algo me dizia que seria um ano diferente. ouvi de longe os fogos de artifício queimando no horizonte da cidade toda enquanto olhava ao redor. amigos presentes, abraços, e meus olhos cansados encarando uma outra pessoa no reflexo de uma janela, alguém que eu havia me tornado de maneira traumaticamente abrupta, porém ainda sim alguém. quinze pras três, e saí cantando pneus em uma são paulo completamente vazia, de vidros abertos e som no máximo. gritei, gritei e gritei, mas não me encontrei. não completamente. eu ainda era só cacos, poeira e azedo, apesar de um pouco menos disperso agora que já me acostumava com a ideia de que deixei algo além de mim mesmo pra trás naquela virada de ano, de hora, de minuto, de vida.
deixei pra trás o medo de viver.