ao vento teus olhos ardem
a ponte implantada move o curso
da vida em teu interior
e teu semblante ja não mais resplandece
teu peito não exalta mais calor
vingado agora permanece bem
em teu leito jaz o som
do silencio da morte afônica
a berrar por teu perdão
falido você me deixou aqui
perdido e sem ter pra quem
chorar pois estou como ti
morto, miserável, morto
andando entre casas destroçadas
vejo você a implorar
por um punhado de dignidade falsa
pois agora é alma penada e fria
e sua memória de nada adianta
pois fica sempre a procurar
por fragmentos de felicidade
que tua avareza nunca te deixou achar
e cego você permanece aqui
e a bondade não existe mais pra ti
e nunca mais você daqui vai fugir
e agora não mais irá sair daqui
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