segunda-feira, dezembro 19, 2011
boavista (03/11/11)
o som rolava alto aquela coletânea dos stones que eu curto tanto, nove horas da manhã e eu já me atirava na avenida dos bandeirantes, cortando caminhões solitários e grandes jipes de janelas escuras e placas nobres, e parecia que naquele dia em especial todos os faróis da cidade resolveram colaborar, pois a cada pisada, verde e mais verde. minha ansiedade subia conforme os quilômetros diminuíam, e quando percebi, já estava no meio da marginal pinheiros, janelas e sorriso abertos, as árvores ao lado da pista passando como borrões, e quando percebi a voz na caixinha já informava a próxima saída, e eu podia ver ao longe o pontudo monumento da bandeira indicando o começo da estrada, e em segundos, via em meu retrovisor a metrópole e sua confusão alucinada ficando para trás, enquanto à minha frente se abria o caminho para a calmaria nos braços dela. faixas, pedágios, pontes, as músicas iam dando o tom à paisagem, os morros, as casas, paradas e lanchonetes na beira da estrada, sempre convidativas, e eu olhava o relógio com um frio na barriga indescritível. campinas crescia diante do meu parachoque, e o disco acabou bem à tempo de estacionar o carro na frente da casa rosa, buzinar e esperar minha felicidade abrir o portão.
de volta (01/11/11)
ele desceu as escadas correndo, invadido por aquela sensação clausura. ainda de meias, alcançou a calçada e respirou fundo por alguns segundos, e olhou para cima. ela olhava da janela, com os olhos inchados, enquanto os dele permaneciam perplexos. as primeiras horas da manhã eram denunciadas por uma luz rubra bem fraca, coberta pelos tantos prédios que ocupavam o horizonte. era demais para a sua cabeça. como anos de convivência poderiam ter corroído um amor que já era tão natural, tão deles? ao vê-la colocar sua mão na janela, e dizer com todas as letras, ‘me desculpa’, ele começou a correr, sem saber para onde. apenas corria, desnorteado, derrubando lixeiras e caixas de papelão pelo caminho. chegou à doutor arnaldo já completamente sem fôlego, e sentou-se na muretinha do ponto de ônibus. pensava em cada vez que deixou de dizer o que sentia, cada sinal que deixou passar, de que ele deveria ter sido mais dela e menos seu, cada noite em que estava cansado demais para ouvir havia sido o dia dela, e levando as mãos ao rosto, pediu por mais uma chance. uma, duas, cinco vezes gritou, ‘eu quero você de volta’, sem perceber que ela havia dobrado a esquina, ainda de chinelos. ela caminhou lentamente e sentou-se ao seu lado, e passou seu braço em volta dele. ‘sabe’, disse, ‘as coisas poderiam ter sido diferentes. talvez melhores, sim. mas fomos eu e você, e isso que importou esse tempo todo.’ ele levantou a cabeça, e esboçou uma resposta, mas ela continuou. ‘e no momento em que eu vi você correndo pra longe, percebi que independente do quão difícil seja às vezes, ainda é melhor do que não sermos eu e você’. o primeiro ônibus da manhã passou pelo ponto, e seus passageiros olharam silenciosos aquele casal, ainda de chinelo e meias, ele sorrindo e ela deitada em seu colo. e tão rápido como veio, o ônibus partiu, deixando para trás um punhado de fumaça e esperança.
acordar (31/10/11)
o cansaço era enorme, mas nossa vontade de andar por aí era maior ainda. já havia escurecido quando subimos rasgando a rebouças, olhos nos olhos, respiração acelerada, corações inquietos. curva, reta, rampa, desligo o motor. ‘aceita cartão sim, chefe’, e partimos. subimos o espiral de mãos dadas e aí a noite começa. poucas coisas fazem tanto sentido quanto a gente ali, eu, você e a vida, caminhando pelo palco chamado paulista. tanta coisa para se ver, tantas sensações para experimentar, e tantas lembranças a criar, seja a cara engraçada que alguém fez quando passou por nós, o livro que nos despertou a atenção ou a felicidade que sentimos quando se manifesta nossa incrível sintonia que nos faz pensar, dizer e querer beijar ao mesmo tempo. tudo isso, cultivado pelas luzes que nunca se apagam, possibilidades, planos e sorrisos. e quando as portas começam a descer, pegamos o caminho de casa. as horas passam e a gente nem vê, e é tão bom assim, viver uma semana no tempo de um dia, que quando chega a hora de dormir, a gente sente como nos conhecêssemos desde sempre. e realmente, tudo que eu preciso é ter você aqui. e é quando eu durmo e acordo do teu lado que parece que essa canção fala sobre mim.
