limpe os pés na porta
quando sair pela última vez
pra não deixar pegadas
e saber como voltar
e quando chegar
esqueça da janela
por onde o sol entrava
quando a gente se escondia
e via o tempo passar
achando que sempre seria
suficiente pra nós dois, pra você
poeira flutuando na luz
cores desbotadas na sua foto
que logo vão se apagar
o temporal passou
e eu te vi flutuar pra longe
acenando sem perceber
que não dava pra se ouvir
reclamar que algo mudou
e que hoje o dia foi pesado
e que cansou de estar cansada
então esquece
essa calçada
essa rua
essas memórias
parece que
não fui eu quem vivi
eu via o tempo acabar
achando que algo sobraria
muito pouco pra nós dois, pra mim
a rede balançando na luz
me leva de volta pra outro lugar
que logo não vou me recordar
não vou mais abrir
quando o interfone tocar
finge que não tô em casa
que eu apago a luz
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