quarta-feira, fevereiro 22, 2006

sombra projetada no concreto, lembranças

tudo o que passou ou que me fez acreditar que um dia a poesia ia virar vida ou vice versa me fez ver brotarem os postes do chão, enquanto abraços curavam ressacas, entre álcool e lágrimas, sorrisos e pensamentos jogados ao vento enquanto o amanhecer dava as caras por entre as barras da janela. porque pensei que acabaria, no fim, a dor de saber que entre uma e outra música, havia uma voz quase muda me pedindo pra continuar, e eu que pensava que as palavras que formavam as frases tinham algum sentido, quebrei a cara por ve-las espalhadas, seja numa sopa ou no chão, refletidas no teto que descia ao subsolo, onde alguém, sentado num canto, ouvia e cantava uma melodia doce, mas que junto das lembranças, ardia demais e demais.

e os postes chegavam mais e mais perto do céu.

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