mais um minuto (28/10/11)
eram três horas da tarde daquele sábado chuvoso, embora parecesse mais cedo. devido ao trânsito, cada minuto parecia passar mais rápido que o anterior, para o desespero da garota que estava atrasada. ‘justo hoje, justo hoje essa chuva, esse atraso’, pensava, inquieta no banco do ônibus. lembrou da mensagem que recebeu na noite passada, apertou o telefone contra o peito, e desejou que os carros no caminho simplesmente explodissem. três e quinze, seu tênis branco estava encharcado, e seu cabelo levemente despenteado. ela encarou seu reflexo na janela e riu de si mesma, imaginando que provavelmente, ele também riria. ‘desajeitadamente linda’. era parte da mensagem que ele havia mandado, dizendo para se encontrarem em frente ao MASP às três e meia, exatos três meses depois de darem seu primeiro beijo ali, sentados no murinho. o farol abria, mas o ônibus não andava. ‘sortudas as pessoas de guarda-chuva cruzando a rua’. três e vinte, e ainda faltavam uns bons 5 quarteirões, ‘não quero me atrasar, quero estar ali esperando na hora em que ele aparecer, quero ver olhos dele procurando os meus’, e o ônibus encarava fechadas, faróis, mas não saia do lugar. então ela fechou os olhos, e repetiu com toda a vontade que poderia conseguir reunir naquele momento, ‘desejo chegar logo, desejo chegar logo, desejo chegar logo’. abriu os olhos bem devagar, como quem esperava um milagre, e por pouco não perdeu a chance de vê-lo atravessando a rua ao lado do ônibus, que finalmente havia entrado em um corredor e embalava pela avenida sem ninguém à frente. deu o sinal, bem à tempo de descer dos ônibus direto nos braços dele, dessa vez agradecendo cada segundo de atraso que maravilhosamente haviam entrado em seu caminho.
quarta-feira, julho 27, 2011
when my heart misses a beat
e eu imagino, daqui a alguns anos, o telefone tocando, 'amor, vou pedir pizza pra gente, daqui a quanto tempo você chega?', começando mais uma noite daquele futuro que eu tanto sonhei, e sei que finalmente consegui torná-lo alcançável, mais uma daquelas noites em que eu estaciono o carro, subo as escadas apressado, abro a porta e sou recebido por abraços e beijos da guria que me virou o mundo de cabeça pra baixo de uma forma tão intensa e bela que foi caminho sem volta, e ouço a música no fundo descrevendo nossa realidade, 'all i need is to have you here', e meu coração perde o ritmo e acelera quando sinto seu perfume, e o interfone toca e apressado ainda com o crachá pendurado no pescoço eu desço novamente as escadas até a portaria, e ao voltar encontro um copo de chá e os lábios mais doces do mundo me esperando, e enquanto os pedaços são cortados a fumaça sobe quente na sala, sorrisos denunciando o sentir, o amar, o viver, o amor, presente em cada segundo, em cada verso e em cada toque, que esquenta a alma e preenche o vazio que me matava, e agora me mata de vontade, de saudade a cada instante de distância, mesmo que em pensamento seja sempre, sempre presente, e entrelaço os dedos nos teus enquanto caímos no sofá, a música anunciava seu fim e nosso começo, porque você se tornou o começo do que há de melhor em mim, e do futuro mais perfeito que eu poderia vislumbrar, pois sei que no fim do dia, os olhares vão se cruzar e vão dizer palavras tão sinceras como as que eu digo hoje.
quinta-feira, julho 21, 2011
saúde
deixe estar que tudo uma hora vai se acertar
mesmo que o tempo pareça longo demais,
a vontade é de verdade, e o amor também,
e isso ninguém vai tirar de nós
deixe estar que a confusão uma hora vai embora,
mesmo que o tempo pareça estar perdido
há tão pouco pra se preocupar
agora que o ônibus das nove já passou
sei que também soa como surpresa pra você,
nos ver parados aqui sem nem saber o que dizer
não vou negar que não torci pra te encontrar por acaso,
mesmo sabendo que hoje, o acaso não é o melhor pra nós dois
e quem somos nós pra decidir
quando viver, quando sorrir?
e quem vai me dizer
que a hora não é essa,
e que o lugar não é aqui?
então vem, me conta sobre o seu dia,
que a minha hora preferida é a de te ouvir
mesmo que diga, 'são só amenidades',
significa o mundo pra mim
e nada vai mudar essa sensação que invade
cada vez que o ponto passa
só pra gente ficar mais um pouco aqui
e quem somos nós pra decidir
quando viver, quando sorrir?
e quem vai me dizer
que a hora não é essa,
e que o lugar não é aqui?
e quem vai lembrar
de te contar as novidades
de te acordar fazendo graça
sem se importar se é certo ou não?
tente adivinhar
mesmo que o tempo pareça longo demais,
a vontade é de verdade, e o amor também,
e isso ninguém vai tirar de nós
deixe estar que a confusão uma hora vai embora,
mesmo que o tempo pareça estar perdido
há tão pouco pra se preocupar
agora que o ônibus das nove já passou
sei que também soa como surpresa pra você,
nos ver parados aqui sem nem saber o que dizer
não vou negar que não torci pra te encontrar por acaso,
mesmo sabendo que hoje, o acaso não é o melhor pra nós dois
e quem somos nós pra decidir
quando viver, quando sorrir?
e quem vai me dizer
que a hora não é essa,
e que o lugar não é aqui?
então vem, me conta sobre o seu dia,
que a minha hora preferida é a de te ouvir
mesmo que diga, 'são só amenidades',
significa o mundo pra mim
e nada vai mudar essa sensação que invade
cada vez que o ponto passa
só pra gente ficar mais um pouco aqui
e quem somos nós pra decidir
quando viver, quando sorrir?
e quem vai me dizer
que a hora não é essa,
e que o lugar não é aqui?
