vejo ladrilhos cinza-escuro pavimentando tudo até onde a vista alcança, e ando. ando, até os pés começarem a criar bolhas, até a força abandonar os joelhos que nunca foram tão fortes assim.
ciclos. as coisas caminham além de nossa vontade, e afinal não resta muito a fazer a não ser caminhar.
e o sol, que por tanto tempo embaçava a visão a frente, volta a dar as caras, como se nunca tivesse desaparecido a cada fim de tarde. talvez seja essa a lição, no fim das contas. não importa o quão escura seja a venda, o ofuscar não se vai por completo, só é preciso o ângulo certo para encontrar os olhos e fazer com que os ladrilhos virem abismo debaixo dos pés.
e então parece que pode ser melhor do que a queda sem avisos manter a sensação de que se pode cair como uma folha perdida a qualquer momento.
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