era uma tarde de outono quando percebi que não era mais o mesmo. as pessoas, como num filme, ficaram embaçadas, em camera acelerada. e eu andava em meio a elas sem desviar. eram apenas fantasmas figurando a paisagem. os faróis mudavam freneticamente, em contraste com meus passos vagarosos rumo à lugar nenhum. nem tinha porque estar em algum lugar, era simples, apenas andava por andar. o sol ia se pondo acelerado, e com a noite veio a calmaria. a cidade adormecera, e eu ainda caminhava sem saber pra onde ia.
as estrelas estavam esfumaçadas, 'porque olhei pro céu?', me perguntei. percebi que as coisas desaceleravam à medida que eu apreciava o que via. o ritmo de tudo à minha volta começava a diminuir. passei por um banco e não resisti. então, de braços abertos, olhando pro alto, percebi o quanto aquilo clareava minha mente. me fazia bem. levantei num impulso ímpar e corri, pela primeira vez com uma direção determinada.
agora a cena se invertia, era eu que estava voando. as pessoas pareciam estátuas, me desviava com cuidado ao que acelerava meus passos. 'é isso, era isso', pensei. tive tempo apenas de olhar a avenida repleta de ônibus sumir debaixo de meus pés numa velocidade espantosa. de repente, não havia mais chão nem teto, tudo se fundira numa redoma azul escura.
as estrelas vieram me saudar, uma a uma, se aproximavam até fazerem parte de mim. me rodeavam como se esperassem por mim durante toda a eternidade. era eu agora, uma existência de luz infinita. era eu, o céu e o sol.
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