eram quinze pra uma da tarde de uma terça-feira monótona. alguns telefonemas relacionados ao trabalho, algumas artes realizadas e parecia que já havia uma eternidade separando o momento de sua chegada na empresa do momento atual.
esperava ansiosamente a hora de sair para almoçar, tomar um pouco de ar, um pouco de sol, e ouvir outra coisa além dos toques intermitentes das mil linhas do escritório.
então, resolveu ouvir suas músicas. a batida frenética do lifetime invadia suas veias lentamente, e em poucos segundos, de olhos fechados, observava o público espremido logo à sua frente. de cima do palco, via centenas de pessoas, cantando junto cada palavra que gritava, como se tudo que dissesse pudesse ser captado e entendido sem barreiras por todas aquelas pessoas. os acordes rápidos embalavam aquele momento tão solene em sua mente de uma maneira única, como se com o fim do setlist o mundo fosse acabar também. explosivamente profundo, aquele momento ficaria na memória de todos presentes eternamente.
'essa é nossa última música. muito obrigado'.
e os acordes foram desaparecendo lentamente à medida que o toque do telefone o trazia de volta de seus devaneios. era uma e dez da tarde.
e inexplicavelmente, seu sangue fervia.
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