejos. lá fora amanhecia, e ao me arrastar para a cama, vi alguém parado no corredor, distante, olhando os livros, tentando distinguir os títulos.

fechei a porta do banheiro atrás de nós dois, e enquanto a manhã me carregava pra um falso descanso, deixei meu caos se encarando no espelho, cada vez mais difuso, cada vez mais disforme, mas cada vez mais definitivo.

segunda-feira, janeiro 15, 2018

dezoito, pt. I

algo me dizia que seria um ano diferente. ouvi de longe os fogos de artifício queimando no horizonte da cidade toda enquanto olhava ao redor. amigos presentes, abraços, e meus olhos cansados encarando uma outra pessoa no reflexo de uma janela, alguém que eu havia me tornado de maneira traumaticamente abrupta, porém ainda sim alguém. quinze pras três, e saí cantando pneus em uma são paulo completamente vazia, de vidros abertos e som no máximo. gritei, gritei e gritei, mas não me encontrei. não completamente. eu ainda era só cacos, poeira e azedo, apesar de um pouco menos disperso agora que já me acostumava com a ideia de que deixei algo além de mim mesmo pra trás naquela virada de ano, de hora, de minuto, de vida.

deixei pra trás o medo de viver.