o cravo brigou com a rosa, daquelas brigas feias que deixaram a rosa chorando, e o cravo confuso. o jardineiro, tentou apartar a briga, mas os espinhos da rosa fizeram sua mão sangrar. com receio, ele saiu da estufa. do lado de fora, a chuva caia torrencialmente, confraternizando com as lágrimas da triste rosa.
o cravo brigou com a rosa, e fazia quase uma semana que ela chorava. pálida, olhava pelo vidro, não tinha coragem de olhar para o seu próprio reflexo. o cravo, por sua vez, ficava quieto num canto, com as folhas largadas, um tanto quanto perdido. o jardineiro, debaixo de um guarda-chuva, assistia de fora aquela cena que partia seu coração.
o cravo brigou com a rosa, e um mês depois, o cravo já não dizia nada , não sentia nada. a rosa, ressecada por deixar escapar tantas lágrimas. eles não se falavam mais, não se olhavam mais. e os dias foram passando, o cravo continuava inerte a tudo, apenas olhava para o teto sem saber muito bem o que pensar.
o cravo brigou com a rosa, que depois de dois meses sucumbiu à tristeza e à desidratação. morreu em silêncio, olhando a chuva lá fora. chuva essa que se misturava às lágrimas do jardineiro. o cravo não disse nada. apenas desviou o olhar por um segundo. não conseguia mais sentir tristeza. era apenas um caule vazio.
o cravo brigou com a rosa, mas o jardineiro preferiu não intervir.
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