segunda-feira, dezembro 19, 2011

acordar (31/10/11)

o cansaço era enorme, mas nossa vontade de andar por aí era maior ainda. já havia escurecido quando subimos rasgando a rebouças, olhos nos olhos, respiração acelerada, corações inquietos. curva, reta, rampa, desligo o motor. ‘aceita cartão sim, chefe’, e partimos. subimos o espiral de mãos dadas e aí a noite começa. poucas coisas fazem tanto sentido quanto a gente ali, eu, você e a vida, caminhando pelo palco chamado paulista. tanta coisa para se ver, tantas sensações para experimentar, e tantas lembranças a criar, seja a cara engraçada que alguém fez quando passou por nós, o livro que nos despertou a atenção ou a felicidade que sentimos quando se manifesta nossa incrível sintonia que nos faz pensar, dizer e querer beijar ao mesmo tempo. tudo isso, cultivado pelas luzes que nunca se apagam, possibilidades, planos e sorrisos. e quando as portas começam a descer, pegamos o caminho de casa. as horas passam e a gente nem vê, e é tão bom assim, viver uma semana no tempo de um dia, que quando chega a hora de dormir, a gente sente como nos conhecêssemos desde sempre. e realmente, tudo que eu preciso é ter você aqui. e é quando eu durmo e acordo do teu lado que parece que essa canção fala sobre mim.

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