segunda-feira, outubro 08, 2007

stars, pt IV

estava sentado no ponto de ônibus, inquieto. eram quase oito horas da noite, e a avenida estava curiosamente vazia. já esperava à quase meia hora, e nada. as estrelas estavam radiantes, coisa incomum para uma noite na cidade-indústria. os postes desperdiçavam energia numa noite tão clara.

eis que chega a condução, vazia. o cobrador e o motorista, quietos, pálidos. um tanto quanto assustador, e teria me assustado, se eu não estivesse tão preocupado com a música. sentei na última fileira, abaixei a cabeça e adormeci, sem perceber que o ônibus havia apagado seu letreiro, e tomava um rumo totalmente diferente de seu itinerário.

acordei lá pelas nove e meia, e olhei pela janela. era uma estrada deserta, com pastos em volta, me lembrando a velha bandeirantes, que já fazia parte da minha vida. o céu, agora sem estrelas, mas claro como um dia comum. o corredor do ônibus agora era quase infinito, milhares de fileiras de assentos, e eu não via mais o cobrador, muito menos o motorista. olhei novamente para o céu, e vi uma estrela cadente, linda, brilhante como só ela. fiz um pedido.

'desejo voltar a sonhar'

a estrela mudou sua pulsação, partindo para um roxo-amarelo-maracujá, e passou a acompanhar o ônibus por um tempo. fiquei ali, me sentindo abraçado por aquela luz quente, enquanto rumava por aquela estrada desconhecida. adormeci novamente.

de repente, senti alguém batendo em meu ombro. 'ei garoto, última parada', dizia o cobrador, um outro, com tez courada e olhos expressivos, muito diferente daquele pálido semblante que aparecera horas atrás. desci, e olhei para o alto, procurando a estrela em vão. porém eu sabia que ela estaria sempre no céu olhando por mim dali pra frente. e com o seu brilho em minha mente, sorri e caminhei em direção ao portão.

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