por quantas vezes tentei tocar o sol, em vão
mesmo sabendo que alcançar os monumentos
levaria mais tempo do que eu tinha para viver
por quantas vezes tentei me livrar das garras
sem ter sucesso, sem conseguir passo algum
apenas esforço jogado a esmo por mais uma vez
e tudo o que eu temia havia se concretizado
o mal que me consumia novamente aparecera
surgindo do mais profundo abismo do esquecimento
tocou-me novamente, triste repugnância
tirando o nascer da esperança dessa alma
que se perdeu no buraco acinzentado
naquele longo caminho onde a estrada arde em chamas
não há nada além de seus próprios medos
nada além da sua imaginação a te pregar peças
ela, assim como você, almeija a liberdade
pois de nada adianta viver se não se pode correr
de nada serve a mente se não se pode soltá-la
.
aquela criança ficou para trás mais uma vez
deitada no meio fio se debatendo entre lágrimas
sentindo seu corpo evaporar-se ao sol e sumir
(até que novas centelhas incandescentes o tomassem aos braços e em demonstração de compaixão o jogassem aos trilhos novamente, para que o caminho pudesse recomeçar e quem sabe um dia chegar ao pote de ouro que se encontra no âmago de seus pensamentos mais profundos)
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