terça-feira, fevereiro 21, 2006
outra noite
no final das contas, apenas mais um dia havia se passado desde as últimas conversas, os últimos olhares, mas a falta já aparentava estar ali há anos, e ao olhar pros lados eu percebia que não havia mais ninguém além de mim no quarto, e que já havia amanhecido. eu pensava que tinha ficado semanas jogado no chão do quarto sem comer e sem sair, sem ver ninguém, mas foram apenas as horas da madrugada longe do computador, com o estômago revirado, e o suor escorrendo. já beirava o delírio, vendo sombras me rodeando ou coisa que o valha, que haviam me deixado petrificado. de repente, um raio de luz veio pela janela, e a porta do quarto se abriu. ela entrou sorrateiramente e deitou-se ao meu lado. perguntou-me porque isso, a raiva, a mágoa, eu disse que já estava cansado de sofrer, de sonhar em vão, então que veio o primeiro soluço. ela me acalentou em seu colo, e ficamos ali por mais algumas horas, que pareciam décadas. ela dizia que o mundo não era feio, que parecia feio, mas com a direção certa ele pareceria um lugar melhor, coisa que para mim era impossível. então, ao toque suave dos lábios, a escuridão foi deixando pouco a pouco aquele quarto, e tudo parecia tão diferente, tão novo, tão simples... todo um novo mundo ao meu alcance, que sumiu ao ver a palavra pintada na tela, e ao sentir o cobertor gelado cobrindo meu corpo. apenas pedia para voltar, mas não adiantava mais. então foi buscar consolo em seus sonhos, ao menos era uma forma de rever tudo aquilo que foi perdido entre os olhos.
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