e ali ficou, conformado com seu futuro. não soube bem quanto tempo havia passado, ou quantas pessoas passaram por ele, e comentaram sobre 'o lindo porto que antes lançava suas luzes ao mar'.
seu conforto, saber que estava a salvo em terra firme. sem um farol, não fazia sentido. sentindo? não. era o medo da possibilidade. medo da chance do naufrágio, e pior, medo de ancorar novamente em um porto, só para tê-lo arrancado de seus pés novamente. medo... da mudança. insegurança.
de onde estava, sentia-se satisfeito com a mesma paisagem nula. era melhor assim, inerte. contemplava as pessoas que passavam. apenas passavam.
...até que ouviu o mar chamando.
e num lampejo de coragem, içou sua âncora, e atirou seu navio contra as ondas.
e qual foi sua surpresa, ao cruzar conhecidas milhas e descobrir um porto ainda mais belo, e ainda mais seguro...
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