me segurava em minha cadeira em mais uma noite longa. o sono já cansava, olhos impressos na capa de um livro me encaravam. o refrigerante na garrafa já estava quente e sem gás, mas pouco me importava, apenas precisava de algo para molhar a garganta. levantei rumo à sala e abri a janela para pegar um pouco de ar, pois o que circulava em meu quarto já estava novamente abafado, grosso, diferente daquele que vinha da rua em lufadas geladas e de certo modo revigorantes. percorri toda a paisagem com os olhos: os pequenos prédios, tantas casas, luzes apagadas e algum esboço de movimento nas ruas, tímidos ruídos ecoando pelo asfalto. eis que uma imagem no céu me prende a atenção, um conjunto peculiar de estrelas que quase chegavam a formar um rosto que sorria, e bem ao centro deles uma luz diferente pulsava como se ardesse em gigantescas chamas. não sei se foi por impulso ou se ela mesma me pediu, mas fiz um desejo, botando um bocado de fé naquele gesto infantil que nunca cultivei. e quando pisquei meus olhos, ela pareceu oscilar seu brilho por vários minutos como se respondesse algo que não conseguia compreender. um carro cruzou a avenida lá embaixo à toda velocidade me fazendo desviar o olhar. quando tornei a procurar aquela luz, não havia mais nada no céu. nem estrelas nem nuvens, apenas um tapete liso de uma cor roxo-escura. virei as costas e voltei ao meu quarto, crente de que aquilo havia sido uma alucinação causada pelo sono que já me acomapanhava por algumas horas, porém fiquei intrigado pois havia parecido tão real e mesmo já deitado em minha cama, não conseguia esquecer o tal brilho. então, novamente tomado por algo que não sabia bem o que era, resolvi lançar aos céus outro pensamento. desejava outro sinal que me fizesse acreditar que aqueles minutos não haviam sido delírio, e que meu pedido havia sido escutado por alguém lá no alto.
então começou a chover.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.