quinta-feira, setembro 20, 2007

por entre os astros

caminhões roncavam lá embaixo, e tudo que eu queria era um pouco de silêncio. um pouco de café, talvez, mas primordialmente, o silêncio. e com ele, viria a liberdade, e as asas, é...

eis que o último se vai, e a escuridão toma conta do recinto. as ondas, vindas sabe-se lá de onde, começam a se aconchegar junto ao meu travesseiro, e são apenas duas horas da manhã. minha mente começa a responder de uma maneira um pouquinho diferente aos ruídos vindos da rua.

duas e meia, e a janela começa a perder sua forma. o colchão vai ficando cada vez mais lá embaixo até se tornar um pontinho minúsculo no meio do nada.

e quanto mais eu subo, mais sinto uma presença vinda daquele planetinha pequeno, que provavelmente só existe na minha cabeça. na minha, e na dela.

quatro horas da manhã, tomamos chá-verde sentado em cadeiras azuis, em contraste com a terra vermelha e molhada. o planeta azul vai ficando pra trás. aí eu me pergunto, 'é impressão minha ou aquele foi marte dobrando a esquina?', e o chá-verde começa a virar chocolate-quente soltando fumacinhas.

'cuidado pra não queimar a língua!', e sorria. eu também sorria.

e lá se vai saturno com seus anéis gigantes de poeira de estrelas.

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