não saber pra onde a estrada de mármore vai me levando, mas hoje me sinto flutuar pelos paralelepípedos brancomarrom, ou pelas rodas que movem a cidade, ou mesmo ao leito, admirando de novo o teto, ao som de berros e melodias cálidas, batidas e mais batidas invadindo o quarto e adoçando meus ouvidos, que mesmo dormindo eu sentia a presença daquela aura aconchegante.
as plantas me faziam sentir e sentir, e ao menor toque, eu estava a dançar de novo, a valsa não tão solitária.
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
sombra projetada no concreto, lembranças
tudo o que passou ou que me fez acreditar que um dia a poesia ia virar vida ou vice versa me fez ver brotarem os postes do chão, enquanto abraços curavam ressacas, entre álcool e lágrimas, sorrisos e pensamentos jogados ao vento enquanto o amanhecer dava as caras por entre as barras da janela. porque pensei que acabaria, no fim, a dor de saber que entre uma e outra música, havia uma voz quase muda me pedindo pra continuar, e eu que pensava que as palavras que formavam as frases tinham algum sentido, quebrei a cara por ve-las espalhadas, seja numa sopa ou no chão, refletidas no teto que descia ao subsolo, onde alguém, sentado num canto, ouvia e cantava uma melodia doce, mas que junto das lembranças, ardia demais e demais.
e os postes chegavam mais e mais perto do céu.
e os postes chegavam mais e mais perto do céu.
terça-feira, fevereiro 21, 2006
outra noite
no final das contas, apenas mais um dia havia se passado desde as últimas conversas, os últimos olhares, mas a falta já aparentava estar ali há anos, e ao olhar pros lados eu percebia que não havia mais ninguém além de mim no quarto, e que já havia amanhecido. eu pensava que tinha ficado semanas jogado no chão do quarto sem comer e sem sair, sem ver ninguém, mas foram apenas as horas da madrugada longe do computador, com o estômago revirado, e o suor escorrendo. já beirava o delírio, vendo sombras me rodeando ou coisa que o valha, que haviam me deixado petrificado. de repente, um raio de luz veio pela janela, e a porta do quarto se abriu. ela entrou sorrateiramente e deitou-se ao meu lado. perguntou-me porque isso, a raiva, a mágoa, eu disse que já estava cansado de sofrer, de sonhar em vão, então que veio o primeiro soluço. ela me acalentou em seu colo, e ficamos ali por mais algumas horas, que pareciam décadas. ela dizia que o mundo não era feio, que parecia feio, mas com a direção certa ele pareceria um lugar melhor, coisa que para mim era impossível. então, ao toque suave dos lábios, a escuridão foi deixando pouco a pouco aquele quarto, e tudo parecia tão diferente, tão novo, tão simples... todo um novo mundo ao meu alcance, que sumiu ao ver a palavra pintada na tela, e ao sentir o cobertor gelado cobrindo meu corpo. apenas pedia para voltar, mas não adiantava mais. então foi buscar consolo em seus sonhos, ao menos era uma forma de rever tudo aquilo que foi perdido entre os olhos.
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
na calçada
por quantas vezes mais o telefone vai tocar
sem que você me deixasse dizer as mesmas palavras
de que não me importava mas no fundo eu mentia
nós dois sabiamos desde a primeira vez
voltar pra casa agora me pareceria tão
covarde mas era o que mais me cabia
que o meio fio sabia que ia ser assim
de tantas vezes que já me viu sussurar teu nome
eu só queria poder te encontrar por aí
e sem querer dizer que eu fugi mais uma vez
das coisas que me tiravam o sono
assuntos emaranhados nas ondas da televisão
e cravadas na madeira de um dia a mais
me retornaram à mente as letras
que negavam o que eu berrava pela janela
em outro daqueles momentos de raiva
e não sei mais, pra que lado correr
e não sei mais, aonde me esconder
e não sei mais, porque fui me perder
e não sei mais...
sem que você me deixasse dizer as mesmas palavras
de que não me importava mas no fundo eu mentia
nós dois sabiamos desde a primeira vez
voltar pra casa agora me pareceria tão
covarde mas era o que mais me cabia
que o meio fio sabia que ia ser assim
de tantas vezes que já me viu sussurar teu nome
eu só queria poder te encontrar por aí
e sem querer dizer que eu fugi mais uma vez
das coisas que me tiravam o sono
assuntos emaranhados nas ondas da televisão
e cravadas na madeira de um dia a mais
me retornaram à mente as letras
que negavam o que eu berrava pela janela
em outro daqueles momentos de raiva
e não sei mais, pra que lado correr
e não sei mais, aonde me esconder
e não sei mais, porque fui me perder
e não sei mais...