segunda-feira, dezembro 02, 2019

haikais, #7

era pra ser algo a mais
mas no meio do nada,
foi o que era pra ser.

quarta-feira, março 06, 2019

astray

we barely touched the ceiling this time. this once we came closer to the edge without ever meaning to fall, lost in a slow dive towards ourselves. and all we got from this is more drowning that led us far beyond any shore, stranded and longing for more. and i hope this is not all there is, i hope that there's a way to walk along these lines. and as far as my broken bones can go, we'll find the better way out from all we've been before.

dezenove, pt. IV

ciclos se repetindo, ciclos se perpetuando. a vida deu voltas mas parece não sair do lugar, enquanto a constatação de velhos problemas que se tornam novas preocupações me batem fazendo com que a maldição dos anos ímpares siga firme e forte, intocada pelo quebranto da calmaria.

sigo sem saber como seguir.

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

dezenove, pt. III

mais de dez anos depois, ainda havia espíritos me seguindo. a cadência continuava ali, intocada, porém o colapso já havia se tornado algo inerente. não há motivos pra dançar quando a música se torna seu pano de fundo em cada segundo de cada dia. o peito pequeno olhava por trás do ombro ao caminhar pra frente acompanhando o flutuar, e nem me importava os buracos à frente.

só queria seguir.

segunda-feira, janeiro 28, 2019

dezenove, pt. II

enquanto caminho pra frente, vejo pegadas me perseguindo. tento correr, mas como a espuma de uma ressaca errada do mar, meus pés são alcançados e encobertos, o passo fica devagar e me sinto preso a algo que não me pertence. quero mergulhar, e não andar com dificuldade. quero, tento, a onda bate em minhas costas e me lembra tanta coisa que perco a direção, e ao mesmo tempo me inunda com a sensação de que em algum momento o oceano finalmente será só paz.

dezenove começou com gosto de sal.

sexta-feira, janeiro 18, 2019

dezenove, pt. I

tanta coisa passa em um piscar de olhos, o tempo voa violentamente enquanto um turbilhão de momentos e memórias nos são jogados e arquivados. ainda sim, a ciclicidade às vezes atropela e se impõe sobre tanta novidade. hoje, poucos dias após um novo ano ter início, me vi novamente sentindo a fragilidade do chão, o frio na barriga e a ansiedade corroendo. a sensação de que tudo pode vir a se perder a qualquer momento ganha corpo com uma facilidade incrível, enquanto a vida nesse apartamento parece suspensa novamente.

o colapso cessa, mas nunca termina sua dança.