segunda-feira, dezembro 19, 2011
boavista (03/11/11)
o som rolava alto aquela coletânea dos stones que eu curto tanto, nove horas da manhã e eu já me atirava na avenida dos bandeirantes, cortando caminhões solitários e grandes jipes de janelas escuras e placas nobres, e parecia que naquele dia em especial todos os faróis da cidade resolveram colaborar, pois a cada pisada, verde e mais verde. minha ansiedade subia conforme os quilômetros diminuíam, e quando percebi, já estava no meio da marginal pinheiros, janelas e sorriso abertos, as árvores ao lado da pista passando como borrões, e quando percebi a voz na caixinha já informava a próxima saída, e eu podia ver ao longe o pontudo monumento da bandeira indicando o começo da estrada, e em segundos, via em meu retrovisor a metrópole e sua confusão alucinada ficando para trás, enquanto à minha frente se abria o caminho para a calmaria nos braços dela. faixas, pedágios, pontes, as músicas iam dando o tom à paisagem, os morros, as casas, paradas e lanchonetes na beira da estrada, sempre convidativas, e eu olhava o relógio com um frio na barriga indescritível. campinas crescia diante do meu parachoque, e o disco acabou bem à tempo de estacionar o carro na frente da casa rosa, buzinar e esperar minha felicidade abrir o portão.
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