essa é a parte onde me faltam forças pra pensar, e o frenesi do pensamento vai sendo aos poucos afogado pelo cansaço acumulado e pelas milhares de noites mal dormidas de um ano onde eu só queria fugir da angústia e do escuro. aos poucos vou cedendo, e enquanto os pensamentos começam a se tornar abstratos o contorno do que eu acreditava ser embaça, desfoca, e eu sinto como se fosse um ponto suspenso no meu quarto, sem dimensão, sem corpo nem forma, apenas um ponto em um breu surdo, tão perto de mim mesmo que mal dá pra ver o início ou o fim, mas ao mesmo tempo tão distante que tocar algo dentro de quem sou parece residir a um universo de distância.
e enfim, dormir.