terça-feira, outubro 09, 2018

dezoito, pt. XI

as costas doloridas e o décimo copo de café já se tornaram uma constante. já faz pouco mais de um ano que as coisas começaram a sair do controle (talvez nunca tenha existido controle, afinal), e ainda encaro escombros espalhados pela sala. escombros que só eu consigo ver, que só eu acabo por tropeçar. um ano... é espantoso como as coisas podem mudar de uma hora pra outra, sem avisar, sem esperar, e sem perdoar. mudanças. e apesar das superações conquistadas, que não foram poucas, a vida (ou o que posso chamar de vida) continua despersonificada pra mim, continua sem pertencimento nem familiaridade, e ainda que hoje eu tenha mais calma, felicidade, e uma certa tranquilidade, a ressaca de uma onda gigante que levou embora tudo que eu conhecia como 'eu' deixou um fosso gigante, difícil de enxergar ao certo por dentro, onde a visão embaça e tudo parece um borrão escuro, tão ameaçador quanto impassível. e tão grande quanto minha bagunça.

a sensação de não saber quem sou, que antes soava como uma aventura, um convite para descobrir o quão longe eu poderia chegar, hoje divide espaço com o medo de talvez nunca me encontrar, de talvez nunca conseguir ter algo novo que eu possa chamar de 'minha vida', uma nova vida a ser plantada, pra criar um significado diferente de outra que já foi incinerada. e mesmo com medo, continuo, sigo, procurando um lugar onde jogar a semente de um novo começo pra o que eu talvez venha a ser um dia. já que o que deixei pra trás foi enterrado tão fundo que raízes novas não conseguiriam tocar aquilo que já fui.

ainda bem.