abrem-se as cortinas novamente.
entra em cena um garoto estranho, carregando seus 16 anos com muito esforço, como se viver tão pouco o deixasse com o cansaço de uma vida inteira. se pergunta o motivo de tanta confusão, de tanta depressão, tristeza. grita a todos, mas ninguém o ouve, ele está sozinho, em seu mundo fechado cheio de flores asfixiadas pela nuvem de amargura. entra uma pessoa, o apunhala no peito. ele cai ao chão, e a muito custo se levanta e retira aquela adaga. a ferida sangra, e uma poça se forma no chão.
entra outra pessoa, limpa um pouco do sangue, faz um curativo, abraça, e o garoto deita em seu colo, e quando ele menos espera, essa pessoa desaparece. de repente, o curativo cede, e todo aquele sangue barrado cai ao chão.
em desespero, o garoto chora, se perguntando porque tudo isso acontecia com ele. justo ele, que sempre tentou fazer os outros felizes, estava ficando tão arrasado ao ponto de desejar sua própria morte. eis que volta a primeira pessoa.
põe a mão em seu peito com a finalidade de estancar o sangramento. sobe a maré.
o garoto começa a boiar, indo pra longe, e a pessoa ainda está ali, parada, no mesmo lugar, com a mão posicionada onde antes havia um coração escorrendo. e foi indo cada vez mais para longe, rumo ao horizonte. o garoto ficou a deriva, e aquele pedaço de oceano tingido de vermelho havia se acalmado. desce a maré.
então, ali naquele deserto encharcado, se encontrava rodeado de estátuas. ficou ali ainda a sangrar por alguns dias, quando finalmente chegou a beira da morte.
de súbito, surge um anjo.
o garoto chora, implora para que o mate, o leve para o céu e acabe com esse sofrimento, se entrega por completo. o anjo o olha, sorri, e apenas diz "babaca".
fecham as cortinas.
e o final da história fica a critério da imaginação de um tal de futuro.
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