nos campos gélidos da europa, um garoto admirava os flocos caindo, enquanto permanecia deitado no colo de uma estátua de mármore.
ele perguntava pro céu coisas que o céu não podia responder.
e ele respirava aquele ar gelado como se esperasse por algo.
terça-feira, agosto 30, 2005
segunda-feira, agosto 29, 2005
good side for a picture
é dificil de acreditar, mas as coisas começaram a andar.
minha vida se tocou que eu tenho pernas, e finalmente, os longos finais de semana que eu passava trancado no quarto pouco a pouco vão sumindo. os laços com o antigo guilherme, aquele que sempre fez me odiar, vão se cortando.
se essa mudança foi pra melhor ou pra pior, sinceramente, não sei. isso só o tempo vai dizer. sim, eu sei, é um puta clichê, mas é a verdade, pois a incerteza vem me comandando já faz um tempo. mas certamente, experiências novas virão.
algumas coisas mudam, eu mudo, a vida muda, e eu vou aprendendo a lidar com certas situações que o antigo não conseguiria nem se imaginar vivendo. e cá estou eu, sendo outro, mas sempre sendo eu mesmo.
aonde eu vou chegar, aonde eu quero chegar, tudo ainda está encoberto, mas não por muito tempo. finalmente, idéias como "minha idéia de felicidade está morta" dão lugar para outras tipo "a minha felicidade só depende de mim mesmo".
L I F E C A N B E S O D U L L
mas se eu quiser, não.
minha vida se tocou que eu tenho pernas, e finalmente, os longos finais de semana que eu passava trancado no quarto pouco a pouco vão sumindo. os laços com o antigo guilherme, aquele que sempre fez me odiar, vão se cortando.
se essa mudança foi pra melhor ou pra pior, sinceramente, não sei. isso só o tempo vai dizer. sim, eu sei, é um puta clichê, mas é a verdade, pois a incerteza vem me comandando já faz um tempo. mas certamente, experiências novas virão.
algumas coisas mudam, eu mudo, a vida muda, e eu vou aprendendo a lidar com certas situações que o antigo não conseguiria nem se imaginar vivendo. e cá estou eu, sendo outro, mas sempre sendo eu mesmo.
aonde eu vou chegar, aonde eu quero chegar, tudo ainda está encoberto, mas não por muito tempo. finalmente, idéias como "minha idéia de felicidade está morta" dão lugar para outras tipo "a minha felicidade só depende de mim mesmo".
L I F E C A N B E S O D U L L
mas se eu quiser, não.
terça-feira, agosto 23, 2005
flores e meteoros, pt II
quando do castelo só sobravam ruínas, eu tive coragem pra voltar
e ver como tudo aquilo havia se tornado pó. no peito, uma pontada.
após todo aquele esforço para sair do buraco, no final foi tudo inútil.
eu poderia ter apodrecido lá, com incerteza, quem sabe seria mais facil.
mas meu coração falou mais alto, persistente como sempre, e me trouxe a isso.
apenas algumas paredes ainda se mantiveram de pé após a tragédia
como se não bastasse, um pedaço do teto havia sobrevivido para rir
da catastrofe que me atingira com tal precisão.
os campos agora apenas traziam restos de flores, que me furavam os pés descalços.
a armadura havia se partido, não passava de uma lembrança.
todos os sentimentos se misturaram por um sublime momento, me trazendo todo o passado de volta a meus olhos. novamente, tudo que eu tinha era dor, sofrimento e arrependimento, por ter visto tudo que importava reduzido a nada.
dei meia volta, e selei meu futuro...
... e o castelo, finalmente veio ao chão.
e ver como tudo aquilo havia se tornado pó. no peito, uma pontada.
após todo aquele esforço para sair do buraco, no final foi tudo inútil.
eu poderia ter apodrecido lá, com incerteza, quem sabe seria mais facil.
mas meu coração falou mais alto, persistente como sempre, e me trouxe a isso.
apenas algumas paredes ainda se mantiveram de pé após a tragédia
como se não bastasse, um pedaço do teto havia sobrevivido para rir
da catastrofe que me atingira com tal precisão.
os campos agora apenas traziam restos de flores, que me furavam os pés descalços.
a armadura havia se partido, não passava de uma lembrança.
todos os sentimentos se misturaram por um sublime momento, me trazendo todo o passado de volta a meus olhos. novamente, tudo que eu tinha era dor, sofrimento e arrependimento, por ter visto tudo que importava reduzido a nada.
dei meia volta, e selei meu futuro...
... e o castelo, finalmente veio ao chão.
segunda-feira, agosto 22, 2005
em everwood...
me peguei dançando sozinho sob a fraca luz do sol nascente, ainda escondido atrás das nuvens, e de repente não estava mais em meu corpo. fui para um lugar diferente. onde haviam montanhas e florestas verdes-musgo, na placa de madeira na entrada da cidade estava escrito everwood, e foi isso que uma voz me disse.
então, numa cabana, ela me abraçou. dançamos valsa, beijamos, sonhamos, ela disse "a casa está cheia de flores e você nem percebeu..." e eu respondi "percebi, lindas as orquídeas". "babaca!" ela respondeu, e me beijou. noites e noites se passaram desde o primeiro abraço, e nunca mais ela ia me soltar. nunca mais eu queria ser solto, também. dançamos valsa, andamos nas florestas, nos beijamos debaixo de uma cerejeira, corremos, "você é tão bonita de admirar", "quando eu te quiser, esteja em casa, esteja na sala", e pra sempre ali eu estaria, sempre.
nós nos beijamos no sofá. dançamos com taças de champagne na mão, nos abraçamos sempre, fizemos amor aquecidos pela lareira. vivemos juntos eu e ela. disse "amo amo amo você". "também amo você", mas de repente uma voz me acordou daquele transe.
