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quinta-feira, janeiro 30, 2020

thoughts of a loser, act VIII - life repeats itself

a vida se repete. é incrível a capacidade de, independente do quanto a gente se esforce tentando evoluir, acabamos nos sentindo presos no mesmo lugar, mesmo que tudo pareça diferente. parece que algo em nossa essência traça alguns caminhos inevitáveis que ficamos trilhando repetidamente, ainda que pisemos em outros ladrilhos de mãos dadas com outras pessoas. minha fé me diz que são coisas que preciso passar para aprender o que preciso aprender, mas eu já caminhei por tanto tempo no mesmo barro que não consigo enxergar qual lição preciso tirar disso tudo, de novo, e de novo, e de novo.

e de novo, perdi de vista o que me protegia de mim mesmo.
então, que seja assim.

quarta-feira, abril 29, 2015

thoughts of a loser, act VII - empty frames, blank pages, cold evenings

eu me lembro bem de praticamente tudo que vivi e cada pedaço de mim que deixei pelos cantos, com uma mistura de confiança, consideração e carinho. eu sempre tentei fazer tudo da maneira mais sincera e intensa que me era permitida, e sempre colhi bons frutos desse jeito de lidar com tudo, sem medo de me quebrar, sem medo de me entregar, vivendo mil dias por ano. sempre foi minha essência, e moldou demais tudo que posso reconhecer que sou hoje em dia, mesmo com tantas páginas em branco por ter escrito um livro rápido demais.

mas hoje eu parei pra me perguntar, 'e se eu tivesse feito diferente?', e junto com essa pergunta, mais outras mil vieram. 'e se eu tivesse dormido direito esses anos todos?', 'e se eu tivesse sido mais reservado?', 'e se eu tivesse me preocupado mais?', 'e se eu tivesse me levado mais a sério?', 'e se eu tivesse deixado meus sonhos de lado pra viver algo mais estável?', entre tantas outras, e no fundo a pergunta principal que norteia todas elas era 'e se eu tivesse feito diferente, será que eu estaria onde estou hoje?'. e por alguns segundos, me senti em uma moldura vazia, procurando por tinta onde eu sei que não há nada.

sei que é uma perda de tempo me preocupar com o que poderia ter sido e não foi, ou não deveria ter sido e foi assim mesmo, mas hoje em especial essa pergunta reverbera forte no meu peito confuso, com uma leve sensação de que haviam caminhos mais seguros pra trilhar, tardes menos frias pra assistir, e mesmo ciente de que não há pra mim um jeito diferente de ser que não seja a 300km por hora, poderia ter sido um passeio devagar, prestando mais atenção em todas as árvores que passaram como um borrão pela minha janela.

quinta-feira, novembro 19, 2009

thoughts of a loser, act VI - wake up call

depois de passos cada vez mais incertos, vôos alçados sem muita direção e alguns tropeços repentinos, o desanimo se tornou novamente um piso comum. nos últimos tempos me peguei por vezes sentado, olhando o céu, me perguntando o que estava acontecendo, sem uma resposta conclusiva, e sem a mínima vontade de me levantar e caminhar, como se estivessem acimentando meu corpo.

mas pior do que o cimento, é o conformismo.

a aceitação de que tudo está assim porque é assim, e não há muito o que eu possa fazer para resolver isso. falta algo, sempre faltou, eu sempre senti isso, e além desse algo transcender minha vontade de mudar, sua falta vem se tornando cada vez mais latente, criando uma calmaria e me deixando à deriva num recorte de infinitas águas por todos os lados.

eu sei, não é como se minha vida estivesse inteira de pontacabeça, nem como se nada estivesse dando certo. tem muitas coisas boas acontecendo, mas é triste ver que, mesmo sabendo o quão boas certas coisas são, e sim, poderão ser ainda mais, eu acabo ficando apático, mesmo me esforçando para expulsar essa névoa preta de dentro do meu corpo.

já se passaram anos desde que a sensação de falta começou. e por vezes eu cheguei a me sentir completamente preenchido. pelo menos foi o que pareceu. mas agora, isso me parece distante demais. pelo menos é o que parece.


pra ser bem sincero, já não sei de quase mais nada. sei pouco sobre algumas coisas que eu quero, que me importam, mas já não tento adivinhar o futuro. tudo parece um grande sono profundo, sonhado em sépia e com a música de fundo bem baixinha.


mas realmente acredito, que uma hora o telefone vai tocar, e eu vou acordar. e nessa hora, não vai me faltar mais nada.

