depois de passos cada vez mais incertos, vôos alçados sem muita direção e alguns tropeços repentinos, o desanimo se tornou novamente um piso comum. nos últimos tempos me peguei por vezes sentado, olhando o céu, me perguntando o que estava acontecendo, sem uma resposta conclusiva, e sem a mínima vontade de me levantar e caminhar, como se estivessem acimentando meu corpo.
mas pior do que o cimento, é o conformismo.
a aceitação de que tudo está assim porque é assim, e não há muito o que eu possa fazer para resolver isso. falta algo, sempre faltou, eu sempre senti isso, e além desse algo transcender minha vontade de mudar, sua falta vem se tornando cada vez mais latente, criando uma calmaria e me deixando à deriva num recorte de infinitas águas por todos os lados.
eu sei, não é como se minha vida estivesse inteira de pontacabeça, nem como se nada estivesse dando certo. tem muitas coisas boas acontecendo, mas é triste ver que, mesmo sabendo o quão boas certas coisas são, e sim, poderão ser ainda mais, eu acabo ficando apático, mesmo me esforçando para expulsar essa névoa preta de dentro do meu corpo.
já se passaram anos desde que a sensação de falta começou. e por vezes eu cheguei a me sentir completamente preenchido. pelo menos foi o que pareceu. mas agora, isso me parece distante demais. pelo menos é o que parece.
pra ser bem sincero, já não sei de quase mais nada. sei pouco sobre algumas coisas que eu quero, que me importam, mas já não tento adivinhar o futuro. tudo parece um grande sono profundo, sonhado em sépia e com a música de fundo bem baixinha.
mas realmente acredito, que uma hora o telefone vai tocar, e eu vou acordar. e nessa hora, não vai me faltar mais nada.
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