e quem vai lembrar
de te contar as novidades
de te acordar fazendo graça
sem se importar se é certo ou não?
tente adivinhar
segunda-feira, julho 04, 2011
dezprastrês
para o tempo. acordei sem saber onde estava, e por alguns segundos, a realidade desafiou meu pensamento. paredes, teto, armário. tudo estava ali, intocado, como se nem um dia houvesse acabado desde aquele último suspiro. respiro. e suspiro novamente. por quê? achei que essa herança já havia me abandonado. 'mas não, meus demônios não me deixam mais', ecoava ironicamente a canção. vacilei por alguns minutos enquanto os olhos se acostumavam à claridade que aos poucos ia entrando no quarto, e por um momento consegui reconhecer aquelas arestas, tão redundantes. um calafrio percorreu meu corpo, forte o suficiente para que eu acordasse num sobressalto. era madrugada, e meu velho amigo teto me encarava com uma risada cínica no rosto e um conselho sábio:
virei pro lado, assassinei meus receios e voltei a dormir.
virei pro lado, assassinei meus receios e voltei a dormir.
terça-feira, junho 21, 2011
cat heaven
a chuva começava a apertar, forçando as pessoas a se abrigarem onde podiam. sentado em um banco, ele ligou o som mais o alto que seus fones poderiam aguentar. ainda faltavam alguns minutos de caminhada até a garagem onde havia deixado seu carro, e embalado pelo som, deixou-se perder em devaneios. já estava ali a muito tempo olhando as gotas caindo torrencialmente, quando de repente alguém sentou-se do seu lado. discretamente pausou a música, bem a tempo de ouvi-la dizer 'que chuva, não?' apressadamente enquanto tentava inutilmente secar o cabelo. 'desse jeito eu não chego em casa ainda hoje', e mesmo reclamando, sorria. ele não disse nada, apesar de fitar intrigado os olhos dela. eram os olhos mais bonitos e profundos que havia visto. ela ainda falava quando ele puxou de sua mochila uma blusa que não estava usando e a estendeu à garota. 'pode secar o cabelo com isso', disse. e foi no momento que ela agarrou o agasalho que seus dedos se tocaram pela primeira vez. ela sorriu, enquanto ele, encabulado, puxou a mão junto ao corpo, quase como se pedisse desculpas. ela então secou o cabelo, e devolveu-lhe a blusa agradecida. e tão rápido como chegou, desapareceu em meio a pessoas apressadas, sob um guarda-chuva aos pedaços. ele ficou parado, olhando para a blusa por mais alguns minutos, e por mais que acreditasse que seria a última vez que veria aqueles olhos, algo dentro dele havia mudado, como se aquele toque de dedos tivesse deixado uma marca em sua pele, e estranhando essa sensação que para ele era uma grande e desconhecida novidade, resolveu andar até seu carro de uma vez por todas, sem se importar com a chuva que continuava a castigar aqueles que se arriscavam a cruzar as ruas a pé. atravessou grupos de pessoas amontoadas debaixo de toldos e árvores, esbarrou em algumas pessoas dando carona às outras em mais e mais guarda-chuvas que agora povoavam a cidade como se fossem os verdadeiros habitantes, até chegar à garagem, ensopado dos pés à cabeça. sentou-se em um banquinho próximo à vaga onde havia estacionado, e percebeu que seu coração estava acelerado, e que a imagem daqueles olhos não lhe saia da cabeça. afastou esses pensamentos e levantou-se em direção ao carro.
deu a partida e ligou o som, e ao começar a andar, percebeu um outro carro vindo em sua direção, e mesmo pisando no freio, não conseguiu evitar uma colisão, mesmo que leve. refeito do susto, abriu a porta do carro, fazendo com que sua música ecoasse por todo o estacionamento. 'uma blusa na chuva e uma batida de carro, belo jeito da gente entrar na vida um do outro, não?', disse a garota rindo, enquanto a música narrava o momento. algumas horas depois, ele se encontrava fitando aqueles mesmos olhos em uma mesa de café a alguns quilômetros dali, com dois copos quentes e um prato de madeleines. foi então que ele, distraído pelo fato da mesma música que tocava no carro na hora da batida ter começado a tocar no rádio do café, estendeu a mão para pegar um doce ao mesmo tempo que ela, fazendo com que os dedos se encontrassem novamente, mas dessa vez, ela havia segurado sua mão, o que o fez corar e prender a respiração. 'eu também adoro essa música', disse, e quando os lábios se tocaram, o último pensamento dele foram os versos daquela música, que rapidamente desvaneceram para que aquela mesma sensação de antes, agora muito mais intensa, preenchesse seus sentidos com um formigamento que nunca havia experimentado antes.
