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quarta-feira, março 06, 2019

dezenove, pt. IV

ciclos se repetindo, ciclos se perpetuando. a vida deu voltas mas parece não sair do lugar, enquanto a constatação de velhos problemas que se tornam novas preocupações me batem fazendo com que a maldição dos anos ímpares siga firme e forte, intocada pelo quebranto da calmaria.

sigo sem saber como seguir.

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

dezenove, pt. III

mais de dez anos depois, ainda havia espíritos me seguindo. a cadência continuava ali, intocada, porém o colapso já havia se tornado algo inerente. não há motivos pra dançar quando a música se torna seu pano de fundo em cada segundo de cada dia. o peito pequeno olhava por trás do ombro ao caminhar pra frente acompanhando o flutuar, e nem me importava os buracos à frente.

só queria seguir.

segunda-feira, janeiro 28, 2019

dezenove, pt. II

enquanto caminho pra frente, vejo pegadas me perseguindo. tento correr, mas como a espuma de uma ressaca errada do mar, meus pés são alcançados e encobertos, o passo fica devagar e me sinto preso a algo que não me pertence. quero mergulhar, e não andar com dificuldade. quero, tento, a onda bate em minhas costas e me lembra tanta coisa que perco a direção, e ao mesmo tempo me inunda com a sensação de que em algum momento o oceano finalmente será só paz.

dezenove começou com gosto de sal.

sexta-feira, janeiro 18, 2019

dezenove, pt. I

tanta coisa passa em um piscar de olhos, o tempo voa violentamente enquanto um turbilhão de momentos e memórias nos são jogados e arquivados. ainda sim, a ciclicidade às vezes atropela e se impõe sobre tanta novidade. hoje, poucos dias após um novo ano ter início, me vi novamente sentindo a fragilidade do chão, o frio na barriga e a ansiedade corroendo. a sensação de que tudo pode vir a se perder a qualquer momento ganha corpo com uma facilidade incrível, enquanto a vida nesse apartamento parece suspensa novamente.

o colapso cessa, mas nunca termina sua dança.