- capitão, missão cumprida!
- houston, parabéns...
- mas, capitão, as conseqüências são desconhecidas!
- não há problema, houston...
- faça uma breve análise e descreva-as para mim, capitão... há urgência em saber o que há por trás desse sorriso com tal beleza que ofusca metade do universo.
- há urgência em saber que tipo de imaginação bonita é essa que ofusca metade dum universo com um sorriso bobo.
- capitão, são apenas devaneios movidos por uma força maior desconhecida... realmente assustadora, capitão.
- realmente assustadora, houston... estou sem coordenadas.
- capitão, ela continua crescendo, desgovernadamente. peço instruções para proceder.
- houston, eu sugiro instalarmos uma anarquia. (ou foi ela que já se instalou aqui?)
- a anarquia tomou conta de todos os sistemas. nossas imaginações se fundiram com todas as correntes de pensamento do mundo. estamos a flutuar, capitão, sem direção, sem se importar. há apenas um devaneio em massa pairando sobre a terra. é tudo tão lindo, tudo tão azul... continuo sem coordenadas. o céu está ficando mais claro...
- eu nunca pensei que fosse entender de onde veio o nome 'via láctea', muito menos que um dia fosse morar de verdade nela. houston, deixe pra lá as coordenadas... as únicas rotas que valem a pena ser traçadas são aquelas feitas com canetinhas coloridas, um tiquinho cada dia, um tiquinho cada noite... daí ninguém sabe que desenho vai se formar.
- as coordenadas realmente não importam mais. estou vendo as trilhas, capitão. é tão lindo... tanta cor, tanto amor, e ao mesmo tempo, não há nada. estou confuso. como se chama isso? como se chama esse sentir que enche nossos olhos e nossas almas? o que é essa inspiração? ah , capitão, se pudesse me ver agora...
- ah, houston, não tá escrito em nenhum dos meus manuais... vou jogá-los fora. eu queria ver o que você vê, e te emprestar meus olhos...
- eu queria sentir o que você sente, e pintar isso num quadro...
- eu tento escrever, mas sai tudo tão incompleto...!
- eu tento entender, mas é tudo tão lindo, que não dá pra ser entendido, apenas vivido, eu acho. ah, capitão... o que fazer? o que fazer?
- continua tocando, houston, até o caminho de volta sumir...
[guilherme amato e mariana lins]
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