segunda-feira, setembro 26, 2005

16 days to heaven

então outra manhã acordo com o relógio a soar
apenas onze horas e eu já estava a pensar naquele
dia que viria pra me levar pra aquele canto
da estrada que trazia mil lembranças

e com razão

contava os dias e as horas pra que eu pudesse ver
aquela cena novamente onde eu tinha você em meus braços
por um instante que durava eternidade
enquanto o onibus nos levava pra fora dessa cidade

e o coração
acelerava e os olhos brilhavam claros como o sol
e o reflexo da estrada imprimido no farol
tornava esse aquele dia especial

um dia a mais que foi riscado no calendário de papel
me deixava ansioso pra poder tocar o céu de novo e
caminhar por entre os castelos e montanhas
com você o paraíso era muito mais gostoso

de viver
pois eu sabia finalmente que existia um lugar
onde toda a tristeza nunca poderia entrar
e estragar aquele dia especial

.

um dia no paraíso

.

é tudo que eu preciso

e eu sei que nada vai tirar de mim
a sensação de estar de novo de mãos dadas
com você por só mais uma vez

domingo, setembro 25, 2005

nel centro di realtà, resti un bambino

então mais uma vez me pego a fitar o céu
em vão, por um momento que me toca a alma
sem saber porque, rumos que nunca imaginei tomar
acabam me levando uma outra direção

longe do que esperava
(sensação)
de medo e retrocesso
(num perdão)
procuro encontrar
você

sem ver me envolvi em tantos jogos que já não
me lembro quantas vezes parei pra refletir
sobre os modos e os acasos que vivi até aqui 
por ter levado a vida sempre no limite das emoções

pulando consequências
(estações)
de puras desavenças
(mas perdões)
deixaram encontrar
você

depois da tempestade,
entre os raios de luz
que tanto persegui
achava um sentido
pra toda aquela rotina que por tanto tempo eu vivi
podia voar sobre as águas passadas
avistar os corais de rancores que deixei pra trás

longe do que esperava
pulando consequências
de medo e retrocesso
e puras desavenças
procuro encontrar você
e esquecer os corais de rancores que deixei pra trás

terça-feira, setembro 20, 2005

b e h a p p y

talvez seja melhor assim, andar entre pessoas sem olhar pra trás
não ter porque prender a vida num fio de tristeza.

aprender coisas novas como ver a felicidade num floco de algodão doce.
enquanto andamos pelas ruas da cidade dos ventos, o frenético movimento
das pessoas preocupadas com horários e agendas. reuniões, tudo isso
fica longe do nosso tempo, enquanto ouvimos ataris pelos comodos da casa
de madeira cor-de-mel.

ventos que impulsam nossas mentes e corações para o mesmo caminho e nos
levam a sentir de novo a janela a pintar nossas faces.






andar por novas trilhas sem precisar de mapas.
sem indicações, aventurar-se entre as árvores pois nada
mais conseguirá derrubar.


to simplify all
h a p i n e s s
in our hearts.




.


b e h a p p y

domingo, setembro 18, 2005

finais

pra todo lugar que se olha

pra toda palavra que se fala

pra todo olhar que se perde

pra toda fala que se mistura

pra toda perda que se supera

pra toda mistura que se acerta

pra toda superação que se recompensa

pra todo acerto que se comemora

pra toda recompensa que se grita

pra toda comemoração que se alegra

pra todo grito que se cala

pra toda alegria que se acaba



há sempre um final.
nem sempre feliz.
nem triste.
nem menos
merecedor de se viver.

carpe diem. mesmo que você se foda no final.


.


pra todo final que se alcança...

... há um novo começo a ser explorado.

sexta-feira, setembro 16, 2005

revirando o porão

achei uma caixinha de musica.
e ela cantava canon de pachbell.
e a bailarina dançava dançava dançava.

me fez lembrar o dia que dançamos.
achei também um envelope velho.

pela segunda vez chorei ao ler.

.

papéis velhos com pequenas gotas de sonho.

palavras mais ou menos ordenadas formando canções.
as quais entreguei pra você.
melodias que cantei olhando pela janela
de mãos dadas contigo, enquanto o ônibus
nos levava ao paraíso.


agora imagino o futuro, aquelas pessoas pulando.
ali do lado, te encontro cantando.
olhando em meus olhos.

e nos seus, cantava mais um dia.
voltavamos de mãos dadas de novo
até aquele 72 da bandeirantes.




do fundo da imaginação os trago,
trechos de um filme inacabado que
vieram a tona de repente.





esperando ter de volta
os dias que tanto sonhei.

domingo, setembro 04, 2005

métrica incerta

pra onde vai toda essa dor?
pra onde é levado o rancor?

uma vida sem sentido, sem rumo,
caminho sem destino, pobre menino.

chuta uma lata, descobre a recompensa
da vida sem sentido, triste desavença.

futuro incerto que alguém reservou.
e na lata-tristeza, o garoto tropeçou.

chão frio acorda pra finalmente ver
tudo que poderia e iria acontecer.

depender não é, amar sim, é estar consciente,
e eu amo você, no passado, no futuro e no presente.

com todas as letras, de todos os jeitos.
pra sempre e sempre, nossos laços estão feitos.

sexta-feira, setembro 02, 2005

canção de inverno

gritos de desespero, silêncio no corredor
mente transtornada, coração faltando amor
discursos sem sentido, tela do computador
me dizendo pra parar de chorar
(procurando por seus braços no meio da escuridão,
apenas as orquídeas para compartilhar
aquela noite sem você)

e então te vejo caminhando pelas rochas
e as estátuas de marfim
e então esqueço que tudo desmoronou
e me deixou olhando assim

porque seus olhos me levaram para um lugar
longe daqui, e por mais que eu precise
nunca mais quero sair
porque teus lábios
me diziam que a história acabou, mas
seu beijo de despedida de repente me acordou

e então sem medo de mãos dadas caminhamos
num lugar sem se importar
e então percebo que tudo acabaria
te deixando abandonar
minha vida.