terça-feira, julho 21, 2009

thoughts of a loser, act V - sun shine on

tem dias que o sol bate tão forte em minha janela que eu quase consigo entender o porque de eu existir. dias como esse, como tantos outros que eu tive, principalmente quando trabalhava em um prédio sentado de frente para a janela e uma paisagem sem fim, com árvores banhadas pela manhã e o cheiro forte do café tomando conta da sala, dias que me fazem querer sair sem rumo e caminhar por horas sentindo que o frio do começo do inverno não consegue tirar a maestria da luz se levantando preguiçosa rumo ao ponto mais alto que nossos olhares alcançam para depois tornar a deitar-se e deixar-nos com a sensação de que somos abençoados simplesmente por existir, poder sentir e contemplar a pulsação da vida em cada folha de árvore nascendo, cada passo dado e cada palavra cantada.

segunda-feira, outubro 31, 2005

thoughts of a loser, act IV - depression acts, fallen warriors, lost moods

vazio.








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quem almeija felicidade, prima pela enorme esperança e persistência. esses, que se acreditam e consideram felizes, irradiam o seu estado de espírito, lançando-o aos sete ventos.

eu, já fui, ou sou assim. mas onde foi parar meu estado de espírito? tanto tempo para conseguir encontrar um pouco de equilíbrio, no final das contas um espectro do pretérito (que está mais pra gerúndio) sentou junto à bomba, e a pena saiu voando.
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doce ironia, agora uma situação inversa.
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arrependimento mata?

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(silêncio)


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de repente, assustado, eu olho pro lado. ouvi uma voz, chamar. parecia a voz daquela pessoa, mas não podia ser, não a essa hora, não nesse lugar. mas era, e eu é que estava perdido.

lugar errado, hora errada, pessoa errada. vida errada.

fogo saindo dos becos, latas queimando, fumaça me atrapalha a ver essa terra destruida. esse horizonte já se fez tão presente...


e por vezes e vezes eu quis sumir, voltar ou mesmo consertar. mas não deu, juro, não deu, não tinha como. e agora eu queimo, queimo, queimo. meu coração se desfez.



por apenas mais uma vez.
contar as estrelas me salvaria
desse fim.

terça-feira, julho 12, 2005

thoughts of a loser, act III - outside lies another ceiling larger than yours

tá, sua vida agora monocroma os dias de inverno da cidade que já é cinza, e cada vez mais você fica surdo. o teto ainda ri de você, as paredes continuam te encarando, a rotina de sempre. então, você resolve mudar. vai até a rua, respira um pouco, pega um ônibus pra lugar nenhum tentando achar o diferencial que completaria essa patética existência feita de coca cola e palavras choradas. o ônibus então chega ao ponto final.

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você se viu naquele lugar onde todos parecem hostis, ninguém conhecido por perto, e te bate aquela secura na garganta. ah, precisa de alguma coisa para beber. então você bate à porta de um bar, senta e observa à tua volta. pessoas, vivendo a vida sem se preocupar, trabalhando, fofocando ou paquerando. algumas até se beijam. os bêbados viram mais uma caneca de cerveja sem se importar se aquele garoto cuja vida vai ficando cada vez mais trêmula está a beira do delírio olhando sua garrafa ou não. eles apenas bebem, e se divertem. então, você vê que aquele bar foi apenas a fuga das pessoas do mundo lá fora.

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senta na calçada enquanto os ônibus passam em sua correria rotineira. todo mundo tem rotina, até ônibus tem rotina, então porque a sua te incomoda tanto? de repente, uma revoada de pombos passa sobre sua cabeça, e te faz olhar novamente pra cima. dessa vez, não é o seu teto, mas sim o sol, que te queima o rosto ao invés de dar risada de suas atitudes. as nuvens brancas continuam passando como se você não estivesse olhando. até elas tem rotina, e você continua incomodado.

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desce as escadas e encontra o colo da mãe que te leva pra casa. o vento bate com força, gela, mas você continua, afinal você nunca viu graça em andar sozinho por ai, seus pensamentos são previsíveis, não é como conversar com outra pessoa. então, já deitado em seu leito, ela começa a se mover, e você adormece ao som daquela melodia que vem debaixo da terra. então você acorda em um outro lugar.

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desce, mas ao invés de ir ao outro lado pra retomar seu caminho de casa, volta a superfície pra tentar achar algum sentido nos dias longos que vem passando. ora, foi apenas uma estação que você passou, e já que se encontra naquele lugar onde todos vão para procurar alguma coisa, porque não tentar achar o tal diferencial? mas então, você caminha, e no meio daquela multidão se encontra sozinho, como se todos a sua volta tivessem parado no tempo, e você, preso na estaticidade do limbo. sua cabeça gira, então você resolve voltar pra casa e deixar as estátuas para trás.