"em everwood, é tempo de abraços".
então, numa cabana, ela me abraçou. dançamos valsa, beijamos, sonhamos, ela disse "a casa está cheia de flores e você nem percebeu..." e eu respondi "percebi, lindas as orquídeas". "babaca!" ela respondeu, e me beijou. noites e noites se passaram desde o primeiro abraço, e nunca mais ela ia me soltar. nunca mais eu queria ser solto, também. dançamos valsa, andamos nas florestas, nos beijamos debaixo de uma cerejeira, corremos, "você é tão bonita de admirar", "quando eu te quiser, esteja em casa, esteja na sala", e pra sempre ali eu estaria, sempre.
nós nos beijamos no sofá. dançamos com taças de champagne na mão, nos abraçamos sempre, fizemos amor aquecidos pela lareira. vivemos juntos eu e ela. disse "amo amo amo você". "também amo você", mas de repente uma voz me acordou daquele transe.
"em everwood, é tempo de abraços".
domingo, agosto 21, 2005
cherries for you
- o que é isso? - ela perguntou, com um leve sorriso.
- isso é um colar. com pequenas cerejas de vidro. espero que você goste... - realmente, ele esperava mesmo. depois de colocado, o colar veio a se encontrar no meio de dois corpos que se abraçavam e se beijavam com muito amor. então, de mãos dadas caminharam pelo parque, observando as pessoas que passavam e era como se fossem apenas projeções, pois nada mais importava para aqueles dois. aquela era apenas mais uma volta como tantas que deram ao longo desses dois anos que passaram juntos.
foi então que uma tragédia abalou para sempre aquele corações frágeis. um carro desgovernado entrou no meio do parque, e deslizou em direção à garota. ela acordou no hospital, assustada, perguntando pelo namorado. a enfermeira então disse que em minutos alguém viria esclarecer todas as duvidas.
o médico disse que ela havia apenas sofrido arranhões na perna devido a uma queda, e que perdera a consciencia por causa do susto. mas ela não queria saber dela, ela não importava, queria saber se o namorado estava bem. foi na hora que ela olhou a expressão de tristeza na cara do médico, e os olhos dele percorrendo o rosto daquela garota denunciaram o ocorrido. uma lágrima foi derramada, mas ela logo engoliu o choro contra sua vontade, pois sabia que onde quer que ele estivesse, estaria olhando por ela, e a ultima coisa que queria ver depois de tudo era ela sofrendo.
os anos foram passando, e aquela garota nunca mais havia recuperado o sorriso e o brilho dos olhos. ela havia se tornado fria, aparentemente sem sentimentos, mas com um grande amor adormecido por dentro. então, num dia frio de dezembro, celebrava-se o natal, e aquela mesma menina havia se tornado mulher, e estava sentada numa cadeira, sozinha no canto de uma sala de reuniões. ela fitava um copo cheio de água, e via o mundo distorcido. até que se deu conta de que um amigo estava parado em sua frente, com uma caixinha embrulhada com papel decorado.
- feliz natal adiantado pra você... - e a garota percebia claramente que ele estava embaraçado, com o rosto corado.
- ah, obrigada... é muita gentileza sua e... - então as palavras ficaram presas na garganta. dentro do embrulho, um colar com cerejas, igual ao que o namorado havia dado à ela anos atrás. então, o coração dela disparou, e o brilho nos olhos subitamente voltou, enquanto ela analisava melhor o rosto daquele à quem ele nunca dera muita atenção.
- o que foi, você não gostou? - perguntou, preocupado. - ouvi dizer que você gosta de cerejas, então eu pensei que... - ele se perdia em explicações enquanto ela apenas observava.
- adorei o presente. muito obrigada mesmo. eu estava indo tomar café, você me faz companhia? - ela disse, com um notável sorriso.
no dia seguinte, acordou mais disposta do que nunca, e seguiu rumo à firma onde trabalhava. desceu as escadas com pressa, e sorriu ao ver ele esperando junto à porta. conversaram um pouco, e foram cada um para a sua sala, e pela primeira vez, aquela menina mulher sentiu ansiedade pelo horário do almoço.
- isso é um colar. com pequenas cerejas de vidro. espero que você goste... - realmente, ele esperava mesmo. depois de colocado, o colar veio a se encontrar no meio de dois corpos que se abraçavam e se beijavam com muito amor. então, de mãos dadas caminharam pelo parque, observando as pessoas que passavam e era como se fossem apenas projeções, pois nada mais importava para aqueles dois. aquela era apenas mais uma volta como tantas que deram ao longo desses dois anos que passaram juntos.
foi então que uma tragédia abalou para sempre aquele corações frágeis. um carro desgovernado entrou no meio do parque, e deslizou em direção à garota. ela acordou no hospital, assustada, perguntando pelo namorado. a enfermeira então disse que em minutos alguém viria esclarecer todas as duvidas.
