sexta-feira, agosto 31, 2012

a última dança (04/20/2011)

desde sempre ouvi o apito incessante em meus ouvidos. causado por noites turbulentas e acordes que vociferavam a minha inquietação ante a possibilidade de um futuro ímpar. minha vontade de alcançar o céu, mesmo após tantas mudanças no caminho, manteve-se intacta, e continuo caminhando junto à meta: a intensidade. e os acordes ainda gritam, mais sonoros do que nunca, me dando a certeza de flutuar pela primeira vez em muito tempo.


desde sempre busquei a singularidade, e caminhando a passos firmes e sem cadarços para limitar o quão longe eu devo ir, e o quão cedo eu devo acordar. mesmo abrindo certas concessões, mantenho intacto o orgulho de ser quem eu sou, quem eu sempre quis ser, na atitude, na persona, na essência.


e desde sempre eu sonhei com aquela cabana de madeira. já passei muitas noites observando detalhes, construindo futuros, pendurando retratos sem rosto, imaginando momentos, mais até do que deveria. mas em todos esses anos, a realidade dessa morada foi um espaço por preencher, uma lacuna onde a moldura perfeita tornaria a cabana completa. e mesmo pensando que eu conseguiria suportar o vazio, o vento que entrava por aquele buraco me gelava o corpo, tirando meu sono. e isso perdurou por anos a fio, fazendo com que a sensação de algo faltando se tornasse parte natural de mim.


até que o destino resolveu agir, e me mostrar que eu mesmo era o rosto que desejava ver, e o abraço onde gostaria me acalmar. e no quadro mais lindo que eu já vi, encontrei a verdadeira felicidade, completa em mim mesmo, após fechadas as cortinas daquela parede onde não faltava mais nada. e enfim, eu pude dormir em paz, e celebrar os últimos passos da dança monocromática do garoto que por muito tempo valsou sobre assoalhos partidos, e agora desfruta do doce soprar dos novos ventos, e entendeu que o quadro na verdade era um espelho.


enfim, deixei de dançar o colapso.