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de volta àquele mesmo ônibus de sempre, até já marcado com tinta por você, sempre do lado esquerdo no ultimo assento. e é para lá que você se dirige, e fica remoendo esse dia que por mais inútil que tenha sido, te consola sabendo que ele está quase no fim, e que o próximo pode ser diferente. você, já sem forças, encosta a cabeça e tenta dormir para esquecer tudo isso, e percebe que talvez esse diferencial pode nem existir.

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de volta ao lar, alguém lhe diz que o telefone tocara, e alguém havia perguntado por você. o nome, ninguém se lembra. então você se questiona se há algo melhor pra fazer do que dormir, e também se não é hora de desistir de achar o sentido. mas, o telefone toca de novo, e dessa vez é você que atende. e se dá conta de que o diferencial pode estar mais perto do que você pensa, e que talvez já o tenha achado sem perceber.

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volta, dorme, sorri. afinal, os dias não param nem que você realmente queira. mas, será que essa procura épica finalmente encontrou seu final feliz ali onde as pombas dormem? só vivendo pra descobrir se amanhã será mesmo um lindo dia.

sexta-feira, junho 17, 2005

thoughts of a loser, act II - and the years pass, but the heart remains the same

eu tou ficando velho, eu sei. dezessete e poucos anos, é estranho, me sinto com quinze ainda, mas isso é o de menos. o que importa não é a idade em si, mas a transformação que isso causa. a partir mais ou menos dessa idade, já somos considerados adultos. homens. e isso me leva à seguinte pergunta: será que eu já tou velho demais pra chorar?

peguei aquele cartão de aniversário guardado no fundo da gaveta, aquele único que eu recebi, aquele que mesmo se tivesse no meio de milhares, continuaria sendo o mais importante. aquele que ela me mandou.

eu chorei lendo pois me lembrei que a alguns dias era diferente. chorei pelo "te amo" que eu li naquele cartão, chorei de felicidade também pois lembrei que ela sempre vai estar lá pra se preocupar comigo. chorei por tanta coisa que nem consigo lembrar. resumindo, chorei por ela. é estranho, hoje ser desse jeito.

não sei se foi melhor assim, mas a decisão não foi minha. nem entendi porque num foi tudo diferente, porque não correu tudo bem.

é a vida, sempre pregando peças, e fazendo parecer que desceu uma nuvem negra sobre a minha cabeça. e cada ano que passa, tenho mais certeza que é ela que eu quero, que é ela que eu amo. e a cada dia que passa, mesmo tão perto, me sinto cada vez mais distante dos sonhos que eu já tive.

sábado, maio 28, 2005

thoughts of a loser, act I - of when you realize that love is different than what you saw on tv

o que eu faço, quando tudo parece desmoronar, quando tudo parece cair, quando tudo parece sumir, quando minha vida parece estar mais do que errada?
o que fazer quando minha cabeça está para explodir, e nada mais faz sentido, pois as poucas coisas que me importam não parecem se importar?

"i get nothing and in return you get it all, i give my life for you, that's how we play the game."

quando parece que deus traçou meu plano de vida usando uma régua velha e uma grafite sem ponta, numa folha rasgada. quando tudo gira e meus olhos já não acompanham mais o movimento. quando os pensamentos sobregarregam minha mente. quando meus olhos ardem e não dá mais pra fechá-los.

"even known i tried, i can't get my head around you"

ou quando não entendo nada minha volta, quando não entendo quem está a minha volta, quando a lógica perde o sentido, quando comportamentos não justificam atos, quando as pessoas já não mais se importam, quando a vida vai ficando previsível, o que fazer?

"me diz o que você quer de mim, me diz porque tem que ser assim."

e quando tudo parece ali pra me machucar? quando me dou conta de que está acontecendo de novo? quando percebo que eu preciso de certas coisas? quando dói no peito ver que o esforço foi inútil?

"i think i'm paranoid."

as vezes isso é apenas papo de um garoto cheio de suas mainas e seus pensamentos absurdos. mas quando eu vou descobrir se é verdade ou é só ilusão?

"never gonna find me."

porque sempre parece que tá errado? porque sempre parece estar estranho? porque sempre parece que nunca tenho importância? porque eu fico com tudo isso na cabeça?

"i got pictures on my mind."

um jogo de sete erros com a realidade. alguns deles sem importância. mas um ou outro fazendo toda a diferença. essa imagem, parece tão real, tão próxima, será que é isso que me faz pensar em tudo?

"start living like i'm still alive, one dream at a time."

um sonho de cada vez. preciso mesmo aprender essa lição. e termino o primeiro ato da minha auto-análise com uma frase que seria muito bom apreneder também.

"i gotta learn how to fall before i learn how to fly."

eu voei e caí, pela segunda vez sem aprender como me preparar para o próximo tombo.
só espero que eu não caia de novo, do fundo do coração.