o médico disse que ela havia apenas sofrido arranhões na perna devido a uma queda, e que perdera a consciencia por causa do susto. mas ela não queria saber dela, ela não importava, queria saber se o namorado estava bem. foi na hora que ela olhou a expressão de tristeza na cara do médico, e os olhos dele percorrendo o rosto daquela garota denunciaram o ocorrido. uma lágrima foi derramada, mas ela logo engoliu o choro contra sua vontade, pois sabia que onde quer que ele estivesse, estaria olhando por ela, e a ultima coisa que queria ver depois de tudo era ela sofrendo.
os anos foram passando, e aquela garota nunca mais havia recuperado o sorriso e o brilho dos olhos. ela havia se tornado fria, aparentemente sem sentimentos, mas com um grande amor adormecido por dentro. então, num dia frio de dezembro, celebrava-se o natal, e aquela mesma menina havia se tornado mulher, e estava sentada numa cadeira, sozinha no canto de uma sala de reuniões. ela fitava um copo cheio de água, e via o mundo distorcido. até que se deu conta de que um amigo estava parado em sua frente, com uma caixinha embrulhada com papel decorado.
- feliz natal adiantado pra você... - e a garota percebia claramente que ele estava embaraçado, com o rosto corado.
- ah, obrigada... é muita gentileza sua e... - então as palavras ficaram presas na garganta. dentro do embrulho, um colar com cerejas, igual ao que o namorado havia dado à ela anos atrás. então, o coração dela disparou, e o brilho nos olhos subitamente voltou, enquanto ela analisava melhor o rosto daquele à quem ele nunca dera muita atenção.
- o que foi, você não gostou? - perguntou, preocupado. - ouvi dizer que você gosta de cerejas, então eu pensei que... - ele se perdia em explicações enquanto ela apenas observava.
- adorei o presente. muito obrigada mesmo. eu estava indo tomar café, você me faz companhia? - ela disse, com um notável sorriso.
no dia seguinte, acordou mais disposta do que nunca, e seguiu rumo à firma onde trabalhava. desceu as escadas com pressa, e sorriu ao ver ele esperando junto à porta. conversaram um pouco, e foram cada um para a sua sala, e pela primeira vez, aquela menina mulher sentiu ansiedade pelo horário do almoço.
segunda-feira, agosto 15, 2005
imagine um dia, um conto de fadas
me imagino, daqui a mais ou menos um ano, numa dessas noites tristes e entediantes (pois eu se que isso não vai mudar tão cedo).
dou uma ligação, ouço ela confirmar com satisfação, pois também estava entediada e sem sono.
eu desço até a garagem, dou a partida na velha belina verde, e dirijo até a avenida.
ela entra no carro, me dá um beijo de boa noite e parabéns, coloca no rádio minha musica favorita, deita a cabeça no meu ombro.
vai cantando até que chegamos naquele restaurante com pista de dança, com as paredes vermelhas e brancas.
o calendário com fotos antigas marcava 17 de setembro, dançavamos ao som de cap'n jazz, felizes.
um ano havia se passado desde aquele primeiro beijo, aquele primeiro show juntos, aquela primeira emoção.
mais e mais madrugadas como essa já haviam se passado desde então, me deixando bem feliz.
noites onde duas pessoas que muito se gostam se encontram e juntos dão um jeito de matar o tédio que assola suas vidas.
juntos, nós dançamos, rimos, e nos fazemos felizes.
juntos, nós dois.
quem sabe um dia a gente constrói nossa própria cidade.
livres para podermos ser o que quisermos, sem ninguém para ditar as regras ou limitar nossas vontades.
.
dou uma ligação, ouço ela confirmar com satisfação, pois também estava entediada e sem sono.
eu desço até a garagem, dou a partida na velha belina verde, e dirijo até a avenida.
ela entra no carro, me dá um beijo de boa noite e parabéns, coloca no rádio minha musica favorita, deita a cabeça no meu ombro.
vai cantando até que chegamos naquele restaurante com pista de dança, com as paredes vermelhas e brancas.
o calendário com fotos antigas marcava 17 de setembro, dançavamos ao som de cap'n jazz, felizes.
um ano havia se passado desde aquele primeiro beijo, aquele primeiro show juntos, aquela primeira emoção.
mais e mais madrugadas como essa já haviam se passado desde então, me deixando bem feliz.
noites onde duas pessoas que muito se gostam se encontram e juntos dão um jeito de matar o tédio que assola suas vidas.
juntos, nós dançamos, rimos, e nos fazemos felizes.
juntos, nós dois.
quem sabe um dia a gente constrói nossa própria cidade.
livres para podermos ser o que quisermos, sem ninguém para ditar as regras ou limitar nossas vontades.
.
domingo, agosto 14, 2005
buona notte (13/01/05)
as luzes das casas lá fora apagadas dão a sensação de vazio, de solidão.
silêncio da madrugada, um silêncio que faz meus tímpanos quase explodirem com tal calmaria.
pessoas com passos rapidos e sussurros abafados cruzam a avenida, enquanto o frio penetra seus agasalhos.
eu estou aqui, sozinho, aquecido sob a luz do meu quarto, mas a falta da tua presença me congela a alma, e nem o mais quente cobertor pode fazer meu coração silenciar o ruído dessa geada. é triste estar aqui, é triste estar sem você.
acho que seu sorriso me aqueceria agora.
acho que você não vem.
acho que vou até a cozinha, acalmar minha saudade com um gole de chocolate quente
(que não é tão doce quanto o sabor de estar ao teu lado).
acho que vou dormir.
sonhar com você.
boa noite.
