quinta-feira, setembro 13, 2007

história sobre [eu] e [você]

desde aquele primeiro olhar, suas retinas ficaram marcadas.
-nunca te vi por aqui, você é nova?
-sou sim, entrei ontem. meu nome é [ela], e você?
-[você], muito prazer.
-o prazer é todo meu. - e um sorriso. o que você não havia percebido é que aquele sorriso singular havia feito toda a diferença num universo contido dentro de um milésimo de segundo de toda sua vida, aquele milésimo mais importante do que as toneladas de ar que você respirou nesses vinte e três anos mal-vividos.
-você mora aqui perto?
-moro sim, eu me mudei aqui pra perto faz uma semana mais ou menos... - aqui seu coração começa a palpitar uma batida a mais por minuto, mas você nem se deu conta.
- ... do lado do banco, conhece?
- eu moro no prédio ao lado! acho que nossas janelas são de frente uma pra outra... que coincidência, não? - e seu subconsciente gritava 'é destino, ela é o amor da tua vida!'. os dias foram passando, e quanto mais vocês conversavam, mais esses sinais aumentavam, sem que você percebesse. contudo, um dia te deu um abraço como quem não quer nada, e seu coração subiu repentinamente o andamento. eis que você se toca, pela primeira vez nessas duas semanas o quão lindo são seus olhos e seus dentes perfeitos. mas no fundo, você já sabia. então, como mágica, você vai afastando os pequenos retalhos que pareciam cobrir a verdadeira forma daquela pessoa com quem você conversava a um tempo considerável.
-ei, [ela], você tá tão linda hoje, sabia?
-ah [você], são seus olhos... - e um riso que mais parecia um convite para um beijo. esse, que não tardou a aparecer, numa tarde de inverno, enquanto vocês tomavam um café num canto qualquer da cidade. despretencioso, aconteceu quando você brincava sobre o bigode de espuma clara que saltava de cima dos lábios dela.
-você também tá com bigode...
-tou mesmo é? - dizia você, sem suspeitar, mas querendo tanto.
-tá sim, bem aqui... - eis que ela se aproxima e te tasca um beijo na boca. os medidores de lucidez explodem dentro da sua cabeça, e o coração parece querer abrir um buraco e sair pulando pelo piso da cafeteria.
-nossa... que viagem... - ofegante, perdido, você diz a segunda coisa que vem à sua cabeça, já que a primeira era um 'casa comigo agora, eu quero você'.
-nem me diga... viagem boa essa... - e sorria fazendo você se perder naquele rosto, que simplesmente era tudo que você queria ver naquele momento. então, vocês se levantam e saem rumo ao parque. se abraçam debaixo de uma cerejeira.
-[ela], sabe que eu já tava gostando de você faz um tempinho? - e cora.
-sabe que eu sei? eu também tava... - e sorria de novo pra você, deixando o ar com um cheirinho de felicidade inexplicável. só quem estava por perto naquele momento pra poder descrever. ou só vivendo um beijo desses...

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