- o que é isso? - ela perguntou, com um leve sorriso.
- isso é um colar. com pequenas cerejas de vidro. espero que você goste... - realmente, ele esperava mesmo. depois de colocado, o colar veio a se encontrar no meio de dois corpos que se abraçavam e se beijavam com muito amor. então, de mãos dadas caminharam pelo parque, observando as pessoas que passavam e era como se fossem apenas projeções, pois nada mais importava para aqueles dois. aquela era apenas mais uma volta como tantas que deram ao longo desses dois anos que passaram juntos.
foi então que uma tragédia abalou para sempre aquele corações frágeis. um carro desgovernado entrou no meio do parque, e deslizou em direção à garota. ela acordou no hospital, assustada, perguntando pelo namorado. a enfermeira então disse que em minutos alguém viria esclarecer todas as duvidas.
o médico disse que ela havia apenas sofrido arranhões na perna devido a uma queda, e que perdera a consciencia por causa do susto. mas ela não queria saber dela, ela não importava, queria saber se o namorado estava bem. foi na hora que ela olhou a expressão de tristeza na cara do médico, e os olhos dele percorrendo o rosto daquela garota denunciaram o ocorrido. uma lágrima foi derramada, mas ela logo engoliu o choro contra sua vontade, pois sabia que onde quer que ele estivesse, estaria olhando por ela, e a ultima coisa que queria ver depois de tudo era ela sofrendo.
os anos foram passando, e aquela garota nunca mais havia recuperado o sorriso e o brilho dos olhos. ela havia se tornado fria, aparentemente sem sentimentos, mas com um grande amor adormecido por dentro. então, num dia frio de dezembro, celebrava-se o natal, e aquela mesma menina havia se tornado mulher, e estava sentada numa cadeira, sozinha no canto de uma sala de reuniões. ela fitava um copo cheio de água, e via o mundo distorcido. até que se deu conta de que um amigo estava parado em sua frente, com uma caixinha embrulhada com papel decorado.
- feliz natal adiantado pra você... - e a garota percebia claramente que ele estava embaraçado, com o rosto corado.
- ah, obrigada... é muita gentileza sua e... - então as palavras ficaram presas na garganta. dentro do embrulho, um colar com cerejas, igual ao que o namorado havia dado à ela anos atrás. então, o coração dela disparou, e o brilho nos olhos subitamente voltou, enquanto ela analisava melhor o rosto daquele à quem ele nunca dera muita atenção.
- o que foi, você não gostou? - perguntou, preocupado. - ouvi dizer que você gosta de cerejas, então eu pensei que... - ele se perdia em explicações enquanto ela apenas observava.
- adorei o presente. muito obrigada mesmo. eu estava indo tomar café, você me faz companhia? - ela disse, com um notável sorriso.
no dia seguinte, acordou mais disposta do que nunca, e seguiu rumo à firma onde trabalhava. desceu as escadas com pressa, e sorriu ao ver ele esperando junto à porta. conversaram um pouco, e foram cada um para a sua sala, e pela primeira vez, aquela menina mulher sentiu ansiedade pelo horário do almoço.
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