terça-feira, outubro 02, 2007

asas de pano

ele corria por planícies gramadas iguais àquelas que sempre via em filmes na televisão. de braços abertos, cortando o vento lado a lado com moinhos gigantes, sentia na pele a liberdade de não ter mais com o que se preocupar. apenas corria...

eis que veio a chuva beijar-lhe as têmporas, mas nem as gotas geladas o faziam parar de correr. rumo ao infinito, pensava, rumo ao infinito. serei maior que o tempo...

deixava para trás uma trilha flamejante, de uma cor púrpura intensa, viva. começou a levantar vôo, com asas abertas e cabeça erguida, ganhou os céus num piscar de olhos.

flertou com as estrelas, sentiu a galáxia o abraçando, por todos os lados. dançou com planetas, montou em cometas. sentiu na pele o respirar da lua.

cada vez mais alto, já via de longe a poeira cósmica, que diminuia, e suas asas começaram a crescer, mais e mais. seria maior que o tempo...

os sons já não se propagavam, e o ar não se deslocava. mas no silêncio do universo, aquele anjo seguia sua viagem. já era maior que o tempo...

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