silêncio da madrugada, um silêncio que faz meus tímpanos quase explodirem com tal calmaria.
pessoas com passos rapidos e sussurros abafados cruzam a avenida, enquanto o frio penetra seus agasalhos.
eu estou aqui, sozinho, aquecido sob a luz do meu quarto, mas a falta da tua presença me congela a alma, e nem o mais quente cobertor pode fazer meu coração silenciar o ruído dessa geada. é triste estar aqui, é triste estar sem você.
acho que seu sorriso me aqueceria agora.
acho que você não vem.
acho que vou até a cozinha, acalmar minha saudade com um gole de chocolate quente
(que não é tão doce quanto o sabor de estar ao teu lado).
acho que vou dormir.
sonhar com você.
boa noite.
ao vento teus olhos ardem (15/01/05)
ao vento teus olhos ardem
a ponte implantada move o curso
da vida em teu interior
e teu semblante ja não mais resplandece
teu peito não exalta mais calor
vingado agora permanece bem
em teu leito jaz o som
do silencio da morte afônica
a berrar por teu perdão
falido você me deixou aqui
perdido e sem ter pra quem
chorar pois estou como ti
morto, miserável, morto
andando entre casas destroçadas
vejo você a implorar
por um punhado de dignidade falsa
pois agora é alma penada e fria
e sua memória de nada adianta
pois fica sempre a procurar
por fragmentos de felicidade
que tua avareza nunca te deixou achar
e cego você permanece aqui
e a bondade não existe mais pra ti
e nunca mais você daqui vai fugir
e agora não mais irá sair daqui
a ponte implantada move o curso
da vida em teu interior
e teu semblante ja não mais resplandece
teu peito não exalta mais calor
vingado agora permanece bem
em teu leito jaz o som
do silencio da morte afônica
a berrar por teu perdão
falido você me deixou aqui
perdido e sem ter pra quem
chorar pois estou como ti
morto, miserável, morto
andando entre casas destroçadas
vejo você a implorar
por um punhado de dignidade falsa
pois agora é alma penada e fria
e sua memória de nada adianta
pois fica sempre a procurar
por fragmentos de felicidade
que tua avareza nunca te deixou achar
e cego você permanece aqui
e a bondade não existe mais pra ti
e nunca mais você daqui vai fugir
e agora não mais irá sair daqui
volta (06/02/05)
casa vazia
eu vazio
aqui sozinho
aqui, tudo muito estranho
sonhos estranhos
sonhos bons
sonhos que me confundem
sonhos bonitos
vida sem graça
vida parada
vida vazia
eu grito por socorro
casa vazia
ninguem me ouve
volta...
eu vazio
aqui sozinho
aqui, tudo muito estranho
sonhos estranhos
sonhos bons
sonhos que me confundem
sonhos bonitos
vida sem graça
vida parada
vida vazia
eu grito por socorro
casa vazia
ninguem me ouve
volta...
a tragédia da vida (01/03/05)
sabe, quando tudo parece que não vai dar certo
e seu mundo parece desmoronar ante seus pés
e todo e qualquer esforço parece não surtir efeito
sempre parecendo que não há um jeito
de saltar fora dessa peça maldita que encenamos
durante nossas longas e batidas vidas
à tragédia, ato triste com final melancólico
aquele que move nossas vidas contrastando com a comédia
de nossas mais sinceras felicidades.
à vida, um teatro que nos mata ao fechar suas longas cortinas vermelhas.
e seu mundo parece desmoronar ante seus pés
e todo e qualquer esforço parece não surtir efeito
sempre parecendo que não há um jeito
de saltar fora dessa peça maldita que encenamos
durante nossas longas e batidas vidas
à tragédia, ato triste com final melancólico
aquele que move nossas vidas contrastando com a comédia
de nossas mais sinceras felicidades.
à vida, um teatro que nos mata ao fechar suas longas cortinas vermelhas.
cap'n jazz (23/05/05)
it`s all about playing;
don`t matter what the
hell happens in life,
just put your cap on
and go have some fun.
- - - - - - - - - - - -
don`t matter what the
hell happens in life,
just put your cap on
and go have some fun.
- - - - - - - - - - - -
a valsa da estação
saí daquele lugar abafado por mais uma vez, correndo de ônibus em direção ao metrô, munido apenas de um discman e um punhado de coragem. comprei o bilhete e desci as escadas barulhentas até a plataforma, mas os vagões não haviam chegado. então, me sentei nos bancos e liguei o discman, e a musica começou a se desenrolar em meus ouvidos. eu havia largado as mesmas batidas de sempre por um tempo, estava ouvindo uma batida meio jazz com pop, numa lingua que eu não entendia, mas acho que captava o que a mulher estava tentando dizer com aquelas palavras. ao ver o trem chegando, me veio subitamente a lembrança de quando eu passava ali quase todo dia, varando a metrópole da chuva de ponta a ponta e saindo em busca de um algo mais, e me veio uma saudade. sorri, bons tempos aqueles. agora eu raramente descia até a estação, pois a responsabilidade da universidade me tomava praticamente todo o tempo livre, e mesmo que não tomasse, é deprimente não ter alguém pra segurar minha mão enquanto o trem viaja. foi então que a velha sentada a minha frente me perguntou porque eu chorava assim. eu finji que não ouvi, finji que o som estava alto, e ela virou-se pro lado, com uma expressão de pena na cara. então mergulhei nas minhas melancolias de novo. o cd já estava na metade, e uma baladinha tocada a violão e piano acompanhava aquela linda voz, que me trazia de volta uma série de lembranças, que serviam de combustivel para aquelas lágrimas que brotavam repentinamente.