everything we saw
was beautiful and strong,
and i knew we belonged
deu a partida e ligou o som, e ao começar a andar, percebeu um outro carro vindo em sua direção, e mesmo pisando no freio, não conseguiu evitar uma colisão, mesmo que leve. refeito do susto, abriu a porta do carro, fazendo com que sua música ecoasse por todo o estacionamento. 'uma blusa na chuva e uma batida de carro, belo jeito da gente entrar na vida um do outro, não?', disse a garota rindo, enquanto a música narrava o momento. algumas horas depois, ele se encontrava fitando aqueles mesmos olhos em uma mesa de café a alguns quilômetros dali, com dois copos quentes e um prato de madeleines. foi então que ele, distraído pelo fato da mesma música que tocava no carro na hora da batida ter começado a tocar no rádio do café, estendeu a mão para pegar um doce ao mesmo tempo que ela, fazendo com que os dedos se encontrassem novamente, mas dessa vez, ela havia segurado sua mão, o que o fez corar e prender a respiração. 'eu também adoro essa música', disse, e quando os lábios se tocaram, o último pensamento dele foram os versos daquela música, que rapidamente desvaneceram para que aquela mesma sensação de antes, agora muito mais intensa, preenchesse seus sentidos com um formigamento que nunca havia experimentado antes.
everything we saw
was beautiful and strong,
and i knew we belonged
segunda-feira, junho 20, 2011
que nunca se apaga (22/02/08)
quero sair, quero fugir, quero sumir.
ver a noite cair, ver o sol surgir.
esquecer de mundo, esquecer de tudo.
quero seu abraço, quero seu cansaço.
dançar a noite toda, eu quero que se foda.
eu quero a vida, eu quero a batida.
eu quero a luz.
ver a noite cair, ver o sol surgir.
esquecer de mundo, esquecer de tudo.
quero seu abraço, quero seu cansaço.
dançar a noite toda, eu quero que se foda.
eu quero a vida, eu quero a batida.
eu quero a luz.
sábado, junho 18, 2011
the dangers of standing still
então, com um súbito clarão, seu porto explodiu. de dentro de seu navio, podia ver os destroços. livre de inimigos, tudo que restou era uma baía deserta. então, desorientado e com medo do mar, ele aportou e sentou-se na areia.
e ali ficou, conformado com seu futuro. não soube bem quanto tempo havia passado, ou quantas pessoas passaram por ele, e comentaram sobre 'o lindo porto que antes lançava suas luzes ao mar'.
seu conforto, saber que estava a salvo em terra firme. sem um farol, não fazia sentido. sentindo? não. era o medo da possibilidade. medo da chance do naufrágio, e pior, medo de ancorar novamente em um porto, só para tê-lo arrancado de seus pés novamente. medo... da mudança. insegurança.
de onde estava, sentia-se satisfeito com a mesma paisagem nula. era melhor assim, inerte. contemplava as pessoas que passavam. apenas passavam.
...até que ouviu o mar chamando.
e num lampejo de coragem, içou sua âncora, e atirou seu navio contra as ondas.
e qual foi sua surpresa, ao cruzar conhecidas milhas e descobrir um porto ainda mais belo, e ainda mais seguro...
quarta-feira, junho 01, 2011
valentine
uma cabana. uma cadeira de balanço, e nessa cadeira um caderno com versos incompletos, como se alguém tivesse saído dali às pressas. na sala de estar, um violão descansava em uma parede, com as cordas ainda quentes de tantos acordes arrancados. na cozinha, um copo de café soltava fumaça enquanto seu aroma lentamente preenchia a casa. o forno a lenha ainda estava aceso, mas já dava sinais de que o vento gelado não tardaria por apagá-lo. no quarto, a lareira crepitava, pequenas fagulhas se espalhavam pelo chão do quarto. o calor de dois corpos grudados fazia o contraste perfeito com o frio que cercava a casa. suor e sorrisos. beijos e olhares. e do lado de fora, aos fundos da casa, uma rede aguardava preguiçosamente para abraçar o casal, enquanto seu cachorro dormia alheio à tudo junto à cerca do quintal.
sexta-feira, maio 27, 2011
terça-feira, maio 24, 2011
pattern against user
ouvia os fracos tiques de seu relógio de pulso ressoarem pelo silêncio do quarto como grandes sinos de uma igreja. já estava acordado a mais ou menos meia hora, mas ainda não tinha juntado coragem de se levantar. pouco a pouco os eventos da noite anterior lhe voltavam à mente, como peças de um quebra-cabeça sem fim. ele decidiu se vestir e ir beber algo. arrumou o cobertor por cima dos ombros dela com cuidado e caminhou até a cozinha, atrás de um gole de refrigerante, e no caminho quase pisou na cachorra que mais parecia uma almofada negra e peluda, dormindo esparramada no chão. refrescou sua garganta e ao voltar, ouviu uma voz suave vindo debaixo do cobertor, perguntando que horas eram. 'quatro e meia, dorme que ainda tá cedo pra levantar', e com um beijo na testa, colocou ela pra dormir novamente, e deitou-se ao seu lado, contemplando os contornos do teto no escuro.
.
os ouvidos zuniam alto, mas tinha valido a pena. ouvir aqueles acordes e gritar junto cada refrão, era o que o mantinha vivo. no caminho, discussões, mas dessa vez ele não tinha culpa. de cara fechada, os dois subiram a avenida de ônibus sem trocar nenhuma palavra, e ao chegar no metrô, a pergunta. 'você não gosta mais de mim, não é?'. 'para com isso', respondia, 'é claro que gosto, foi só uma briga. eu peço desculpas, tá bom? eu não devia ter gritado também', disse. e os ânimos começaram a acalmar, e ao chegar em sua estação, as mãos dadas já denunciavam que seria uma noite em que o carinho que sentiam um pelo outro faria com que eles esquecessem os arranhões ganhados mais cedo. os olhos inquietos dele percorriam o rosto dela ainda em espanto, a cada vez que ele se lembrava do caminho que percorreram até aquele momento. 'às vezes eu acho que vou acordar e você vai desaparecer, sabia?', dizia. já de madrugada, uma sensação de 'já vivi esse momento antes' assolava o ambiente. olhou pro lado, e viu a garota repousando com uma expressão angelical em seu rosto. 'você foi o melhor presente que eu já ganhei', sussurrou em seu ouvido. levantou-se e foi até a geladeira buscar um pouco de refrigerante, mas preferiu beber água, pra variar.
