essa é a parte onde me faltam forças pra pensar, e o frenesi do pensamento vai sendo aos poucos afogado pelo cansaço acumulado e pelas milhares de noites mal dormidas de um ano onde eu só queria fugir da angústia e do escuro. aos poucos vou cedendo, e enquanto os pensamentos começam a se tornar abstratos o contorno do que eu acreditava ser embaça, desfoca, e eu sinto como se fosse um ponto suspenso no meu quarto, sem dimensão, sem corpo nem forma, apenas um ponto em um breu surdo, tão perto de mim mesmo que mal dá pra ver o início ou o fim, mas ao mesmo tempo tão distante que tocar algo dentro de quem sou parece residir a um universo de distância.
e enfim, dormir.
quarta-feira, outubro 17, 2018
dezoito, pt. XII
insônia;
café;
ansiedade;
café;
preguiça;
café;
tédio;
café;
desânimo;
café;
insegurança;
café;
nervoso;
café;
café;
café.
já sei o que vai acabar me matando no fim das contas.
café;
ansiedade;
café;
preguiça;
café;
tédio;
café;
desânimo;
café;
insegurança;
café;
nervoso;
café;
café;
café.
já sei o que vai acabar me matando no fim das contas.
terça-feira, outubro 09, 2018
dezoito, pt. XI
as costas doloridas e o décimo copo de café já se tornaram uma constante. já faz pouco mais de um ano que as coisas começaram a sair do controle (talvez nunca tenha existido controle, afinal), e ainda encaro escombros espalhados pela sala. escombros que só eu consigo ver, que só eu acabo por tropeçar. um ano... é espantoso como as coisas podem mudar de uma hora pra outra, sem avisar, sem esperar, e sem perdoar. mudanças. e apesar das superações conquistadas, que não foram poucas, a vida (ou o que posso chamar de vida) continua despersonificada pra mim, continua sem pertencimento nem familiaridade, e ainda que hoje eu tenha mais calma, felicidade, e uma certa tranquilidade, a ressaca de uma onda gigante que levou embora tudo que eu conhecia como 'eu' deixou um fosso gigante, difícil de enxergar ao certo por dentro, onde a visão embaça e tudo parece um borrão escuro, tão ameaçador quanto impassível. e tão grande quanto minha bagunça.
a sensação de não saber quem sou, que antes soava como uma aventura, um convite para descobrir o quão longe eu poderia chegar, hoje divide espaço com o medo de talvez nunca me encontrar, de talvez nunca conseguir ter algo novo que eu possa chamar de 'minha vida', uma nova vida a ser plantada, pra criar um significado diferente de outra que já foi incinerada. e mesmo com medo, continuo, sigo, procurando um lugar onde jogar a semente de um novo começo pra o que eu talvez venha a ser um dia. já que o que deixei pra trás foi enterrado tão fundo que raízes novas não conseguiriam tocar aquilo que já fui.
ainda bem.
a sensação de não saber quem sou, que antes soava como uma aventura, um convite para descobrir o quão longe eu poderia chegar, hoje divide espaço com o medo de talvez nunca me encontrar, de talvez nunca conseguir ter algo novo que eu possa chamar de 'minha vida', uma nova vida a ser plantada, pra criar um significado diferente de outra que já foi incinerada. e mesmo com medo, continuo, sigo, procurando um lugar onde jogar a semente de um novo começo pra o que eu talvez venha a ser um dia. já que o que deixei pra trás foi enterrado tão fundo que raízes novas não conseguiriam tocar aquilo que já fui.
ainda bem.