com o coração apertado, encarei a prateleira cheia de livros mas não conseguia distinguir nenhum título. as lágrimas foram embora tão rápido quanto elas vieram, e o sono já começava a distorcer meus pensamentos ao ponto de eu mal ter conseguido entrar no chuveiro, desviando o olhar ao passar pelo espelho com medo de me encarar. a água anestesiava meu corpo mas não alcançava minha alma, que inquieta não me deixava concentrar em nada. não sei bem quanto tempo fiquei ali, olhando para os azulejos. lá fora amanhecia, e ao me arrastar para a cama, vi alguém parado no corredor, distante, olhando os livros, tentando distinguir os títulos.
fechei a porta do banheiro atrás de nós dois, e enquanto a manhã me carregava pra um falso descanso, deixei meu caos se encarando no espelho, cada vez mais difuso, cada vez mais disforme, mas cada vez mais definitivo.