.
a dor de cabeça já estava eliminando qualquer tentativa de acertar as coisas. observava as lágrimas brotando de seu rosto e tentava entender o motivo de tanto desconforto. por fim, o cansaço se abateu e os dois cederam, se abraçaram, e resolveram ir pra casa. 'não sei quando aconteceu, mas eu endureci por dentro', pensava. não conseguia se lembrar de quando foi que as coisas mudaram tão drasticamente, só sabia que agora era assim, duro. 'se fosse em outros carnavais, eu teria gritado menos e ouvido mais'. apenas se sentia aliviado por ser mais uma discussão findada. chegaram ao apartamento e foram dormir sem demora. um beijo estranho de boa noite fechou aquele dia, e ela adormeceu com aquele dia latejando no peito. ele se levantou em silêncio, foi até a cozinha e por um momento, jurava ter visto o vulto daquela cachorra que não estava mais entre eles, mas foi apenas impressão. 'sombras', disse pra si mesmo. abriu a geladeira e tomou o resto do chá verde que restava na garrafa. voltou pra cama no mesmo silêncio em que levantara. virou-se pro lado e falou um 'boa noite' que doeu pra sair, cuja resposta ficou suspensa no ar.
.
desligou o motor e recostou seu corpo no banco. ficou assim, parado, por alguns minutos. apenas o barulho do portão automático se fazia presente. juntou suas coisas e fechou a porta, correndo pra pegar o elevador que estava parado no andar. entrou em casa e deitou-se na cama, sem nem tirar o tênis. o teto, fracamente iluminado pela televisão, fazia um teatro de cores e sombras que o fizeram se desligar da vida por alguns instantes. 'o passado parece tão mais distante agora', repetia. virou-se pro lado e ocupou a cama toda, na diagonal, e fitou a parede ao seu lado. e no fundo, se sentia agradecido por ter percorrido tantos campos, e se não se arrependia de ter feito tudo como fez, ao menos permitia que uma saudade leve o preenchesse. desligou o telefone e foi até a cozinha, encheu um copo de suco e parou diante da janela. acabara de percorrer metade da cidade, sozinho, cantando alto junto àquelas músicas que o faziam sentir mais vivo. contemplou as ruas vazias como quem vê seu futuro diante de si. então, terminou o suco e voltou pra cama, com um sorriso no rosto e uma forte intuição de que algo grande viria. viveria algo que nunca experimentara, pra talvez se tornar alguém que ele nunca foi.
.
os ouvidos zuniam alto, mas tinha valido a pena. ouvir aqueles acordes e gritar junto cada refrão, era o que o mantinha vivo. no caminho, discussões, mas dessa vez ele não tinha culpa. de cara fechada, os dois subiram a avenida de ônibus sem trocar nenhuma palavra, e ao chegar no metrô, a pergunta. 'você não gosta mais de mim, não é?'. 'para com isso', respondia, 'é claro que gosto, foi só uma briga. eu peço desculpas, tá bom? eu não devia ter gritado também', disse. e os ânimos começaram a acalmar, e ao chegar em sua estação, as mãos dadas já denunciavam que seria uma noite em que o carinho que sentiam um pelo outro faria com que eles esquecessem os arranhões ganhados mais cedo. os olhos inquietos dele percorriam o rosto dela ainda em espanto, a cada vez que ele se lembrava do caminho que percorreram até aquele momento. 'às vezes eu acho que vou acordar e você vai desaparecer, sabia?', dizia. já de madrugada, uma sensação de 'já vivi esse momento antes' assolava o ambiente. olhou pro lado, e viu a garota repousando com uma expressão angelical em seu rosto. 'você foi o melhor presente que eu já ganhei', sussurrou em seu ouvido. levantou-se e foi até a geladeira buscar um pouco de refrigerante, mas preferiu beber água, pra variar.
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a dor de cabeça já estava eliminando qualquer tentativa de acertar as coisas. observava as lágrimas brotando de seu rosto e tentava entender o motivo de tanto desconforto. por fim, o cansaço se abateu e os dois cederam, se abraçaram, e resolveram ir pra casa. 'não sei quando aconteceu, mas eu endureci por dentro', pensava. não conseguia se lembrar de quando foi que as coisas mudaram tão drasticamente, só sabia que agora era assim, duro. 'se fosse em outros carnavais, eu teria gritado menos e ouvido mais'. apenas se sentia aliviado por ser mais uma discussão findada. chegaram ao apartamento e foram dormir sem demora. um beijo estranho de boa noite fechou aquele dia, e ela adormeceu com aquele dia latejando no peito. ele se levantou em silêncio, foi até a cozinha e por um momento, jurava ter visto o vulto daquela cachorra que não estava mais entre eles, mas foi apenas impressão. 'sombras', disse pra si mesmo. abriu a geladeira e tomou o resto do chá verde que restava na garrafa. voltou pra cama no mesmo silêncio em que levantara. virou-se pro lado e falou um 'boa noite' que doeu pra sair, cuja resposta ficou suspensa no ar.
