quinta-feira, setembro 27, 2007

crônicas da cidade, apêndice I

'próxima estação: paraíso. acesso à linha um, azul' e o vagão ficou extremamente vazio, uns poucos gatos pingados e eu alí, olhando firme pela janela. as paredes pareciam mais rápidas do que de costume, cortavam rente ao trem, assobiando agudos que faziam minha cabeça latejar. 'estação ana rosa', e o vazio só aumentava. eu quis dançar ali mesmo enquanto era atirado rapidamente rumo ao suburbio. minha alma já valsava no meio do corredor, luzes e mais luzes cruzando meu semblante.

escadas rolantes movendo pessoas preguiçosas e eu mal esboçava uma reação. permanecia com as pernas sobre o assento. eis que a tela apaga. 'próxima estação, imigrantes', meu fim da linha, queria viajar mais, sabe? mas eu me levanto como que por comodidade.

dois ônibus passam, espero por um terceiro que me leve de volta por entre as vielas escuras. um estalo me chama a atenção, os prédios parecem curvar-se. seus topos parecem estar mais pertos do chão essa noite enquanto eu sento aqui e transcrevo furiosamente devaneios que pareciam brotar do chão (ou fui eu que escavei o concreto em busca de palavras?), movido pelos carros e pelos hoje tão baixos prédios. semáforo intermitente, bombardeia minha íris cansada de tanta luz artificial, lua, oh lua, onde estará? entro na barca que guia para dentro do coração da cidade. frenético assim vou percorrendo rios de asfalto, aí olho pro tapete azul, será que você está olhando para ele agora também? de novo me pergunto aonde andam nossas mentes senão juntas pelos céus.

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