as pessoas que estavam no mesmo vagão me encaravam como a velha, com cara de pena, compaixão, e apesar da tristeza, eu sentia um pouco raiva, pois não queria que eles sentissem dó de mim. eu chorava até os olhos não aguentarem mais, mas mesmo vermelhos eles enxergavam as pessoas sussurrando e apontando pra mim. não queria isso, queria apenas chorar em paz, sentir o trem deslizar pela cidade, isso me acalmava. então, foi anunciada a estação de baldeação, e o vagão ficou vazio. a porta do outro lado se abriu, e várias pessoas começaram a entrar. mais e mais pessoas, e quando percebi, já havia duzias delas em pé na minha frente, todas encarando em silêncio, ora eu, ora a poça de água ali no chão. senti um vazio enorme, e uma vontade louca de sair dali, mas ainda não era minha parada. pedi pra que o trem fosse logo, estava começando a ficar claustrofóbico no meio daquelas pessoas que me fitavam com tanta concentração. daria tudo pra sair dalí. então, logo na próxima parada, eu saí e corri para fora da estação. a luz do sol me bombardeou, e meu olho ardeu mais do que já ardia. o cd acabou, o discman começou a tocar ele de novo, e a velha ficou para trás. me peguei andando sem rumo, e parei na frente daquela enorme ponte, caminhei devagar até o meio dela e me debrucei no parapeito, e fiquei mais de meia hora ali, admirando a agua jorrando da fonte, as pessoas passando, os passaros voando. ali, de costas para os transeuntes, eu me senti melhor, pois ninguém ia ficar me encarando e indagando porque aquele garoto estava tão triste. fiquei ali por mais de meia hora, apenas olhando sem pensar em nada, e saí dali quando a vontade de chorar passou. então, caminhei o outro lado da ponte, e voltei a andar sem rumo, até que me deparei com a fonte que eu admirava lá de cima. sentei ali e a agua que respingava me refrescou o rosto. de repente, uma revoada de pombos passou rapido acima de minha cabeça, e eu me levantei para ve-los passar por entre as arvores, quando pousei a visão numa garota do outro lado da fonte, sentada na beirada assim como eu. ela olhou pra mim, deu a volta e sentou-se ao meu lado. 'porque choras?' - ela perguntou - 'é solidão?', e eu assenti com a cabeça. então, ela deitou-se em meu colo e disse 'é, eu também.' e só então que eu percebi que ela estava com os olhos vermelhos assim como os meus. juntos ali, passamos a tarde, e vimos o sol se por por detrás dos arranha-céus daquela cidade. então, ela disse 'vamos sair daqui.', e me puxou pelo braço. corremos de mãos dadas até a estação de metrô, pulamos a catraca e nos sentamos, e foi só então que percebi que tanto eu quanto ela estavamos sorrindo. ela disse conhecer um barzinho aconchegante perto da ultima estação, então com apenas alguns trocados no bolso, o discman e um pouco de esperança, deitei a cabeça no ombro dela e concordei em ir.
chegamos lá, e um saxofonista tocava uma melodia alegre, acompanhado por quarteto de blues. sentamos e ficamos ali abraçados ouvindo a musica, que pouco a pouco foi se transformando numa musica linda e lenta, e os casais foram se levantando e se dirigindo à pista de dança. ela me olhou sorrindo e eu apenas disse 'porque não?'. então levantamos também e deslizamos para a pista. rodamos abraçados pelo salão, sempre sorrindo e tropeçando as vezes. aquela sequencia se extendeu madrugada afora, e depois de muito dançar e já quase sem poder andar, saimos do bar. sentamos num morrinho e assistimos o sol nascer e nos beijamos mais uma vez. foi então ela disse 'tenho que ir agora. me acompanha?' e descemos para a estação novamente. no caminho, entre abraços, risadas, carinhos e beijos, ela me disse que havia sido a melhor noite da vida dela. concordei, pois nunca havia me sentido tão feliz. chegamos à porta, ela disse 'essa é a ultima da noite. me concede essa honra?' e mesmo sem forças, ainda dançamos ao som de uma valsa imaginária, abraçados e cansados. beijo, e pulamos a catraca novamente. já instalados no vagão, eu deitei em seu colo, e ainda sentia seu doce perfume quando adormeci. sonhei com ela, num vestido longo e preto, sentada numa mesa com uma taça na mão. eu a tomava em meus braços, e andavamos em direção à lua.
quando acordei com uma voz anunciando a minha parada, ela já havia partido, mas havia deixado algo comigo. então, voltei para casa, exausto e feliz. destranquei a porta, entrei no meu quarto e guardei o discman já sem bateria, e o celular que ela havia deixado em meu bolso, que só veio a tocar na tarde seguinte. deixei o discman em casa antes de sair, dessa vez eu não ia leva-lo comigo, pois estaria de mãos dadas com alguém quando entrasse na estação.