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desligou o motor e recostou seu corpo no banco. ficou assim, parado, por alguns minutos. apenas o barulho do portão automático se fazia presente. juntou suas coisas e fechou a porta, correndo pra pegar o elevador que estava parado no andar. entrou em casa e deitou-se na cama, sem nem tirar o tênis. o teto, fracamente iluminado pela televisão, fazia um teatro de cores e sombras que o fizeram se desligar da vida por alguns instantes. 'o passado parece tão mais distante agora', repetia. virou-se pro lado e ocupou a cama toda, na diagonal, e fitou a parede ao seu lado. e no fundo, se sentia agradecido por ter percorrido tantos campos, e se não se arrependia de ter feito tudo como fez, ao menos permitia que uma saudade leve o preenchesse. desligou o telefone e foi até a cozinha, encheu um copo de suco e parou diante da janela. acabara de percorrer metade da cidade, sozinho, cantando alto junto àquelas músicas que o faziam sentir mais vivo. contemplou as ruas vazias como quem vê seu futuro diante de si. então, terminou o suco e voltou pra cama, com um sorriso no rosto e uma forte intuição de que algo grande viria. viveria algo que nunca experimentara, pra talvez se tornar alguém que ele nunca foi.
segunda-feira, maio 23, 2011
just a quiet evening
'uma moeda entalada na garganta, anos a fio'. era essa a sensação que tanto transtorno deixou em uma época de sua vida, onde por mais que as cores o rodeassem, a monocromia aguardava calmamente como o recheio amargo de um doce. por mais que no cerne isso o sufocasse, em sua rotina era apenas um detalhe. 'e eu aprendi a viver com isso', dizia sempre, e por mais verdade que fosse, chega uma hora em que essas coisas simplesmente voltam. e dessa vez, voltou na forma mais agradável possível.
ao ver o envelope confirmando seus anseios, simplesmente deixou de pensar. agiu. 'é apenas uma noite silenciosa', pensou, e a cada passo, sentia a moeda tintilando dentro de si, o barulho do metal contra sua voz tirava sua calma. mesmo assim, agiu. e por um instante, a moeda vacilou no vazio, e balançava a cada vez que as peles se tocavam, que os dedos se entrelaçavam.
mas a moeda não caiu. ficou sustentada pelo receio. e por horas, ela se fez sentir, arranhando a garganta de uma forma tão viva quanto fora quando ficou presa pela primeira vez.
então, os olhos se abriram. e olhar fundo naqueles olhos fez com que a calma retornasse, e com ela, os suspiros, que se intensificavam a cada instante. não sentia mais sua garganta arder.
após tanto tempo, em um instante onde as luzes se apagaram, a moeda finalmente deslizou por entre as cordas vocais, atingindo o fundo de seu corpo com um baque surdo e pesado, seguido de um grito extasiado de alívio, que ressoou pela primeira e última vez. e enfim, o silêncio.
e mesmo não sendo, foi apenas uma noite silenciosa.
ao ver o envelope confirmando seus anseios, simplesmente deixou de pensar. agiu. 'é apenas uma noite silenciosa', pensou, e a cada passo, sentia a moeda tintilando dentro de si, o barulho do metal contra sua voz tirava sua calma. mesmo assim, agiu. e por um instante, a moeda vacilou no vazio, e balançava a cada vez que as peles se tocavam, que os dedos se entrelaçavam.
mas a moeda não caiu. ficou sustentada pelo receio. e por horas, ela se fez sentir, arranhando a garganta de uma forma tão viva quanto fora quando ficou presa pela primeira vez.
então, os olhos se abriram. e olhar fundo naqueles olhos fez com que a calma retornasse, e com ela, os suspiros, que se intensificavam a cada instante. não sentia mais sua garganta arder.
após tanto tempo, em um instante onde as luzes se apagaram, a moeda finalmente deslizou por entre as cordas vocais, atingindo o fundo de seu corpo com um baque surdo e pesado, seguido de um grito extasiado de alívio, que ressoou pela primeira e última vez. e enfim, o silêncio.
e mesmo não sendo, foi apenas uma noite silenciosa.
sexta-feira, maio 20, 2011
flutue
luzes na estrada, som de grilos e a brisa suave.
-ei, acorda. vou dar uma parada.
-hmmm... que preguiça... que horas são?
-umas quatro e alguma coisa. você tá dormindo desde umas onze.
-nossa, nem vi o tempo passar, tava tão quentinho com o cobertor aqui...
-eu sei, mas já tá quase chegando. vou só parar um pouco pra esticar as pernas. você fica linda quando acorda, sabia?
-larga de ser besta... (beija ele nos lábios suavemente)
-vou ali fora dar uma respirada e já venho. você fica aqui?
-fico sim, vai lá. (sorrindo)
'perdi o sono...'
(sai do carro)
-ei, volta lá pra dentro, tá frio aqui fora.
