terça-feira, maio 29, 2007

entre correntes

mais um problema que atingiu sem avisar
algumas brigas e em pouco tempo tudo mudou
várias perguntas que navegam por um mar
de incertezas quando tudo que queria é sumir


todas as coisas que te causam dor de
cabeça não saem daqui
e gritar parece não adiantar pra
espantar o que está pra explodir


nessas horas em que tudo
cai aos seus pés, apenas dance
como se não existisse ou não preferisse
o mundo como era antes
deixe fluir, pro mais longe ir
cante por entre o ar

quinta-feira, maio 10, 2007

blurried finale

duas horas da manhã e o vento entrava cortante pela janela do sétimo andar esfriando ainda mais o corpo do garoto que tremia incessante em sua cama, gritando porquês e verdades que só faziam sentido para ele mesmo. as luzes lá fora pareciam se voltar contra seus olhos que já ardiam demais, e as lágrimas salgadas não paravam de aparecer.

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um telefone toca como que ensaiado, assutando o gato que deitava ao lado da estante. numas poucas palavras encontravam-se tanto seu remédio quanto seu veneno. e o mundo começara a girar...

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olhos fitavam atônitos um indivíduo vazio jogado num canto, dando murros na parede, acreditando que a dor física amenizaria o corte emocional feito em seu peito. "parece não adiantar", pensava o teto, "dessa vez as coisas foram longe demais".

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gotas de sangue e licor se misturavam no chão, tingindo o carpete com um toque pessoal de angústia.

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cinco e meia da manhã e o garoto desejava que o sol não nascesse, queria permanecer na escuridão, quem sabe até o fim do mundo não seria mais agradável. "quanto egoísmo...", pensou, enquanto se aproximava das grades... o silêncio da madrugada parecia crescer e o envolver.

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seis e meia da manhã, o barulho era interminável e parecia querer estourar sua cabeça por dentro. "fios, fios, malditos fios". de volta àquele teto estranho, ouvia contagens, puxava lembranças, enquanto a luz ia se tornando mais fraca.

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"dessa vez as coisas foram longe demais", disse. "oito e vinte da manhã".

terça-feira, maio 08, 2007

quadra de inverno

olhares pela vidraça embaçada
onde dedos criavam corações
que faziam brotar de novo
lembranças misturadas no vapor

aquelas chaleiras molhadas
chamavam por bocas gélidas
buscando calor em outras
ou em xícaras de café

e os versos se lançavam no ar
de encontro aos ouvidos de quem
enfrentaria qualquer tempestade
em busca de um abraço a mais