as pessoas que estavam no mesmo vagão me encaravam como a velha, com cara de pena, compaixão, e apesar da tristeza, eu sentia um pouco raiva, pois não queria que eles sentissem dó de mim. eu chorava até os olhos não aguentarem mais, mas mesmo vermelhos eles enxergavam as pessoas sussurrando e apontando pra mim. não queria isso, queria apenas chorar em paz, sentir o trem deslizar pela cidade, isso me acalmava. então, foi anunciada a estação de baldeação, e o vagão ficou vazio. a porta do outro lado se abriu, e várias pessoas começaram a entrar. mais e mais pessoas, e quando percebi, já havia duzias delas em pé na minha frente, todas encarando em silêncio, ora eu, ora a poça de água ali no chão. senti um vazio enorme, e uma vontade louca de sair dali, mas ainda não era minha parada. pedi pra que o trem fosse logo, estava começando a ficar claustrofóbico no meio daquelas pessoas que me fitavam com tanta concentração. daria tudo pra sair dalí. então, logo na próxima parada, eu saí e corri para fora da estação. a luz do sol me bombardeou, e meu olho ardeu mais do que já ardia. o cd acabou, o discman começou a tocar ele de novo, e a velha ficou para trás. me peguei andando sem rumo, e parei na frente daquela enorme ponte, caminhei devagar até o meio dela e me debrucei no parapeito, e fiquei mais de meia hora ali, admirando a agua jorrando da fonte, as pessoas passando, os passaros voando. ali, de costas para os transeuntes, eu me senti melhor, pois ninguém ia ficar me encarando e indagando porque aquele garoto estava tão triste. fiquei ali por mais de meia hora, apenas olhando sem pensar em nada, e saí dali quando a vontade de chorar passou. então, caminhei o outro lado da ponte, e voltei a andar sem rumo, até que me deparei com a fonte que eu admirava lá de cima. sentei ali e a agua que respingava me refrescou o rosto. de repente, uma revoada de pombos passou rapido acima de minha cabeça, e eu me levantei para ve-los passar por entre as arvores, quando pousei a visão numa garota do outro lado da fonte, sentada na beirada assim como eu. ela olhou pra mim, deu a volta e sentou-se ao meu lado. 'porque choras?' - ela perguntou - 'é solidão?', e eu assenti com a cabeça. então, ela deitou-se em meu colo e disse 'é, eu também.' e só então que eu percebi que ela estava com os olhos vermelhos assim como os meus. juntos ali, passamos a tarde, e vimos o sol se por por detrás dos arranha-céus daquela cidade. então, ela disse 'vamos sair daqui.', e me puxou pelo braço. corremos de mãos dadas até a estação de metrô, pulamos a catraca e nos sentamos, e foi só então que percebi que tanto eu quanto ela estavamos sorrindo. ela disse conhecer um barzinho aconchegante perto da ultima estação, então com apenas alguns trocados no bolso, o discman e um pouco de esperança, deitei a cabeça no ombro dela e concordei em ir.
chegamos lá, e um saxofonista tocava uma melodia alegre, acompanhado por quarteto de blues. sentamos e ficamos ali abraçados ouvindo a musica, que pouco a pouco foi se transformando numa musica linda e lenta, e os casais foram se levantando e se dirigindo à pista de dança. ela me olhou sorrindo e eu apenas disse 'porque não?'. então levantamos também e deslizamos para a pista. rodamos abraçados pelo salão, sempre sorrindo e tropeçando as vezes. aquela sequencia se extendeu madrugada afora, e depois de muito dançar e já quase sem poder andar, saimos do bar. sentamos num morrinho e assistimos o sol nascer e nos beijamos mais uma vez. foi então ela disse 'tenho que ir agora. me acompanha?' e descemos para a estação novamente. no caminho, entre abraços, risadas, carinhos e beijos, ela me disse que havia sido a melhor noite da vida dela. concordei, pois nunca havia me sentido tão feliz. chegamos à porta, ela disse 'essa é a ultima da noite. me concede essa honra?' e mesmo sem forças, ainda dançamos ao som de uma valsa imaginária, abraçados e cansados. beijo, e pulamos a catraca novamente. já instalados no vagão, eu deitei em seu colo, e ainda sentia seu doce perfume quando adormeci. sonhei com ela, num vestido longo e preto, sentada numa mesa com uma taça na mão. eu a tomava em meus braços, e andavamos em direção à lua.
quando acordei com uma voz anunciando a minha parada, ela já havia partido, mas havia deixado algo comigo. então, voltei para casa, exausto e feliz. destranquei a porta, entrei no meu quarto e guardei o discman já sem bateria, e o celular que ela havia deixado em meu bolso, que só veio a tocar na tarde seguinte. deixei o discman em casa antes de sair, dessa vez eu não ia leva-lo comigo, pois estaria de mãos dadas com alguém quando entrasse na estação.
quinta-feira, agosto 11, 2005
t r a p
e quando tudo cai aos seus pés, e você procura proteção mas não encontra?
quando você se sente que seu mundo acabou, que não há mais forças para continuar?
quando parece que o fogo te consome... e quando não há como escapar?
feche os olhos, e sonhe.
abrace, sinta, beije, ria, ame.
mesmo que seja em sua imaginação.
mesmo que ela esteja a quilômetros
e mais quilômetros de distância.
não importa, não importa mais.
apenas feche os olhos, e seja feliz.
quando você se sente que seu mundo acabou, que não há mais forças para continuar?
quando parece que o fogo te consome... e quando não há como escapar?
feche os olhos, e sonhe.
abrace, sinta, beije, ria, ame.
mesmo que seja em sua imaginação.
mesmo que ela esteja a quilômetros
e mais quilômetros de distância.
não importa, não importa mais.
apenas feche os olhos, e seja feliz.
