sábado, maio 06, 2006

de quando a água e a areia gritaram em uníssono

desde a primeira vez eu soube que se tratava de algo diferente, como uma batalha sendo travada em meu interior, uma batalha sem frio, sem mortes, sem armas nem gritos. era uma batalha íntima, um conflito no mais profundo abismo da consciência.

o diferencial entre ficar calado e começar uma cadeia de rupturas, entre observar o penhasco ou se atirar rindo do que poderia acontecer após a queda. de longe, eu os via, meus dois lados, as opções, uma na forma de um bebê, com uma aura branca ao seu redor. a outra, materializada na forma de um mendigo sujo e fétido, como se escondesse carne putrefada debaixo do casaco, e dos olhos dele uma luz vermelhacordesangue emanava assustadoramente.

o embate de olhares e pensamentos emitia uma onda de calor intensa, resultado do choque entre forças tão poderosas.

os dois lados da balança, yin e yang, o controle e o impulso.

e ao olhar no fundo dos olhos eu sabia que aquele abismo me aguardava desde sempre, e que, por maior que fosse a queda, lá embaixo me aguardava o bilhete para um lugar melhor.

e como uma cachoeira desabando sobre um copo frágil de cristal, tudo se estilhaçou em minúsculos fragmentos de papel amarelado.

lembranças doces de uma queda deslumbrante.

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