sentia-se uma criança presa em um jardim privativo, rodeado de árvores altas e vistosas por todos os lados. passara a vida jogando sementes pro alto, na esperança de que os galhos rompessem os limites invisíveis e alcançassem uma saída daquele paraíso imaculado. orquídeas, rosas, lírios, todas as cores abraçavam seus pés em uma calmaria sem fim, onde muitas copas riscavam a vista rumo ao céu nublado, enquanto ele andava, e andava, e andava. por vezes chovia, e ainda que algumas vezes a vontade de dançar na chuva se manifestasse como na infância, um grande carvalho era seu abrigo costumeiro, e ele já havia perdido as contas de quantas vezes adormecera sob sua proteção.
naquele dia fechado não foi diferente, e a tempestade constante que se abatera molhara seu corpo por inteiro enquanto lançava as últimas sementes antes de procurar refúgio. mas dessa vez, acordou com a chuva leve batendo no rosto. o carvalho se fora, dizimado por uma trovoada impiedosa que levara consigo a maioria das árvores do jardim, que ao invés de um teto de folhas agora descansava sobre uma garoa de cinzas.
e para ele, que não encontrou mais sementes nem motivos, só restou andar.
naquele dia fechado não foi diferente, e a tempestade constante que se abatera molhara seu corpo por inteiro enquanto lançava as últimas sementes antes de procurar refúgio. mas dessa vez, acordou com a chuva leve batendo no rosto. o carvalho se fora, dizimado por uma trovoada impiedosa que levara consigo a maioria das árvores do jardim, que ao invés de um teto de folhas agora descansava sobre uma garoa de cinzas.
e para ele, que não encontrou mais sementes nem motivos, só restou andar.
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