sábado, novembro 19, 2005

music played up and loud

maybe you can dance a little more
and forget problems, forget life
just relax and let the music flow
from the jukebox to your heart

m u s i c
p l a y e d
u p
a n d
l o u d

porque nada melhor do que um amplificador berrando na sua orelha.
e dançar de mãos dadas com alguém, mesmo que a música seja imaginária.
rodopiar no quarto, até cair no chão. e rir de si mesmo depois.

felicidade transmitida. felicidade transmitida pelo som.

roadaway

do you fear our ways split
and we grow apart
even at this times
i still feel your heart

and after all those years
that i'm lonely, sad
you're inside my mind
and i still want you bad

you broke this vase inside
i have no other choice than keep going
on and never looking away
but still at my side, i want you to stay

and i'll never let you go again
from my arms...

terça-feira, novembro 15, 2005

burn and bury

nunca mais iria ouvir falar sobre esse lugar
horizontes em chamas e corações em prantos
todos apenas corriam pra longe dali
como uma explosão carbonizando esperanças

cinzas ao chao
corpos em combustão

simples assim. morte.

presos lá dentro.

i g n i s


consumindo tudo em seu leito.

quarta-feira, novembro 09, 2005

lillith e o resígnio

depois de tanto tempo navegando sem razão
desisto de encontrar o prêmio que eu já perdi
adaga enferrujada perfurava e a sensação
da morte invadindo as artérias que eu vivi
mas foi quando um anjo desceu do céu e me ofereceu
e enquanto ouvia longe dizer (seus) versos a sumir

"volta pra perto da essência e do amor que deixaste pra trás
e das pessoas que irão sentir a amargura de ver você partir"

o remorso causado por lágrimas
me seguia até o fim da noite (corroendo a mim)

"e num lampejo, o anjo tornou-se cinzas, caindo por entre meus dedos. eu havia escorrido cada resto de vida dele naquele mar onde tantas esperanças de salvação já foram dissolvidas. e daquele dia em diante, aquela imagem se tornara meu pesadelo íntimo, marca de uma guerra santa, exposta em minha alma."

domingo, novembro 06, 2005

cemitério de amores, jardim das rosas mortas

sonhar alto tem seus perigos. como cair do alto, com força, meter a cara no chão. depois, ficar lá, saboreando os cacos do azulejo cobertos de sangue, o gosto amargo de concreto e hemácias. olhar pra frente, o vermelho tomava a cena.

lírios manchados pedindo socorro.

flores, em todos os cantos, espirrando pólen, numa última tentativa de sobrevivência, desesperada. correndo contra o sol, os raios cegando a vista já cega, fazia daquele momento uma cena de piedade, uma criança correndo sem ver o seu destino, se apoiando nos caules espinhosos daquele jardim de rosas mortas. o perfume inebriante de éter emanado fazia daquele lugar um verdadeiro cemitério de amores, pra onde todas as frustações e o remanescente dos corações estilhaçados encontram seu último suspiro e o descanso eterno.

as pétalas espalhadas pelo chão choravam mais e mais, e o murmúrio de lamento delas se propagava entre os troncos retorcidos do que outrora foi um bosque, e ecoava, fazendo parecer vir de todos os lados. até que a criança achou descanso deitando numa lápide, e teve apenas poucos segundos pra se perguntar como havia caído em tal lugar, pois uivos denunciaram a presença de cães ceifadores, que caçam e trazem a morte para qualquer ser vivo que pisasse naquelas terras caídas.

seu único impulso foi correr para longe, entre as árvores, esperançoso. apenas querendo sobreviver. fitou as estrelas um momento antes de tropeçar nas raízes que se ergueram para pará-lo, e caiu de olhos fechados, para nunca mais abrí-los.