segunda-feira, maio 07, 2018

dezoito, pt. VII

seis meses depois os dias continuavam sem um contorno definido enquanto um sem número de ruas escuras me atravessavam rapidamente, o som alto sempre agressivo e todo borrão de luz que passava se misturava com o próximo, perdendo a definição enquanto eu me perdia cada vez mais. respirei fundo mais vezes do que pude contar, suspirei onde coube suspirar, e senti o peso de cobertas e quartos vazios até os braços cansarem. e me perguntava: o que vem a seguir? quanto tempo mais a precisão me escapará por entre os dedos enquanto meus pés correm em piloto automático?

pois parece que a cada pisada, o chão cede mais e mais.