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sábado, outubro 29, 2005

green notebook chronicles, pt XII

(mon corps)
depois da guerra épica
tudo se desfez como
mágica. a alegria
do vilarejo havia
ido com os corpos
que os grandes caminhões
transportavam pra longe
toda a minha felicidade tinha
sido tirada. mes amei, minha
familia, minha juventude
agora, só me resta a morte

green notebook chronicles, pt XI

até o ultimo suspiro dado naquela noite, eu havia pensado mais do que nunca. pela ultima vez, olhei pela janela e vi as nuvens escondendo a lua, como se precisasse protege-la das pessoas aqui embaixo. a televisão desligada, a luz apagada. teto azul, trste, refletindo meu estado. será que ele se sente assim? sozinho, coração vazio? tetos não falam, apenas observam a um garoto perdido, sonhando com uma felicidade inexistente.

green notebook chronicles, pt X

carros importados e carros ao pedaços. vidros blindados e vidros inexistentes. olho aberto, fech, ab, fechad, aberto. ainda falta um pouco. arrancaram o adesivo "156" que eu tanto quero. o onibus balança muuuuuuito. "po, para a merda do onibus, tou tentando escrever!". 4708.

green notebook chronicles, pt IX

luzes apagadas, é essa a impressão que a minha vida tá dando a cada dia que se passa. eu ando sem saber pra onde nem porque, guiado por uma voz que, agora que eu prestei atenção, vem da minha cabeça. me conduz do nada ao nada.

passos inúteis
procuro um rosto
no escuro do meu quarto
mas ainda estou longe
demais
pra tocar suas mãos

green notebook chronicles, pt VIII

"e caminhamos de mãos dadas por trafalgar square naquela manhã de setembro."

green notebook chronicles, pt VII

definitivamente, eu sou o maior dos idiotas.

green notebook chronicles, pt VI

fios que fazem pular as marionetes não se romperão tão cedo na cidade da chuva (que agora pode ser chamada de cidade dos espelhos) onde todos parecem meros reflexos, onde o original já se distorceu devido às aguas passageiras.
andar entre um bando de corpos-sem-personalidade uniformizados é como andar em uma cidade fantasma. vazia, essa sensação de ser um dos poucos sobreviventes. olha a janela, derrama uma ou outra lágrima, com a certeza de que amanhã provavelmente não será um bom dia.

green notebook chronicles, pt V

tudo se encaixa agora, a felicidade é relativa, dependente de um ponto de vista. triste, pois se o observador for um garoto pessimista, por mais que aparente, nunca vai estar feliz. assim como os otimistas, por mais fodidos que estejam, sempre estarão vendo a felicidade em cada pequena coisa. eu vejo a tristeza pelos caminhos que trilho a cada dia que acordo. e continua, fala, fala, mas não diz nada, não consegue. as palavras que sempre surgiram com a maior das facilidades se tornam cada vez mais escassas.

falta algo

?

sexta-feira, outubro 28, 2005

green notebook chronicles, pt IV

palavras se confundem
com gritos e lamúria
armas de fogo despejam
toda sua fúria
sua nação inescrupulada
sua política exagerada
vão acabar culminando
na vida alheia acabando
bombas que queimam os
jardins do oriente médio
lançadas loucamente
pra acabar com o tédio
dos donos ricos do mundo
que o escavam bem fundo
pra encher a banheira
de petróleo e sangue.

green notebook chronicles, pt III

é, garoto, sua vida sofreu mais uma mudança. é um novo começo, quem sabe dessa vez você se acerta. ainda não dá pra imaginar o futuro desse jeito, sim, é cedo e também não é pra menos, afinal forma quatro semestres, cada um com um ponto de vista diferente.

no primeiro, depressão.
no segundo, esperanças.
no terceiro, uma pseudo-superação que quase o convenceu.
e finalmente, no quarto, veio a certeza de que á muito o que amadurecer ainda. ao final desses dois anos, a recompensa não poderia ter sido melhor: uma pura e perfeita amizade. mesmo assim, a vida continua, meu caro. mesmo que o último ato dessa peça já tenha sido escrito.
sim, mudanças são difíceis de serem realizadas, e mais difícil ainda é assimilá-las. mas quem sabe não é melhor?

agora, comece a olhar outros condomínios, esqueça o teto por algumas horas, viva. afinal, foi sempre essa a sua reclamação, garoto, a falta de viver,

e por aí vai...

green notebook chronicles, pt II

qual é o sentido num mundo onde tempo é dinheiro, se a pressa é inimiga da perfeição? o dinheiro não é pra sempre, o céu e o inferno não cobram taxa de admissão.

no purgatório, somos todos mendigos, implorando pela esmola chamada "vida eterna".

green notebook chronicles, pt I

cinza, cor da estaticidade, uma cor morta, quieta, faz sentido a vida monótona de um garoto (que a cada dia deixa um pouco da sua mente pra trás) ser cada vez mais acinzentada. as pessoas a volta dele não passam (em sua maioria) de bonecos sem vida, que seguem a linha que lhes foi imposta. seus olhos, sempre acinzentados, não tem brilho. suas vidas falsas não tem fogo.
e continua o silêncio assassino.
as pessoas falam, falam, mas eu só escuto "biiiiiiiiiiiin".

está na hora de mudar de estação, mas me parece que o botão do rádio quebrou.