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domingo, maio 17, 2009

de sonhos e horizontes, pt III

me segurava em minha cadeira em mais uma noite longa. o sono já cansava, olhos impressos na capa de um livro me encaravam. o refrigerante na garrafa já estava quente e sem gás, mas pouco me importava, apenas precisava de algo para molhar a garganta. levantei rumo à sala e abri a janela para pegar um pouco de ar, pois o que circulava em meu quarto já estava novamente abafado, grosso, diferente daquele que vinha da rua em lufadas geladas e de certo modo revigorantes. percorri toda a paisagem com os olhos: os pequenos prédios, tantas casas, luzes apagadas e algum esboço de movimento nas ruas, tímidos ruídos ecoando pelo asfalto. eis que uma imagem no céu me prende a atenção, um conjunto peculiar de estrelas que quase chegavam a formar um rosto que sorria, e bem ao centro deles uma luz diferente pulsava como se ardesse em gigantescas chamas. não sei se foi por impulso ou se ela mesma me pediu, mas fiz um desejo, botando um bocado de fé naquele gesto infantil que nunca cultivei. e quando pisquei meus olhos, ela pareceu oscilar seu brilho por vários minutos como se respondesse algo que não conseguia compreender. um carro cruzou a avenida lá embaixo à toda velocidade me fazendo desviar o olhar. quando tornei a procurar aquela luz, não havia mais nada no céu. nem estrelas nem nuvens, apenas um tapete liso de uma cor roxo-escura. virei as costas e voltei ao meu quarto, crente de que aquilo havia sido uma alucinação causada pelo sono que já me acomapanhava por algumas horas, porém fiquei intrigado pois havia parecido tão real e mesmo já deitado em minha cama, não conseguia esquecer o tal brilho. então, novamente tomado por algo que não sabia bem o que era, resolvi lançar aos céus outro pensamento. desejava outro sinal que me fizesse acreditar que aqueles minutos não haviam sido delírio, e que meu pedido havia sido escutado por alguém lá no alto.


então começou a chover.

terça-feira, julho 22, 2008

de sonhos e horizontes, pt II

hoje num surto absoluto de consciência fiquei me perguntando sobre todas as vidas que eu já imaginei ou esperava ter e não vieram (ou ao menos não virão) e todos aqueles mundos e lugares que eu sonhei conhecer, e hoje me conformo que boa parte desses sonhos desvairados estão agora adormecidos ou desaparecidos sem fazer muita falta, há apenas alguns poucos que se mantém vivos e eu creio que esses poucos - que acabaram por ser os mais importantes - eu vou conseguir realizar e sei que a vida é mais do que sonhos, é a realidade é o momento intenso que se vive mas eu não consigo deixar de ser sonhador e os sonhos agora são bem mais concretos do que foram outrora, os sonhos são algo que realmente vão me completar (desconsiderando um ou outro devaneio) e agora o céu que eu almeijo é algo que eu posso ver sentir e aprendi a valorizar, os sonhos agora são outros - meu sonho agora é você, pra sempre eternizada em meu corpo ávido por teu abraço e teus olhares que resgatam o mais profundo dos calafrios de minha alma fazendo tremer cada pedaço do que sou.

terça-feira, março 14, 2006

de sonhos e horizontes, pt I

mais uma vez, ao deitar, esticava os braços por debaixo do travesseiro e imaginava como seria se eles te sentissem ao meu lado, como as noites seriam mais felizes e os sonhos mais doces.

e ela alçou vôo, foi feliz pelo céu, e eu era suas asas.

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por entre as nuvens, cada vez mais alto

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eu sei que eu vou sonhar
e por favor, não tente me acordar
pois eu sei que o vazio é maior
nesse lugar onde eu finquei meus pés
por favor não solte das minhas mãos
pois você sempre me faz voar
não quero nunca mais voltar pro chão

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pois cada vez mais o horizonte se confundia, até onde a vista alcançava...

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era lindo, um lugar onde nós nunca haviamos pisado, e ao mesmo tempo tão aconchegante. um sonho.

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e eu sabia, que por mais que o sono insistisse, o tanto que eu pensava em você hoje não me deixaria dormir.

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então, de mãos dadas, cruzamos as ilhas flutuantes, onde engrenagens giravam, e tudo tinha uma tonalidade azul-turquesa, e olhares e sorrisos bastavam para que entendessemos que o amor estava ali, impregnado no ar, em nossos corpos, em tudo.

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nós dois, como nós dois. simples.

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-sim, esse lugar é nosso.
-mas, só nosso mesmo?
-claro, ninguém vai atrapalhar nossa felicidade aqui.
-esse é o lugar com o qual você havia sonhado?
-não sei ao certo, mas enquanto eu estiver com você ao meu lado, qualquer lugar será o lugar perfeito.

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para sempre.