para o tempo. acordei sem saber onde estava, e por alguns segundos, a realidade desafiou meu pensamento. paredes, teto, armário. tudo estava ali, intocado, como se nem um dia houvesse acabado desde aquele último suspiro. respiro. e suspiro novamente. por quê? achei que essa herança já havia me abandonado. 'mas não, meus demônios não me deixam mais', ecoava ironicamente a canção. vacilei por alguns minutos enquanto os olhos se acostumavam à claridade que aos poucos ia entrando no quarto, e por um momento consegui reconhecer aquelas arestas, tão redundantes. um calafrio percorreu meu corpo, forte o suficiente para que eu acordasse num sobressalto. era madrugada, e meu velho amigo teto me encarava com uma risada cínica no rosto e um conselho sábio:
virei pro lado, assassinei meus receios e voltei a dormir.
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