-vim ficar com você um pouco. (joga a coberta por cima dos dois e o abraça)
-valeu... tá uma noite bonita, não?
-é... fazia tempo que eu não via tanta estrela no céu assim.
-é, eu também.
(passam alguns minutos, os dois em silêncio)
-vamos lá pra dentro?
-uhum, tá esfriando bastante...
(entram no carro e ligam o som)
-quanto tempo faz?
-o quê?
-desde que a gente viajou juntos pela primeira vez. quando foi?
-ah, acho que a uns 4 anos atrás.
-é... foi tão do nada, nem esperava nada de mais.
-nem eu... mas aí quando ví você lá aquele dia... 'meu coração já sabia'
-é, eu também, foi inevitável... 'o meu também já'
-rá, com esse sorriso aí, como é que eu ia resistir?
-você é muito bestinha... eu tava num momento tão estranho...
-e eu saindo de um buraco, e mesmo assim, deu tudo certo!
-pois é... (troca de música)
-ei, essa é aquela frase que o gui vive citando né, o melhor está por vir!
-é, a gente acredita pra caramba nessa frase...
-ei, acorda. vou dar uma parada.
-hmmm... que preguiça... que horas são?
-umas quatro e alguma coisa. você tá dormindo desde umas onze.
-nossa, nem vi o tempo passar, tava tão quentinho com o cobertor aqui...
-eu sei, mas já tá quase chegando. vou só parar um pouco pra esticar as pernas. você fica linda quando acorda, sabia?
-larga de ser besta... (beija ele nos lábios suavemente)
-vou ali fora dar uma respirada e já venho. você fica aqui?
-fico sim, vai lá. (sorrindo)
'perdi o sono...'
(sai do carro)
-ei, volta lá pra dentro, tá frio aqui fora.
-vim ficar com você um pouco. (joga a coberta por cima dos dois e o abraça)
-valeu... tá uma noite bonita, não?
-é... fazia tempo que eu não via tanta estrela no céu assim.
-é, eu também.
(passam alguns minutos, os dois em silêncio)
-vamos lá pra dentro?
-uhum, tá esfriando bastante...
(entram no carro e ligam o som)
-quanto tempo faz?
-o quê?
-desde que a gente viajou juntos pela primeira vez. quando foi?
-ah, acho que a uns 4 anos atrás.
-é... foi tão do nada, nem esperava nada de mais.
-nem eu... mas aí quando ví você lá aquele dia... 'meu coração já sabia'
-é, eu também, foi inevitável... 'o meu também já'
-rá, com esse sorriso aí, como é que eu ia resistir?
-você é muito bestinha... eu tava num momento tão estranho...
-e eu saindo de um buraco, e mesmo assim, deu tudo certo!
-pois é... (troca de música)
-ei, essa é aquela frase que o gui vive citando né, o melhor está por vir!
-é, a gente acredita pra caramba nessa frase...
haikais, #3
cada segundo que se esvai
é um segundo a menos de vida
e um segundo a mais de experiência.
é um segundo a menos de vida
e um segundo a mais de experiência.
quarta-feira, maio 18, 2011
haikais, #2
já será tarde quando perceber
que o tecido que deslizou por suas mãos
te manteria aquecido neste inverno.
que o tecido que deslizou por suas mãos
te manteria aquecido neste inverno.
terça-feira, maio 17, 2011
this soundtrack makes me wish you were here
onze horas da noite, e o coração batia suavemente. o frio do lado de fora teimava em querer entrar, e uma fina garoa ia cobrindo aos poucos todos os vidros. e enquanto os postes iam ficando para trás, passando rapidamente como sombras pela janela fechada, ele olhava para o banco do passageiro com um carinho que não estava ali antes. 'i know, it's too late, but wait for me to turn around...'
os outros carros na avenida iam e vinham, alheios à tudo, urgentes na volta para casa. mas a música o empurrava para um lugar onde só havia ele, a melodia e o asfalto. subiu o pontilhão admirando as lâmpadas lá em cima espalhando sua luz alaranjada no concreto. 'i'm coming home, so if you're leaving, walk slow...'
ainda sentindo o perfume flutuando à sua volta, cortou a noite gelada e alguns faróis vermelhos, enquanto outra canção começava a desfilar por seus ouvidos. o carro acelerava sem muito esforço, até que a garoa resolveu virar chuva. o barulho das gotas tamborilando no capô pareciam se misturar ao som que ecoava dentro do carro. 'i'm a thrown fight in your favor, i'll do everything but listen to you now'
a chuva começou a apertar assim que virou a esquina da rua de seu prédio. viu o temporal começar a desabar enquanto entrava na garagem. antes de desligar o carro, esperou aquela última frase terminar de ser cantada. então, subiu as escadas direto para sua cama, e adormeceu enquanto relembrava aquela noite com um carinho que já se tornava familiar.
