terça-feira, julho 12, 2005

thoughts of a loser, act III - outside lies another ceiling larger than yours

tá, sua vida agora monocroma os dias de inverno da cidade que já é cinza, e cada vez mais você fica surdo. o teto ainda ri de você, as paredes continuam te encarando, a rotina de sempre. então, você resolve mudar. vai até a rua, respira um pouco, pega um ônibus pra lugar nenhum tentando achar o diferencial que completaria essa patética existência feita de coca cola e palavras choradas. o ônibus então chega ao ponto final.

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você se viu naquele lugar onde todos parecem hostis, ninguém conhecido por perto, e te bate aquela secura na garganta. ah, precisa de alguma coisa para beber. então você bate à porta de um bar, senta e observa à tua volta. pessoas, vivendo a vida sem se preocupar, trabalhando, fofocando ou paquerando. algumas até se beijam. os bêbados viram mais uma caneca de cerveja sem se importar se aquele garoto cuja vida vai ficando cada vez mais trêmula está a beira do delírio olhando sua garrafa ou não. eles apenas bebem, e se divertem. então, você vê que aquele bar foi apenas a fuga das pessoas do mundo lá fora.

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senta na calçada enquanto os ônibus passam em sua correria rotineira. todo mundo tem rotina, até ônibus tem rotina, então porque a sua te incomoda tanto? de repente, uma revoada de pombos passa sobre sua cabeça, e te faz olhar novamente pra cima. dessa vez, não é o seu teto, mas sim o sol, que te queima o rosto ao invés de dar risada de suas atitudes. as nuvens brancas continuam passando como se você não estivesse olhando. até elas tem rotina, e você continua incomodado.

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desce as escadas e encontra o colo da mãe que te leva pra casa. o vento bate com força, gela, mas você continua, afinal você nunca viu graça em andar sozinho por ai, seus pensamentos são previsíveis, não é como conversar com outra pessoa. então, já deitado em seu leito, ela começa a se mover, e você adormece ao som daquela melodia que vem debaixo da terra. então você acorda em um outro lugar.

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desce, mas ao invés de ir ao outro lado pra retomar seu caminho de casa, volta a superfície pra tentar achar algum sentido nos dias longos que vem passando. ora, foi apenas uma estação que você passou, e já que se encontra naquele lugar onde todos vão para procurar alguma coisa, porque não tentar achar o tal diferencial? mas então, você caminha, e no meio daquela multidão se encontra sozinho, como se todos a sua volta tivessem parado no tempo, e você, preso na estaticidade do limbo. sua cabeça gira, então você resolve voltar pra casa e deixar as estátuas para trás.

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de volta àquele mesmo ônibus de sempre, até já marcado com tinta por você, sempre do lado esquerdo no ultimo assento. e é para lá que você se dirige, e fica remoendo esse dia que por mais inútil que tenha sido, te consola sabendo que ele está quase no fim, e que o próximo pode ser diferente. você, já sem forças, encosta a cabeça e tenta dormir para esquecer tudo isso, e percebe que talvez esse diferencial pode nem existir.

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de volta ao lar, alguém lhe diz que o telefone tocara, e alguém havia perguntado por você. o nome, ninguém se lembra. então você se questiona se há algo melhor pra fazer do que dormir, e também se não é hora de desistir de achar o sentido. mas, o telefone toca de novo, e dessa vez é você que atende. e se dá conta de que o diferencial pode estar mais perto do que você pensa, e que talvez já o tenha achado sem perceber.

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volta, dorme, sorri. afinal, os dias não param nem que você realmente queira. mas, será que essa procura épica finalmente encontrou seu final feliz ali onde as pombas dormem? só vivendo pra descobrir se amanhã será mesmo um lindo dia.

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