segunda-feira, agosto 08, 2005
foi apenas um s o n h o
então me peguei a conversar de novo com ela, dessa vez num daqueles restaurantes de beira de estrada. ela me olhava de novo daquele jeito que seus sentimentos transbordavam pelos olhos, e era estranho, pois algumas horas atrás, ela me olhava como se nada tivesse se passado em nossas vidas. era estranho demais estar na frente dela após anos ao seu lado. gritamos, discutimos, rimos, e ainda sim me incomodava essa absurda negação. como isso? como não conseguiamos ficar juntos se nos amavamos? doía demais em meu peito tudo isso. eu já não aguentava mais então corri pela porta do restaurante, quase levando junto uma cadeira que estava em meu caminho. corri como nunca havia corrido antes, e acabei por me encontrar de joelhos frente a uma cachoeira, com um vazio enorme no peito.
foi então que me caiu a primeira lágrima, e como a cachoeira que me lançava um olhar de compaixão, as gotas começaram a cair de meus olhos e lavar minha alma. chorei por tanto tempo que não percebi que havia amanhecido. me lembrei de quando assistiamos o sol nascer juntos, e parecia que nada conseguiria tirar-nos um do outro. mas nós mesmos acabamos fazendo isso. ainda atordoado, caminhei de volta para o restaurante na esperança de encontrá-la lá ainda, e rezando para que houvesse alguma chance de uma conversa acertar tudo, e pra variar, foi esperança jogada fora.
quando cheguei, ela já havia partido. em meu carro, havia apenas um bilhete, dizendo que tudo ia acabar bem, que tudo se acertaria no final. mas a que preço? ao preço de não sermos mais os mesmos de antes no fim da história? liguei o carro e corri até o lugar onde costumavamos nos encontrar nas madrugadas frias para falar da vida, tanto as nossas quanto as de todo o resto do mundo, pensando que talvez ainda pudesse estar lá, se despedindo desse lugar que já havia nos escutado por tantas e tantas noites. mas ao chegar lá, só havia o vazio. ela realmente havia partido.
sentei ali e todos os nossos momentos juntos passaram pela minha cabeça como um filme. então era assim que cada um seguiria seu caminho, direções opostas e futuros incertos. fitei as estrelas por um momento, e mais uma lágrima brotou de meus olhos. deslizou por minha face, me fazendo relembrar de cada segundo em que esteve presente em minha vida. ao tocar o chão, aquela lágrima evaporou e uma estrela começou a brilhar mais forte. meu último pensamento foi feito em forma de pedido.
quando acordei em seus braços o céu estava iluminado pela lua com uma claridade serena. "eu tive um sonho ruim, sonhei que te perdia". então ela acariciou meu rosto. sorrindo, ela disse "tudo acabou bem, eu não te disse?". e lentamente o sol foi surgindo no horizonte, cortando as montanhas. o cheiro doce que vinha da plantação de amoras contagiava a brisa matinal, e o sol iluminou o sorriso daquela garota que nunca mais sairia da minha vida.
foi então que me caiu a primeira lágrima, e como a cachoeira que me lançava um olhar de compaixão, as gotas começaram a cair de meus olhos e lavar minha alma. chorei por tanto tempo que não percebi que havia amanhecido. me lembrei de quando assistiamos o sol nascer juntos, e parecia que nada conseguiria tirar-nos um do outro. mas nós mesmos acabamos fazendo isso. ainda atordoado, caminhei de volta para o restaurante na esperança de encontrá-la lá ainda, e rezando para que houvesse alguma chance de uma conversa acertar tudo, e pra variar, foi esperança jogada fora.
quando cheguei, ela já havia partido. em meu carro, havia apenas um bilhete, dizendo que tudo ia acabar bem, que tudo se acertaria no final. mas a que preço? ao preço de não sermos mais os mesmos de antes no fim da história? liguei o carro e corri até o lugar onde costumavamos nos encontrar nas madrugadas frias para falar da vida, tanto as nossas quanto as de todo o resto do mundo, pensando que talvez ainda pudesse estar lá, se despedindo desse lugar que já havia nos escutado por tantas e tantas noites. mas ao chegar lá, só havia o vazio. ela realmente havia partido.
sentei ali e todos os nossos momentos juntos passaram pela minha cabeça como um filme. então era assim que cada um seguiria seu caminho, direções opostas e futuros incertos. fitei as estrelas por um momento, e mais uma lágrima brotou de meus olhos. deslizou por minha face, me fazendo relembrar de cada segundo em que esteve presente em minha vida. ao tocar o chão, aquela lágrima evaporou e uma estrela começou a brilhar mais forte. meu último pensamento foi feito em forma de pedido.
quando acordei em seus braços o céu estava iluminado pela lua com uma claridade serena. "eu tive um sonho ruim, sonhei que te perdia". então ela acariciou meu rosto. sorrindo, ela disse "tudo acabou bem, eu não te disse?". e lentamente o sol foi surgindo no horizonte, cortando as montanhas. o cheiro doce que vinha da plantação de amoras contagiava a brisa matinal, e o sol iluminou o sorriso daquela garota que nunca mais sairia da minha vida.
sexta-feira, agosto 05, 2005
história de ninar
caiu no buraco sem fim, que leva ao país das maravilhas
a toca do coelho parece mais sombria do que você imaginava
o relógio parou de bater, as cartas estão estáticas olhando
para aquele intruso que carregava mais amargura do que
qualquer bruxa malvada de contos de fadas.
