as filas cresciam lá fora
e o calor aumentava aqui dentro
o som invadia as mentes sem pedir
licença ao reverberar dentro de nós
paredes rabiscadas
pessoas aceleradas
cerveja gelando copos
e cigarros aquencedo almas
suor, graves, álcool, era tudo um caos ritmado
os sentidos pouco a pouco eram tomados
e o corpo obedecia as luzes incessantes
sua visão, porém, ia contra tudo
fixava-se na silhueta da garota
que dançava despreocupada
sua imagem atropelava a percepção
única e perfeita, distante do perigo
balançando os cabelos à cada compasso
e levando consigo fragmentos de seu ser
a música, antes soberana, já virava plano de fundo
e a imagem daquela garota se tornava sua essência
e antes que pudesse perceber, deixava de ser o que era
para ser dela, o que ela bem entender
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