'there's an end but we don't get to choose
we can only lose
if i cried a river just for you
would you swim in it some sunny afternoon?'
os outros carros na avenida iam e vinham, alheios à tudo, urgentes na volta para casa. mas a música o empurrava para um lugar onde só havia ele, a melodia e o asfalto. subiu o pontilhão admirando as lâmpadas lá em cima espalhando sua luz alaranjada no concreto. 'i'm coming home, so if you're leaving, walk slow...'
ainda sentindo o perfume flutuando à sua volta, cortou a noite gelada e alguns faróis vermelhos, enquanto outra canção começava a desfilar por seus ouvidos. o carro acelerava sem muito esforço, até que a garoa resolveu virar chuva. o barulho das gotas tamborilando no capô pareciam se misturar ao som que ecoava dentro do carro. 'i'm a thrown fight in your favor, i'll do everything but listen to you now'
a chuva começou a apertar assim que virou a esquina da rua de seu prédio. viu o temporal começar a desabar enquanto entrava na garagem. antes de desligar o carro, esperou aquela última frase terminar de ser cantada. então, subiu as escadas direto para sua cama, e adormeceu enquanto relembrava aquela noite com um carinho que já se tornava familiar.
'there's an end but we don't get to choose
we can only lose
if i cried a river just for you
would you swim in it some sunny afternoon?'
quarta-feira, maio 11, 2011
23 anos no meio fio
mesmo com essa sensação de vazio que me permeia, desde sempre.
é como estar sentado no meio fio, olhando os carros passando na rua, sentido a brisa tocando meu rosto, e como se fosse mágica, o mundo ganha cor, a mente alça vôo e tudo parece mais simples e agradável.
depois de 23 anos, a ficha emperrada no fliperama caiu. simples assim.
boa parte de tudo que eu procurava, eu já tinha achado. a felicidade que buscava incansavelmente eu já tinha, só não tinha percebido ainda.
e mesmo agora, com outro espaço vazio por preencher, não há incerteza sobre onde pisar. meus pilares já estavam erguidos, mas só agora prendi minhas correntes. e com eles, não há medo.
daqui do meio fio, posso vislumbrar o futuro. sei bem que esse salão mais antigo ainda vai demorar muito tempo até que esteja ocupado por inteiro.
mas enquanto isso, vou me atirar em todos os corredores que aparecerem no caminho, sem receio de quebrar as paredes. na verdade, isso é o que eu mais anseio.
a queda, desmedida, sem pensar no chão.
é como estar sentado no meio fio, olhando os carros passando na rua, sentido a brisa tocando meu rosto, e como se fosse mágica, o mundo ganha cor, a mente alça vôo e tudo parece mais simples e agradável.
depois de 23 anos, a ficha emperrada no fliperama caiu. simples assim.
boa parte de tudo que eu procurava, eu já tinha achado. a felicidade que buscava incansavelmente eu já tinha, só não tinha percebido ainda.
e mesmo agora, com outro espaço vazio por preencher, não há incerteza sobre onde pisar. meus pilares já estavam erguidos, mas só agora prendi minhas correntes. e com eles, não há medo.
daqui do meio fio, posso vislumbrar o futuro. sei bem que esse salão mais antigo ainda vai demorar muito tempo até que esteja ocupado por inteiro.
mas enquanto isso, vou me atirar em todos os corredores que aparecerem no caminho, sem receio de quebrar as paredes. na verdade, isso é o que eu mais anseio.
a queda, desmedida, sem pensar no chão.
quarta-feira, abril 27, 2011
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
caixa branca
respiro hoje ares mais leves
e acho pisos mais macios
do que os que tanto calejaram meus pés
enfim, não é esse o sentido?
poder caminhar,
poder trilhar
se eu soubesse
o quanto me faria bem,
talvez tivesse trancado essa caixa antes
e crescer foi a mais valiosa conquista,
pois as paredes de mármore
eram sufocantes demais para começar,
e eu não estava pronto para impedir,
nem para ser impedido
só depois de enterrar os restos
pude reconhecer a estrada,
e nesta placa onde ergui meu forte
posso encher os pulmões
para gritar minha plenitude,
ímpar e completa
e acho pisos mais macios
do que os que tanto calejaram meus pés
enfim, não é esse o sentido?
poder caminhar,
poder trilhar
se eu soubesse
o quanto me faria bem,
talvez tivesse trancado essa caixa antes
e crescer foi a mais valiosa conquista,
pois as paredes de mármore
eram sufocantes demais para começar,
e eu não estava pronto para impedir,
nem para ser impedido
só depois de enterrar os restos
pude reconhecer a estrada,
e nesta placa onde ergui meu forte
posso encher os pulmões
para gritar minha plenitude,
ímpar e completa
terça-feira, fevereiro 01, 2011
transit
anos atrás eu não imaginaria que
os caminhos seriam tão diferentes
debaixo de nossos pés
a vida é assim, cheia de despedidas
à força ou à vontade,
e outras que nem entendemos bem por quê
posso até dizer que hoje, te desejo o melhor
e que cada passo dado te deixe enxergar
o melhor caminho a seguir
pois as coisas nunca vão mudar
até você mudar como você as vê
e eu sei bem quantas cortinas te tiram a atenção
e agora aqui, do outro lado dessa história,
ainda encontro inspiração pra poder cantar
o melhor verso que eu puder
ainda ouço os seus gritos, caçando ecos por aí.
espero que essa busca te faça feliz,
eu sei que vou me orgulhar de te ver flutuar
e depois de tantas tardes alimentando sonhos,
torço pra que você aprenda o que aquela fita nos ensinou:
você pode pintar a parede, mas não cobrir as rachaduras