nuvens cinzas a sua volta demonstravam todo o potencial
de tristeza e sofrimento que ele poderia causar.
as rosas se assustaram e suspiraram antes de murchar
a xicara gritou pela mãe antes de ser esmagada
mas a chaleira nada pode fazer para salvá-la.
as fadas fugiram para longe, deixando medo
no rastro de pó magico que caia de suas asas
batendo em retirada para um lugar desconhecido.
a sereia, que antes cantava alegremente
morreu no lago, envenenada com angustia.
triste história de ninar
daquelas de criar pesadelos
para um garotinho amedrontado
com o mundo lá fora.
dorme, criança.
a toca do coelho parece mais sombria do que você imaginava
o relógio parou de bater, as cartas estão estáticas olhando
para aquele intruso que carregava mais amargura do que
qualquer bruxa malvada de contos de fadas.
nuvens cinzas a sua volta demonstravam todo o potencial
de tristeza e sofrimento que ele poderia causar.
as rosas se assustaram e suspiraram antes de murchar
a xicara gritou pela mãe antes de ser esmagada
mas a chaleira nada pode fazer para salvá-la.
as fadas fugiram para longe, deixando medo
no rastro de pó magico que caia de suas asas
batendo em retirada para um lugar desconhecido.
a sereia, que antes cantava alegremente
morreu no lago, envenenada com angustia.
triste história de ninar
daquelas de criar pesadelos
para um garotinho amedrontado
com o mundo lá fora.
dorme, criança.
quarta-feira, agosto 03, 2005
a tragédia da vida, pt II
abrem-se as cortinas novamente.
entra em cena um garoto estranho, carregando seus 16 anos com muito esforço, como se viver tão pouco o deixasse com o cansaço de uma vida inteira. se pergunta o motivo de tanta confusão, de tanta depressão, tristeza. grita a todos, mas ninguém o ouve, ele está sozinho, em seu mundo fechado cheio de flores asfixiadas pela nuvem de amargura. entra uma pessoa, o apunhala no peito. ele cai ao chão, e a muito custo se levanta e retira aquela adaga. a ferida sangra, e uma poça se forma no chão.
entra outra pessoa, limpa um pouco do sangue, faz um curativo, abraça, e o garoto deita em seu colo, e quando ele menos espera, essa pessoa desaparece. de repente, o curativo cede, e todo aquele sangue barrado cai ao chão.
em desespero, o garoto chora, se perguntando porque tudo isso acontecia com ele. justo ele, que sempre tentou fazer os outros felizes, estava ficando tão arrasado ao ponto de desejar sua própria morte. eis que volta a primeira pessoa.
põe a mão em seu peito com a finalidade de estancar o sangramento. sobe a maré.
o garoto começa a boiar, indo pra longe, e a pessoa ainda está ali, parada, no mesmo lugar, com a mão posicionada onde antes havia um coração escorrendo. e foi indo cada vez mais para longe, rumo ao horizonte. o garoto ficou a deriva, e aquele pedaço de oceano tingido de vermelho havia se acalmado. desce a maré.
então, ali naquele deserto encharcado, se encontrava rodeado de estátuas. ficou ali ainda a sangrar por alguns dias, quando finalmente chegou a beira da morte.
de súbito, surge um anjo.
o garoto chora, implora para que o mate, o leve para o céu e acabe com esse sofrimento, se entrega por completo. o anjo o olha, sorri, e apenas diz "babaca".
fecham as cortinas.
e o final da história fica a critério da imaginação de um tal de futuro.
entra em cena um garoto estranho, carregando seus 16 anos com muito esforço, como se viver tão pouco o deixasse com o cansaço de uma vida inteira. se pergunta o motivo de tanta confusão, de tanta depressão, tristeza. grita a todos, mas ninguém o ouve, ele está sozinho, em seu mundo fechado cheio de flores asfixiadas pela nuvem de amargura. entra uma pessoa, o apunhala no peito. ele cai ao chão, e a muito custo se levanta e retira aquela adaga. a ferida sangra, e uma poça se forma no chão.
entra outra pessoa, limpa um pouco do sangue, faz um curativo, abraça, e o garoto deita em seu colo, e quando ele menos espera, essa pessoa desaparece. de repente, o curativo cede, e todo aquele sangue barrado cai ao chão.
em desespero, o garoto chora, se perguntando porque tudo isso acontecia com ele. justo ele, que sempre tentou fazer os outros felizes, estava ficando tão arrasado ao ponto de desejar sua própria morte. eis que volta a primeira pessoa.
põe a mão em seu peito com a finalidade de estancar o sangramento. sobe a maré.
o garoto começa a boiar, indo pra longe, e a pessoa ainda está ali, parada, no mesmo lugar, com a mão posicionada onde antes havia um coração escorrendo. e foi indo cada vez mais para longe, rumo ao horizonte. o garoto ficou a deriva, e aquele pedaço de oceano tingido de vermelho havia se acalmado. desce a maré.
então, ali naquele deserto encharcado, se encontrava rodeado de estátuas. ficou ali ainda a sangrar por alguns dias, quando finalmente chegou a beira da morte.
de súbito, surge um anjo.
o garoto chora, implora para que o mate, o leve para o céu e acabe com esse sofrimento, se entrega por completo. o anjo o olha, sorri, e apenas diz "babaca".
fecham as cortinas.
e o final da história fica a critério da imaginação de um tal de futuro.